OS ASSALTOS NOSSOS DE CADA DIA!

                          




Assaltos criativos, ousados e indesejavelmente, espetaculares, tomam conta das cidades.
Já vi um paraplégico ser covardemente, arrancado da sua cadeira de rodas e o ladrão levar como se fosse uma carrocinha de pipoca, em pleno centro da cidade,
em grande velocidade gritando em tom de revolta:
- Vou dar pra minha mãezinha, sua cambada de riquinhos safados, ela também é capenga e vive se arrastando pelo chão. Vire-se, agora, seu bundão perneta!- saindo às gargalhadas.
Que cena dantesca, e ninguém agora, escapa!


Determinada ocasião, entrei numa destas lojas que vendem fechaduras de vinte e oito voltas e três paradinhas, completas ,além de sistemas de segurança altamente complexos e teoricamente, inexpugnáveis.
Um senhor que estava ao meu lado, no balcão, confidenciou-me:
-Mandei colocar um sistema de segurança eletrônico na minha casa, tão perfeito e seguro, que nem o próprio instalador, conseguiu entrar depois, na casa na hora do teste, até lembrar-se de todas as senhas e outros mecanismos. Pois, bem, uma semana depois, os ladrões subiram no meu telhado, tiraram três ou quatro telhas, desceram por uma corda e roubaram todas as jóias da minha mulher. E isto tudo, com uma simples e corda bem vagabunda.
- Levaram tudo - dizia revoltado e descrente assaltado com as novas tecnologias.
Então, para seu consolo disse-lhe que tinha um amigo, também vitima de um estúpido assalto, pois cansado de ver os meliantes pulando os muros e roubando as casas vizinhas, comprou um pitbull e depois mais cinco deixando-os soltos no quintal. Porém, os desgraçados dos assaltantes usaram um carteiro como isca - veja quanta maldade- e, enquanto, o pobre diabo entregador de cartas era mordido pela cachorrada distraindo-se, os ladrões entraram na casa, fazendo a limpeza.

Pobre carteiro. Ficou em situação deplorável, mais hoje está, totalmente, recuperado. 
Só mudou profissão, pois, hoje ...cria pitbull.
Com outro conhecido meu, formado em engenharia de telecomunicações e exímio conhecedor das mais avançadas técnicas de segurança em geral, aconteceu também, algo extraordinário. Ele mandou instalar um sistema de TV na sua residência.
Câmeras espalhadas por todos os cantos possíveis. Sempre que saía deixava o caseiro monitorando aquela parafernália de vídeos que mostravam tudo que era necessário num completo ângulo de trezentos e sessenta graus.
Pois bem, além, de ter sido assaltado, passou por um terrível constrangimento de ainda ser obrigado a ver, na delegacia, toda a gravação, do “assalto-show” com duração, aproximada, de trinta minutos feita exatamente, com seu equipamento com alta definição de cor e imagem, no mais perfeito sistema HD.
Uma cena degradante, pois, num determinado momento do assalto via-se o caseiro sendo obrigado pelos marginais a rebolar com a bunda virada para a câmera no melhor estilo, mulher-melancia dançando funk e remexendo-se na velocidade três.
Havia musica e coreografia quase profissional. E pasmem: os ladrões no final do assalto-show colocaram aquela vinheta da TV Globo, na qual se ouvia;
“A gente se vê por aqui, novamente, plim,plim”.


PÃO COM BANHA

                                                  

Coreolando Adamastor Figueira é conhecido onde sempre morou, no agreste nordestino pelo carinhoso apelido de Seu Coizinha.
É um homem rude, bom, correto que gosta sempre das coisinhas certas e nos seus devidos lugares, vindo daí esta sua alcunha.
Homem magro, poucos dentes, maltratado pelo sol, rosto enrugado exageradamente, para os seus quarenta e seis anos e já fez muito nesta vida, inclusive nove filhas com a sua dedicada esposa Dona Ernestina.
Semi-analfabeto Seu Coisinha não abre mão,no entanto de todas as coisinhas muitos certas na sua vida e na das suas filhas e família e, só há muito pouco tempo passou a ter energia elétrica na sua humilde casa de Taipa, de barro socado em rudimentares armações de madeiramento.

