TENTE MUDAR DE PALHAÇO.








Um amor sem dor é água salobra, aquelas que saem de poços de água de rochas salinas.

É água, porém intragável, ácida, salgada, imprestável, igualzinho a este amor insosso, enjoativo, sem tempero, nem desmaios, ranger de dentes, chiliques e fricotes chorosos.

Não se iludam, quem quiser amar e ser eternamente feliz, saia deste negócio nascido do coração e vá plantar pepinos, cuidar de alfaces, criar passarinhos, ou dar milhos para as galinhas.

Sim, não sofrerá nunca mais do mal de amor.

Este amor sem dor e igual àquele que estando distante, ignora, e perto se acostuma com aquela inútil paisagem que, nem lhe olha mais.


Destes que se você estiver nua está apenas sem roupa ou se vestida, e porque não está nua.

Perde a sensibilidade de ver os detalhes, não tem mais o ânimo do elogio. Nem das brigas.

Não ofende, nem elogia, não ri e não chora, são dois vodus cambaleando pela casa.

Perdeu a motivação para se rasgar em dores pelas coisas mais tolas do cotidiano, e que só tem importância e significado, para quem ama.

Existe uma palavra que classifica esta tragédia: Indiferença.

A indiferença não traz dor, não traz nada, não escuta ou sente o cheiro ou a maciez da pele esfregando-lhe no corpo.

É de uma crueldade inominável e muito pior do que “a solidão provocada pela presença de um paulista”, como diria em tom de brincadeira sarcástica, o provocador, eterno escritor do absurdo e escarnecedor das mazelas sociais que só Nelson Rodrigues, conseguia dar forma e conteúdo!

Procure um novo amor, quem não consegue mais amar sentindo todas as dores que ele merece, de ficar brigando por meras bobagens, ter insônia, palpitações e depressão, ou vai ficar esperando para ser julgado na última ceia?

Quem estiver nesta situação, vá o circo.

Ver palhaços e leões na jaula não causa dor nenhuma e... muito menos tesão !

Só tome muito cuidado, pois o palhaço o que é? Diz o ditado popular:

- “É ladrão de mulher”.

E como os palhaços e as palhaças da rua são sempre mais engraçados, quem sabe...

Respeitável público: Quer que eu minta?

@.PAI TECLADO. ILUSÕES.ORG


Já tinha pensado até em recorrer a bruxaria, misticismo e o escambau !
Sentia-se amado ou traído por leitoras do seu blog. Era uma sensação estranha de uma coisa que não estava acontecendo, mas que sentia. Não estava acontecendo, pois sequer a do outro lado sabia, mas isso pouco importava, pois o fundamental é que ele sabia. E sentia! Sentia-se exausto, acabado, derrotado e dormia sobre o computador.

Quando descobria, dito pela própria blogueira que ela estava namorando, ficando, casando, juntando e outras,fazia beicinho, parava de comentar os seus textos e eventualmente, para não parecer sem educação, a parabenizava com um escancarado sorriso amarelo, e louco para dizer:

-Não sei quem você é, mas sinto que te amo. Ele não presta! – pensava revoltado.

Mas, como seria ridículo!Afinal, quem era o cara que estava com a sua “amada”, e quem era ela?

Porém, não interessava racionalizar seus instintos e julgava-se então, um corno virtual.

Sofria em pensar naqueles calorosos beijos de língua que eles trocavam, nas audaciosas posições libidinosas que ele exigia dela, colocando-a de quatro para sodomiza-la e cavalgando, nela é isto mesmo ,cavalgando, e ela enchendo o ambiente com gritos desesperados de prazer, enquanto o cara, mantendo as rédeas da situação, ordenava-lhe, subjugando-a como se o seu falo, fosse de um rei , príncipe encantado, ou do dono da Microsoft.

Aqueles pensamentos o levavam a dar porradas no teclado, e já tinha destruído vários.

-Nunca mais mando e-mail ou comento textos dela – Afirmava com a jugular estufada.