E com a eletricidade veio a televisão e todas as outras comodidades antes desconhecidas.Então como se diz aqui pelo sudeste maravilha a coisa começou a pegar.
A coisa que Seu Coisinha menos gosta, detesta mesmo, e diz ser obra do capeta, são aqueles programas de saliências que o deixa aperreado ao ver aquelas mulheres se roçando feito cobras em homens e os machos arretados se enroscando na frente das câmeras nelas, também.

Se nunca tinha visto televisão, aquilo muito menos, e só admite que a família veja desenhos, programas evangélicos com aquelas belezuras de músicas gospel e todo o resto lhe deixa muito irritado.
Certa vez entrevistado por uma emissora aqui do sudeste maravilha que para lá mandou seu repórter a fim de mostrar ao Brasil, o novo nordeste, e tudo sobre os progressos da região, o repórter perguntou:
-Seu Coisinha satisfeito com a chegada da energia elétrica e todo o resto aqui  na região?
-Oia seu moço, até que sim, mas essa tal da televisão,tenho lá minhas implicâncias...
-Qual a razão Seu coisinha?
-Tem muito pão com banha naquelas camas daquele tal de “realti sei la do que” e muita safadeza, muitas saliências,todo mundo mostrando as “partes”...
-Reallity Show?
-Sim, esta desgraceira, mesmo...
-E o que é Pão com banha? Pergunta o repórter sem entender nada.
-É sim senhor, o moço é da capital não entendeu, não é?
-Não seu coisinha...
-Pão com banha é esta muierada que os homi faz uso também, despois do outro ter acabado de usar ou que estas muieradas faz com os homi  despois de outras terem usado ele..


-Ah, pão com banha é isso?
-É sim seu moço, minhas filhas não podem ver isso, nem minha muiê. Não deixo.
-Entendi agora, “Seu coisinha”.
E lá se foi o repórter da capital, se perguntando o quanto de pão com banha já tinha encontrado. 
Depois de muito pensar preferiu deixar pra la, afinal, não ia mudar nada mesmo! 

É TÁ MUITO DIFÍCIL, MESMO!




-Petrolino, meu amor.
-Fala que eu escuto Raimunda.
-Estou muito preocupada com estas investigações do Ministério Público Federal, este tal de Moro, esta confusão toda.
-Raimunda minha abelha rainha, todo o país está acompanhando e ainda bem que estes safados estão sendo descobertos e indo para a cadeia...
-Mas, Petrolino estou preocupada é com você e a nossa casa.
-Explica Raimunda.
-Meu amor deixa de ser cínico e ficar se fazendo de anjinho.
-Anjinho?
-É sim, você é muito cínico e vive criticando todo mundo e chamando de capetas ladrões, mas, se estes caras batem aqui na nossa porta você vai pra cadeia.
-Pirou?
-Meu amor pensa bem, você fez gato na luz elétrica, na água, você é um gatonet...


-Gatonet?
-É sim.
-E ainda usa fita durex, grampeador, papel de impressora, os lápis e canetas esferográficas que você surrupia da empresa onde trabalha...


-Raimunda, sua ingrata, mas você, usa isso tudo também
-E tem outro jeito, Petrolino?
-Isto não é nada, eles estão atrás é de quem rouba milhões, bilhões sua feia de cara, mas, boa de...


-Olha paaaaara! Não suporto esta brincadeira idiota.
-Raimunda minha querida, você fala destas bobagens de roubinhos que faço por aqui, mas você esquece que trouxe uma caixa de bombons e cinco pacotes de amendoim, lá do supermercado, lembra? E aquelas outras “bobagezinhas” como ter colocado cinco pentes e três sabonetes na sua bolsinha quando fomos à farmácia aqui da esquina, isto você não se lembra, não é?
-Bobão você mesmo falou que eles estão procurando é quem rouba milhões e bilhões, nós somos apenas pessoas que fazemos coleções de coisinhas dos outros.Se somar tudo dá umas simples moedinhas!

-Vou rir, espera vou rir muito. Está vendo como você é uma tonta, fica falando besteiras e tem também o rabo preso.Vai procurar o que fazer Raimunda.
-Olha bem que eu tenho procurado, mas você é tão safado que, até os seus orgasmos que, antigamente eram os meus também, você tem roubado de mim, e agora entrega no domicílio daquela mulata lá do cento e dezesseis.Sei de tudo!
-O quê?