Nada disso, pois dias depois ela mandava-lhe um e-mail perguntando, qualquer bobagem, por exemplo, se ele sabia a diferença entre um asno e uma zebra, ou quando foi a última vez que tinha ouvido falar em casos de febre amarela no Brasil. Coisas banais e até desconexas.

Então ele descobria novas forças dentro daquele corno virtual e respondia, mas na realidade o que queria saber mesmo era, se o namoro já tinha terminado, se ele tinha morrido ou já estava grávida!

E a coragem? Ah tinha esquecido em baixo da sua pequenez e via a tal mulher desconhecida que, se escondia sob a alcunha do sugestivo nome do seu blog: “Aberta à Visitação “.

Um dia, coração inflamado, boca seca, lábios trêmulos, suor frio escorrendo-lhe no rosto e mãos hesitantes escreveu um e-mail, o definitivo, queria resgatar, dias de ansiedades, noites mal dormidas e sofridas masturbações.

“Minha Querida, Aberta a Visitações, tenho pensado muito em você e queria conhecê-la, pessoalmente, pois, como é grande o meu amor por você como já diria, Roberto Carlos...”.








Cafona, diriam vocês, mas todo homem apaixonado fica meio babaca. Ou totalmente?



No teclado do babaca nem existe a letra" B ", para não provocá-lo!





E por aí, um monte de clichês e frases comuns para sensibilizar sua mulher amante virtual que o corneava sem nunca tê-lo visto.

Todos os dias abria seu e-mail e nada, até que uma semana depois, veio um outro e-mail dela.

“Querido, recebi seu e-mail e realmente você é muito engraçado. Morri de tanto ri, mas valeu saber que você é um brincalhão!

Se meu "benhê" lesse isto. Nossa! Mas fica tranqüilo, meu “mô” não vai ler não, pois, já deletei.

Ah será que você poderia me responder onde posso comprar um mouse ótico baratinho?

Beijos, Aberta a Visitação”.

Então, ele desconcertado, deu mais umas porradas no teclado e começou a gritar: Benhê é o cassete!!!

“Mô”? Que galinha, vagabunda sem vergonha, deve estar sustentando este canalha, vai pra pqp!


O traído virtual é a nova grande maldição da Internet. Não é “benhê”?










Ou "mô"?

EM BUSCA DO CORPO PERDIDO OU ACHEI UM CORPO QUE NÃO ERA O MEU.




Afinal o que é uma dieta, qual a melhor, e em quanto tempo as pessoas vão perder aqueles cinco, vinte ou trinta quilos dos cento e dez que compõem sua indesejável massa corpórea atual e robusta?
Infelizmente, estas dúvidas cruéis, no entanto, só aumentam a ansiedade do gordo, e esta ansiedade induz a ingestão compulsiva de quilos e mais quilos de comida gordurosa em excesso e de má qualidade. E o gordo fica mais gordo!
O vilão já desmascarado deste drama alimentar, são os sanduíches de múltiplos andares e impossíveis de serem abocanhados, até mesmo, pelos mais bem treinados flexíveis e enormes maxilares.





São os soberbos e monumentais hamburgers, distribuídos entre várias partes de pão, generosamente, encharcados de molhos ácidos, picantes e maioneses multicoloridas que, até insetos os evitam.
Duvido que você já tenha visto uma mosca, numa destas lojas de fast - food. Sabe a razão? Mosca não tem instinto suicida!
O valor calórico destes alimentos é tão grande, e só comparável àquela língua de fogo que, os grandes foguetes espaciais soltam ao partir rumo ao espaço.
Seus nomes comerciais já sugerem a intensidade das suas conseqüências: big, duplo big, tri duplo big, avassalador,quarteirão, avenidão e torre de babel, entre outros.


Como desgraça pouca é bobagem, estes edifícios comestíveis são acompanhados de muita batata frita salgada, encharcadas de óleo e para serem empurradas goela à dentro, estas bocas nervosas precisam beber grandes quantidades de refrigerantes borbulhantes de gás carbônico.
Dizem que, as carnes compactadas destes hamburgers mortais são oriundas de animais ou aves que durantes suas curtas vidas terrenas tomam hormônios à granel, para crescerem rapidamente, e engordar em regime de absoluto confinamento, para não perderem nenhuma gordurinha acumulada. Barbaridade!



A gula é um pecado condenado por, praticamente todas as filosofias e religiões.
À propósito o que achariam os católicos destas mazelas degustativas? Certamente classificariam como tentações demoníacas e lamentam que uma simplória, natural e inocente maçã tivesse causado tantos problemas a Adão e Eva, comparando-se a estas tragédias alimentares contemporâneas. Já os espíritas classificariam estas viagens à maionese como sendo um verdadeiro carma.








E os orientais? Os chacras - afirmam - ficam tão ensebados que não conseguem equilíbrio nem para eles mesmos, quanto mais para seus donos.
E afinal, após viver muitos anos degustando estas porcarias, o incauto consumidor pretende libertar-se dos excessos.
Mas será que este flagelo alimentar não serve para ninguém? Servem sim, principalmente, para aqueles que acenam com milagrosas soluções, como os médicos nutricionistas, academia de ginásticas, laboratórios farmacêuticos e personal training.
Para estes a alimentação fast - food é a salvação da lavoura para os seus orçamentos, pois ,cada vez mais, gordos batem as suas portas. Alguns nem passam na porta!
Médicos cirurgiões, também estão gostando, pois aspiram toneladas de gorduras de barrigas, culotes, e regiões glúteas que são mais exploradas do que foi o saudoso pau-Brasil, nestas terras descobertas por Cabral.
Porém o campeão absoluto de audiência é, sem duvida, estas empresas denominadas de laboratórios farmacêuticos.
Os gordos, ou os que assim se sentem, tomam, em geral, dezenas de comprimidos para perder a fome, acompanhados de outros tantos, para se manter de pé, andando. Enfim, vivos!
Pela manhã a indústria dietética garante que a clientela só deverá comer alguns tabletes de soja não-transgênica.
Para o almoço a indústria farmacêutica prepara uma surpresa. Sopa de, absolutamente, nada, esterilizada e pasteurizada pelo método francês, importado da China, inventado na Austrália e exportado pelos paraguaios, sem nota fiscal. A grande mágica do mundo globalizado contemporâneo.
No jantar, o incauto glutão e arrependido comedor de fast - food, são sugestionados pelo grande irmão da industria dos milagres a ingerir cápsulas de ar comprimido que ao chegarem no estômago explodem, derrotando literalmente a fome.A bula recomenda, no entanto, que não se durma acompanhado, porque caso haja qualquer escapamento de ar, os efeitos seriam imprevisíveis.
Pô vou ficar por aqui, pois me deu uma fome incrível e, pretendo destruir um destes imensos sanduíches. Só hoje, como sempre "juram", nossos adorados gorduchos!































DA LATRINA AO WATER CLOSET.