-É isto mesmo seu sonegador safado, tomara que eles batam mesmo aqui em casa , pois, só não vão levar o nosso cágado de estimação.


CITANDO O BARÃO DE ITARARÉ.


                                                    

                                                                                       
                            "Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados".
                                                                                                                               
                                                                                      Barão de Itararé.

Barão de Itararé foi como se auto-intitulou o jornalista gaúcho Apparício Torelli (1895-1971), pai do humorismo brasileiro, tinha os jornais alternativos A Manha e Almanaque, publicados no Rio de Janeiro e depois em São Paulo.
Com eles enfrentou e espezinhou o Estado Novo e os políticos corruptos e conservadores de sua época.
Por isso foi preso diversas vezes, sem nunca perder o humor, os trocadilhos e as piadas. Tanto que, cansado de apanhar da polícia secreta é repressora daquela época, colocou na porta de seu escritório uma placa com a hoje famosa frase :'Entre sem bater''.
Se ainda estivesse vivo, muito material teria para nos fazer morrer de rir, neste verdadeiro circo dos horrores que estamos vivendo.
Apesar dele sempre reconhecer que, ”tudo seria fácil se não fossem as dificuldades”, será que sobre este alvoroço que as ruas estão fazendo contra isso e aquilo, ele ainda sustentaria a tese de que: ”O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro”.
Será?
O que mais espanta todo mundo é que antigamente as negociatas eram de no máximo dez por cento pra lá, dez por cento pra cá, mas agora só se fala em milhões, bilhões e o escambau.
Os caras quebram literalmente uma empresa, fazem delas cacos inservíveis e escolhem sempre as maiores.
É tanto dinheiro saindo dos nossos bolsos e voando sobre as nossas cabeças que às vezes pensamos que o tempo mudou ou não tínhamos sido informados sobre um eclipse solar, mas descobrimos que não é nada disso e sim, aquela imensa nuvem de dinheirama da corrupção que chega a ofuscar o brilho do sol.
Tem gente que culpa este partido, tem gente que culpa aquele outro, mas tem gente também que culpa a si mesmo por não estar nem naquele, nem naquele outro, pois, afinal, se tem gente assim, a frase sobre negociata do Barão estaria explicada.
Não seria o fim de tudo se alguém criticasse a roubalheira, por não estar roubando também?
Barão de Itararé teria razão ao ter proposto de forma critica, caustica e debochada,
como o fez no passado apregoando que: ”Ou se instaura a moralidade, ou nos locupletemos todos”.
Vamos esperar que a imensa maioria deste povo brasileiro honrado, continue lutando para que políticos e empresários corruptos possam ir para a cadeia.
Concordam,portanto, que isto não tem graça nenhuma?


RESPOSTAS AUTOMÁTICAS PODEM SER UM DESASTRE.

                                   

Sou assinante de uma revista cujo conteúdo é a análise sociológica e reflexões dos fatos sociais.
É um periódico que me agrada, pois, a linguagem é objetiva, sem falsos “intelectualismos” e nenhuma obstinação de explorar a pobreza ou outras quaisquer anomalias sociais, pois, como já dizia famoso carnavalesco Joãozinho trinta, o eterno mágico das escolas de samba carioca, “quem gosta de miséria é intelectual, pobre adora riqueza”.
É por esta razão que gosto desta revista para a qual eu mandei um e-mail a semana passada e recebi como resposta automática outro, e exponho aqui os dois:

“Senhores, a reportagem sobre a situação econômica mundial e em particular a de alguns países em desenvolvimento, foi simplesmente, espetacular. A objetividade, profundidade e clareza com a qual trataram esta matéria me entusiasmou e espero que continuem assim, pois, gostaria de dizer-lhes o quanto me orgulho de vocês”.

Resposta automática que recebi da revista.

“Caro leitor,

Pedimos desculpas pelo ocorrido e prometemos envidar todos os esforços para que fatos desagradáveis desta natureza não voltem a acontecer.
Nosso compromisso é com os nossos leitores e não podemos admitir falhas desta gravidade, a qual garantimos, iremos responsabilizar administrativamente os responsáveis.
Esperamos, contar com a sua compreensão.

Atenciosamente”.


E acreditem vocês que, ainda teve um desastrado que assinou esta tal resposta automática.