Recentemente, tive uma conversa bastante acalorada e esclarecedora com um amigo de infância.
No colégio sentávamos na mesma carteira - hoje até isso nas escolas eles desuniram. As carteiras escolares agora são individuais. O máximo de individualidade e excessiva competitividade. São pequenos detalhes como estes que, vão criando grandes razões futuras, do cada um por si.
Pois bem, ao reencontrá-lo, descobrirmos que não existem mais tantos botequins e, então, fomos a um destes Shoppings que proliferam em cada esquina.
Sentamos num daqueles quiosques para beber alguma coisa, quando de repente ele disse:
- Agüenta aí que vou dar uma mijada. Aproveita e pede um chope pra nós.
Acenei positivamente com a cabeça. Pouco tempo depois ele voltava e, assim que sentou, disparou:
- Vocês são muito ingratos com o este novo país!- exclamou coçando, ostensivamente, o saco.
- Vocês quem? Interrompi, espantado e curioso.
-O brasileiro é um bicho muito complexado, vive falando da colonização dos portugueses, dos erros, não evolui neste papo. O Brasil mudou muito cara. Este país é outro. Queiram vocês, ou não, o Brasil é outro - finalizou eufórico.
Entre estarrecido e achando que ao invés de ter urinado ele tinha bebido a urina, ousei perguntar:
-Aí cara, por que esta histeria toda? Nós nem estávamos falando sobre política quando você levantou. Lembra que a conversa era sobre as coxas da Marta e você fez até um merecido parêntesis para elogiar também aqueles peitaços da Lucia Helena?Falamos, também, de como ela anda toda empinadinha...
- É verdade meu irmão, sempre que nos encontramos, só falamos de mulher, futebol, estas coisas, mas o papo é o seguinte: A maioria dos brasileiros pensa que isto aqui ainda é uma colônia portuguesa.Não é não. Mudou muito - sentenciou, olhando-me com inegável ar de euforia e ufanismo.
Então resolvi - como diriam os intelectuais - dar forma, substância e conteúdo àquelas afirmações do amigo, pois bêbado ela ainda não estava - apesar desta probabilidade, em curtíssimo prazo se tornar inevitável e exigi explicações.
-Bem, o que é que levou você a de repente vir com esta patriotada!
-Cara, a gente se conhece há muito tempo!Você se lembra quando dava dor de barriga longe de casa?
-A gente ia ao banheiro de um botequim – respondi de imediato.
-Banheiro do botequim, não! Aquilo era latrina - explodiu em argumentações e continuou:
- Latrina fétida com aquela porcariada no chão. Não tinha tábua pra sentar no vaso, não tinha água, não botavam papel, e se a gente reclamava sempre acusavam os fregueses de terem roubado! Estou mentindo? Eu sempre que entrava naquelas pocilgas tinha a impressão que uma lacraia ia subir na minha perna e morder meu cassete...
-Cassete? Ah, sim, cassete. O seu cassete entendi...
-Mulher não entrava em banheiro de botequim. Duvido! Aquele chão molhado de urina, uma escuridão infernal – falava com o rosto avermelhado.
- Realmente você tem razão: banheiro de botequim era terrível. E o pior é que, ainda existem alguns deles espalhados pela cidade - ousei interromper.
-Aquilo se chamava latrina, latrina - repetia compulsivamente.
-Concordo – E ia discordar? E continuava:
-Você se lembra daquelas portas de madeira empenadas que não fechavam, com um monte de palavrões, convite pra sexo? As latrinas não tinham maçaneta, iluminação. O cheiro era asfixiante. Todos os insetos ficavam passeando na tua frente, uns voavam rasantes, em ambas as suas cabeças. Era um negócio aterrorizante. E por mais incrível que pareça é que os donos do botequim mesmo vendo que, você estava “verde de necessidade”, em muitos casos, não entregavam aquela maldita chave presa num pedaço de cabo de vassoura enorme e ensebado.Então o que queria te dizer é que acabo de vir do...
-banheiro do shoping... interrompi
-Aí está a grande diferença: Water Closet. Lá dentro é como se você estivesse entrando num banheiro da Bélgica, Tem sempre um cara com um pano passando desinfetante pra lá e para cá. E o empregado é obcecado por limpeza, não deixa uma sujeirinha - e enquanto falava, gesticulava muito.
-É verdade - Fui obrigado a concordar e quem ousaria o contrário?
-A temperatura ambiente tem ar condicionado central, gelando até as partes baixas da gente. O cassete até diminui,...
-Cassete? Ah, sim, aquele seu cassete que a lacraia podia morder...
- As descargas funcionam com água abundante e o papel higiênico é fino Os das latrinas dos botequins (quando tinha!), você passava e ficava ardendo uns dois dias, tudo assado. Quando não era jornal. A lavagem das mãos é feita com equipamento de primeiro mundo. Você aperta em cima da torneira só sai, em principio a água que vai precisar.Se quiser mais é só, apertar novamente.São práticas e economizam água. Nas torneiras das latrinas você as abria, não tinha água nenhuma e ficavam dependuradas em suas mãos, cheias de ferrugens e soltando as peças.
Um verdadeiro filme macabro.E o sabão liquido? Liquido e cheirosinho. Aí você para secar as mãos escolhe: papel ou secador de ar frio ou quente. Grandes espelhos para o cliente ter uma completa idéia da sua aparência. Enfim tecnologia e higiene absolutas. Como diriam os paulistas: ”porra meu” isto é ou não é evolução? Hoje em dia podemos não ser país de primeiríssimo mundo, mas com certeza, estamos chegando lá.
Nunca fomos à lua, no entanto, fazer nossas “necessidades” fora de casa já não é mais uma humilhação. Quem viveu a era da latrina, se considerava um brasileiro de merda! - Encerrou com a jugular saltando-lhe no pescoço.

Então pedimos mais um chope e voltamos a falar dos peitaços da Lucia Helena e das coxas da Marta.


ABANDONADO, SOLITÁRIO E CHEIO DE AMIGOS.











Tinha um aspecto soturno, destes homens que não dão sorte com mulheres.

Homens assim são insuportáveis, pois apesar de com elas nem sempre ser um paraíso, sem elas, no entanto, você se afunda literalmente, num poço de mau humor crônico. E não adianta procurar médico, tem que acertar é na
mulher !










Está bem, eu até concordo que não seja tão fácil assim, mas veja bem: se já fomos capazes de escalar as montanhas do Himalaia, ir a lua, enfrentar vulcões e terremotos, erradicarmos a catapora, curar a tuberculose, inventar a pílula azul que despertou aquilo que andava desabado, desviar rios, construir represas e alguns até terem sogras como amigas, é possível, sim, encontrar a mulher dos nossos sonhos. E se você não for tão exigente, até a dos seus pesadelos.

Se você não consegue conviver com mulher, porque dá muito trabalho, vá trabalhar com uma britadeira de arrancar asfalto para ver se não é muito pior.

O inusitado é que os abandonados, solitários, no entanto, ficam cheios de amigos.

Eles os criam do nada!

Eu vou explicar: a pior coisa do mundo é você abrir sua caixa postal no computador e encontrar aquelas centenas de spams. Um homem normal deleta todos eles sem a menor cerimônia.

Já o abandonado, lê um por um, e se sente cercado de centenas de “amigos” virtuais.

E quando liga o computador e aparece a mensagem:- “Bem vindo” - sua emoção é incontrolável.

Depois dos seus cinco cachorros, os spams são, as suas melhores companhias.






No seu aniversário, como o cara é um chato, brigão, recalcado, cheio de frustrações e desejos inalcançáveis, seus parentes correm dele, e as mensagens que ele recebe e lê atentamente, são as de políticos.

Em geral, estes não esquecem do dia do seu aniversário, e mandam folhetos coloridos desejando-lhe tudo de bom!

Lojas comerciais, nas quais ele tem créditos e prestações que só terminarão em dois mil e dezenove, também são muito atenciosas. E mandam – quanto mais você estiver devendo e a quanto mais lojas melhor - muitos cartões e cartinhas. Dezenas!

Então o pobre diabo abre uma por uma, e até vai as lágrimas de tanta emoção.

E assim, vai vivendo, o abandonado, solitário, mas cheio de amigos!

No natal, espera ansiosamente por todas as mesmas cartas e spams, e mais, a do lixeiro, que são gentilíssimas.

É inacreditável, mas o abominável homem solitário, alegra-se até ao ouvir os três apitos do forno de microondas avisando que a comida está pronta. Às vezes até finge que não escuta, para que o aparelho insista e,torne a chamá-lo por mais três vezes, e ele, então se sentirá muito importante e solicitado.