CRÔNICAS MODERNAS: UM VAGABUNDO EFICIENTE.




Percinalva e Odílio se conheceram no churrasco na casa de amigos comuns que, comemoravam ninguém sabia bem o quê, mas os anfitriões sabiam e deveria ser coisa muito especial, destas que merecem um dia inteiro de outras comilanças.
Ela professora primária e com dotes educativo-pedagógicos de fazer qualquer homem querer vê-la apagando o quadro negro naquele balanço sincopado de matar de vontade o mais caído e desinteressados dos homens.
Odílio era simplesmente um macho alfa, pegador, tomava decisões rápidas e demonstrava rara competência para envolver suas parceiras desejadas, como aquele hábil malabarista do Cirque Du Soleil.

Percinalva que desde cedo tinha aprendido a manusear um giz de qualquer tamanho sem quebrar e que, a parte mais sensível do homem numa churrascada era a orgia das carnes macias, foi direto ao assunto:
-Gosta de maminha?
-Como assim?- perguntou Odílio ainda meio impactado, olhando fixamente para o decote do vestido de Percinalva que generosamente , deixava transbordar seus seios como se quisessem cair no colo do homem amado.
-Maminha de alcatra, menino bobo.
-Ah, sim adoro...
-Vou fatiar pra você e pra mim picanha!
- Obrigado, muito gentil – e quando a professorinha deu as costas em direção aos espetos, Odílio teve a certeza de que aquela era uma mulher para centenas de talheres,indo ou vindo.


Ficaram conversando à tarde-noite inteira até que a curiosidade de Percinalva, já pensando em véu, grinalda, igreja florida, padrinhos o que mataria de inveja aquela sua vizinha bisbilhoteira e olho gordo, perguntou o inevitável:
-Faz o que, Odílio?
-Eu faço de tudo – e os dois riram alto e demoradamente.
-Não é isso, você trabalha em quê?
-Percinalva...sou vagabundo!
-Como assim, vagabundo?
-Está vendo é sempre a mesma história, mas eu explico.
-Gostaria Odílio,por favor.
-Eu sempre pergunto as minhas namoradas se elas querem ser amadas tempo integral e dedicação exclusiva ou estão querendo aquele relacionamento formal de bater ponto duas ou três vezes por semana, aos sábados e domingos e rapidinho, pois, tudo tem que ser feito em quarenta e oito horas disponíveis.
-E para fazer uma mulher feliz você acha que só um vagabundo, conseguiria?
-Percinalva, o que vejo por aí é isto. Relacionamentos que duram quase nada por excesso de dor de cabeça por parte delas e  muito futebol nos fins de semana por parte deles.
-Que teoria absurda!
-Pois é prefiro ser um vagabundo e ter ao lado uma mulher plena de prazeres e sentindo-se sempre atendida como se estivessem num hotel dez estrelas de Dubai do que o contrário.
Bem, resumindo: Os dois estão juntos há mais de oito anos, cinco filhos o que corresponde a dizer que Percinalva que tem uma pele esfuziantemente brilhosa, sorrisos de ponta a ponta da boca, sempre jovial, alegre e desconhecendo este negócio de TPM, resolveu pesquisar melhor aquela tal “teoria absurda” e aprovou integralmente seus resultados. 
Fazer o que né?

MAS, LOGO NA BAHIA?

                                                        

Em cada região do Brasil, seus habitantes costumam ser vistos pelos demais deste imenso país, com características que marcam suas vidas e a do baiano é aquela gostosa vontade de comprar tudo feito para não precisar fazer rigorosamente nada, de andar bem devagarzinho quase parando, numa espécie de indolência que, ficou sendo marca registrada, destes nossos simpáticos irmãos pátrios.
E o anedotário sobre os baianos é muito grande ao falar da sua preguiça como esta aqui:

-Três horas da tarde. Dois baianos encostados numa árvore à beira da estrada. Passa um carro a grande e velocidade e deixa voar uma nota de cem reais, mas o dinheiro vai cair do outro lado da estrada. Passados cinco minutos, um fala para o outro:
— Meu rei, se o vento muda a gente ganha o dia!

E foi na Bahia que uma marca de preservativos achou de instalar um Motel-balão em plena avenida dos desfiles que dava direito para que os casais durante dez minutos pudessem fazer suas “saliências”, quer dizer, praticar suas intimidades sexuais.
Dez minutos?