Mesmo sem ter nada para comprar vive nas lojas dos shoppings, onde se sente um rei atendido pelos solícitos e “desinteressados vendedores”, e então percebe o quanto é amado. Sai sem comprar nada, mas, quando se despede, gosta de falar bem alto o nome do vendedor para dar a impressão que são amigos de infância.

Ser chamado compulsivamente, de “senhor”, pelas meninas do telemarketing, lhe enche de prazer e do outro lado da linha, faz até caras e bocas de ator de novelas mexicanas. Agüenta que elas falem, quanto tempo, quiserem.

Elas é que cansadas, e sem nada venderem, se despedem.

Mas, ele ainda insiste:- O que mais você vende, minha filha?

Agora, aqui entre nós, não é muito mais difícil viver assim, de forma tão constrangedora e cruel do que, conviver com uma mulher?
Fala sério!

Quer dizer...

OBRIGADO:COMPLETAMOS 200 SEGUIDORES. ENTÃO PUBLICO A PRIMEIRA CRÔNICA QUE ESCREVI : A AMANTE ORIGINAL!



Aproxima-se o fim de mais um dia de intenso trabalho, e aquele pensamento constante e repulsivo, não lhe saía da mente! Pensava a cada minuto, naquela criatura vil e aterrorizante que deixara em seu lar.

A última noite, em sua companhia, fora a mais cruel e insuportável, e naquele momento resolvera, de uma vez por todas, por fim àquela situação.

Chegando a sua casa, logo ao abrir a porta, deparou com aquela criatura mesquinha, sórdida e provocadora que não lhe dava um minuto de descanso, fazendo-o passar os dias e as noites mais infelizes e atribulados da sua vida.

Resolveu declarar guerra àquela megera, acintosamente deitada em sua cama, como a desafiá-lo.

Atirou-se à cama para agarrá-la e castigá-la, masculamente.

Ela fugiu, logrou escapar, indo para a sala tentando esconder-se, numa atitude covarde, digna, somente das criaturas inexpressivas.

Ele a seguia furiosamente, tinha de uma vez por todas que acabar com aquele sofrimento brutal, que fazia do seu lar, um cubículo triste e aterrorizador.

Resolveu espancá-la com o salto duro do seu sapato, daria contra aquela cabeça vazia, para ensiná-la a dor que nunca antes havia conhecido, pois jamais fora homem de bater em ninguém, quanto mais num ser mais frágil como aquele, porém agora era demais!


Calculou friamente a pancada e mandou brasa, porém mais uma vez, aquela criatura conseguira desvencilhar-se, correndo de um lado para outro como se estivesse zombando da sua virilidade e, finalmente, foi para o quintal. O nosso pobre amigo suava frio por todos os poros e, o cansaço já era uma evidente realidade em seu corpo.

Numa atitude derradeira e louca, resolveu matar aquela coisa, sim matar a tiros. Faria daquele ser, migalhas.
Rapidamente foi ao quarto, abriu a gaveta. Tremiam-lhe as mãos. Apanhou sua arma - um revolver 38, cano curto - e a passos firmes caminhou para o quintal escuro, envolvido na noite fria de inverno. A vitima, ali estava escondida.

Acendeu uma vela que trazia no bolso e colocou-a no chão. Então a luz fraca da vela descortinou-a encostada a um canto, já agora temerosa, mas nem por isso, menos intragável e repulsiva.

Corajosamente, apontou-lhe a arma. Fez mão firme, pois aquele era o momento mais dramático da sua vida. Mirou-lhe, estrategicamente, a arma, para o seu crânio e disparou por diversas vezes, ouvindo-se as secas detonações das cápsulas. Seguiu – se a morte instantânea da vitima, já agora enlameada e inerte no solo.

Sua cabeça destroçada sob a terra aguada da chuva, que algum tempo caía, como para limpar as horrendas manchas daquele ser, apresentava-se como o quadro final daquela tragédia.
-Livre, estou livre – gritava, histericamente, aquele secular sofredor.

Sim, jamais passaria outras noites em claro por causa daquela criatura.

Lá estava ela destroçada pelos certeiros tiros do nosso frouxo machão, que na linguagem esportiva, dir-se-ia ter acertado bem na mosca, porém, o que não é verdade, pois no caso a mosca era uma barata, ou se quiserem seu nome científico, aqui vai: Periplaneta Americana.

EPITÁFIO
Barata, do latim, blatta, substantivo feminino, ortóptero onívoro, de corpo achatado e oval, que põe ovos em ootecas (estojo). Pode ser silvestre ou doméstico, e tem hábitos noturnos, segundo o dicionário do Aurélio.

GRANDE DESABAFO SOBRE A MESMICE DO COTIDIANO!


Querem saber? A sociedade ficou muito chata, sisuda, burocrática e uma mesmice só.

Confundimos seriedade, com cara feia, responsabilidade com paranóias de perfeição e uniformidade das rotinas de vidas,com comportamento politicamente, correto.

Vivemos mergulhados em dívidas, nos empanturramos nos fast-food, engordamos, esclerosamos, ficamos hipertensos, o colesterol vai aos píncaros, a diabetes nos persegue, e os acidentes vasculares celebrais vicejam mais do que chuchu na serra, e ainda de quebra, o estresse dorme conosco.


Perdemos a simplicidade de arrotar em público, comer um galetinho com as
mãos, andar descalços, sujarmos a roupa de terra, os sapatos de lama, lambuzar a boca de sorvete, chupar a ponta dos dedos.

Ficamos simétricos como os ângulos retos, agudos nas ações do dia-a-dia e oblíquos a cada instante. Temos arestas infindáveis, irreparáveis, inaparáveis e cansamos a mente com tanta informação, inclusive, estes repetitivos noticiários, de crimes, furtos, corrupção, estupros, homicídios, tráfico de drogas, o dia inteiro. Um saco!

Google, procura no google. Está bem, mas e o resto?

Procura é no cangote dela, seu tonto!

Agora queremos recriar o big bang em laboratório.Coisa mais besta! Investimentos de bilhões de dólares que poderiam salvar todas as crianças com Síndrome das distrofias pluricarenciais alimentares, da África.

Por isto, cada vez mais, valorizo o recém-nascido que faz cocô na fralda, me divirto com o inesperado, aquilo que foge do enredo formal desta intragável vida cotidiana, como por exemplo, quando o cachorro pula na mesa e
abocanha aquele sanduíche de hambúrguer recém-saído da frigideira e cuidadosamente, recheado com aquela maionese fatal, com generosas fatias de queijo, inúmeras fatias de tomate o qual você estava preparando há meia hora e quando dá as costas, para ir a geladeira apanhar um refrigerante...Já era. Está na boca do seu amado cachorro. Não é um barato?

Outra coisa: repare a graça, o charme, a beleza de uma boa urinada da cadela. O macho levanta uma das patas, elas arreiam o traseiro. É uma posição hilária!

E ainda sobre o quesito mijadas, eu continuo achando que mulheres invejam os homens por não poderem sacudir o pênis depois de urinar.Tenho certeza que elas
adorariam dar aquelas sacudidelas que, se passarem de três, tecnicamente já é considerada masturbação e adorariam também, urinar de pé. Andaram até inventando uns cones, umas coisas ridículas para a mulher usar como uma espécie de calha de telhado. Não emplacou.

Também acho que os homens têm uma inveja treme
nda das mulheres que dizem sentir múltiplos orgasmos. Os homens ficam se mordendo!O cara dá, literalmente um duro danado e no final... Um só. Tem algo errado nesta distribuição de prazeres entre as partes.

Outra coisa é o seguinte: acho que onde o ginecologista trabalha e os outros homens só se divertem, fica muito escondido. Agora meu desabafo já é com a natureza!

Lógico, não vamos exagerar. Não teria que ser necessariamente, na testa. Concordo. Mas para que ficar tão escondida? A única razão aceitável poderia ser, para que o homem possa esquecê-la, um pouco, e saia de casa para trabalhar. É pode ser.Pobre perseguida!

Mesmo assim, e respeitando este forte argumento, talvez pudéssemos encontrar um meio termo. Eu a colocaria na barriga, pouca coisa abaixo do umbigo. Os seios eu colocaria nas costas, e ai todo mundo dançaria agarradinho.Pelo menos para os homens seria uma delicia, e facilitaria muito aquele incansável trabalho de mãos, ao som de um bolero. O resto deixa como esta, principalmente a bunda, pois tão gostoso quanto vê-la é poder dizer: Vira!

É minha gente, do nosso circo social sobraram os palhaços políticos e eleitores e trapezistas camelôs e desempregados, tentando se equilibrar nas mesmices da vida.

Repare: Todo mundo se veste igual.As calças jeans são iguais, os óculos são
iguais, os modelos andam sempre iguais, as mentiras são sempre as mesmas e a macarronada de domingo foi substituída por estas malditas pizzas com gosto de borracha, algumas mulheres viraram uma bunda e os homens barrigas tanquinhos.

Somos escravos do trânsito, da magreza, das academias de ginásticas, dos florais de Bach, dos antibióticos mortais, da homeopatia incerta, das terapias holísticas alternativas e o escambau! Principalmente, do escambau.

Corre, corre, corre e todo mundo feito louco disparando pelas ruas, praças e parques. Antigamente, os p
arques eram para pic-nic agora, são só para piques. Piques de cem metros, mil e maratonas enfadonhas para não chegar a lugar nenhum.

Coisa mais sem graça!

Já comprou seu televisor de plasma de 178 polegadas? E o home theatre? IPode.Não pode? Trocou quantas vezes este mês o celular? Agora tem um novo que já vem com o modelo do próximo que, ainda vai sair. Pode um negócio destes?

Engraçado mesmo, e fora da mesmice, é aquele tempor
al repentino que cai sobre a cabeça da mulher que ficou mais de meia hora fazendo chapinha no cabelo e transforma tudo, novamente em arame farpado. A vida é isso! Um não à rotina.

Está tudo tão mudado, pois quando finalmente as mulheres começaram a sentir seus merecidos orgasmos, os homens passaram a soltar as frangas aos milhões nas paradas gays. Quantos desencontros!

Até beijo na boca virou corrida de fórmula um. Todo m
undo quer chegar na frente: e os garotões e as menininhas, já em adiantado estado etílico e depois de terem bebido todos os mais variados drinks possíveis, ficam disputando:

-Eu beijei trinta e quatro, eu beijei sessenta e nove, aí entra na roda uma menina mais amassada que lençol em lua de mel e diz, orgulhosamente:

-Ganhei, beijei cento e quatro...

Beijou não, trocou cuspe. Beijar na boca é muito diferente, é uma só numa noite, na semana, e por meses inteiro.De preferência de pé. Aí você sente acender embaixo. E tem que dar tempo para aquecer.
O que é que sente alguém que troca cuspe com cem bocas numa noite?
Só dor no maxilar.Uma interminável fila de chupa cabras, bodes e cabritas.
Então, só resta celebrar uma boa piada de loira, ou de gay, ou de português, ou de papagaio, e, por favor, nos dê tempo para rir.

A alegria é igual ao cozimento de peru de natal. Precisa de tempo!

Apaga esta televisão, reúna os amigos, vá jogar conversa fora, lá fora.Levanta a bunda deste sofá, pára de se empanturrar de pipoca, chocolate, litros de cerveja. Sai da toca. Lá fora é perigoso? Qualquer lugar é perigoso se você está querendo viver mais de cem anos.

Ora, bolas!


Exatamente, aqui a mesmice foi condenada e , por esta razão, uma vida foi salva !!!