Só pode ser brincadeira.
Imagine um casal de baianos subindo naquele balão e combinando como se seria as intimidades em dez minutos:

-Meu rei, vem por cima.
-Vou não, vem você ôxente.
-Meu rei, por cima você comanda esta festa da carne, coisa mesmo de macho baiano.
-Quero não, vem você minha fêmea linda.
-Ta bom meu rei, então pensa noutra coisa que não precise fazer você levantar.
-Penso não, dá trabalho. Minha cabeça vai estourar.
-Que preguiça meu rei.
-Sim, ôxente como você adivinhou?
-Mas meu rei, só temos agora dois minutos, vem de ladinho então. De ladinho bem rápido.
-Vou não ôxente e a culpa é sua, minha rainha, ficou exigindo de mim o que não posso. Você pede coisas demais.
-Como meu rei...Ah, que droga, já estamos descendo, acabou e nada,nada,nada, meu rei.
-Culpa sua, minha rainha e ainda por cima fiquei muito cansado de tanto ouvir suas ordens.



BOCHECHOS TELEVISIVOS.

                                                          



Bem deixa eu lhes dizer uma coisa: Eu-e isto talvez seja problema só meu- acho que entre seres humanos alguns tipos de privacidade devam ser sempre mantidos sem que deixemos que, terceiros a invadam.
Neste particular o banheiro é um destes altares maiores no qual, todos os deuses que se prezam não permitem serem vistos ou pegos em delito flagrante seja daquilo que, estiverem fazendo ou de suas intenções ao entrarem ali.
Pensa bem: Ninguém ai ao banheiro fazer a santa refeição de cada dia, quem sabe degustar aquela bacalhoada a Gomes de Sá ou qualquer outra destas maravilhas da culinária.
No banheiro também, não é lugar de se ver televisão ou ficar navegando na internet, muito menos escrever aquela poesia que está na nossa cabeça e precisa sair ou um texto supimpa que, já deveríamos ter escrito, antes.
Isto porque no banheiro, talvez com a participação de terceiros uma coisa admissível e até muito boa, é aquela chuveirada, antes ou depois, ou ainda melhor, antes e depois, cumpridas aqueles maravilhosos momentos de amor e que, entre os ais, ais, uis, uis, vamos todos nos derretendo em prazeres.
Coisa boa!

Agora, fala sério, tem gente pagando para ver o dia todo reality show, não bastasse somente àqueles horários diários que o canal expõe seus big’s disso ou big’s daquilo.
Ou seja , você paga para ver homens e mulheres escovando os dentes, por exemplo.
Coisa mais desagradável!
Os participantes enfiam aquelas enormes escovas na boca e pelo menos ali em frente das câmeras ficam uns cinco minutos naquele vai e vem oral, pra lá e pra cá, numa ginástica dental intensa e para terminar de forma épica, como um grande final do Cirque Du Soleil, enchem a boca o mais que podem de água e bochecham e chacoalham bem aquilo para depois cuspirem como enormes salamandras aquela mistura de pasta de dente e bactérias nas caras dos telespectadores. Leia-se: Nós!
Respinga até nas nossas salas.


E outra coisa é a seguinte gente: Sexo é bom, ao vivo, a cores, com odor, temperatura e muita pressão de ambas as partes, naquela sempre e insubstituível presença de corpos.
Volto a repetir: Coisa boa!
Agora, se existem pessoas que gostam ver os caras escovando os dentes  e também, de sexo virtual, nada contra, mas, por favor, existem milhões de sites e filmes pornôs que exibem verdadeiras preciosidades do gênero desde “Garganta profunda” até, “Entre sem bater”, porém, ver pessoas ficarem debaixo de edredons se mexendo, subindo e descendo, é mais sem graça do que chupar picolé sem tirar o invólucro, isso para quem faz e para quem assiste.

E o melhor é que nestes casos, você depois nem precisa ver novamente o casal cuspindo na sua cara aquela maldita lavagem de boca, pois, gente que faz os chamados filmes eróticos é profissional.
Estes amadores da telinha da televisão sepultam o bom gosto, o prazer e querem saber?

É o fim!

NINGUÉM SEGURA!




Augustina é destas mulheres imprevisíveis que, sempre nos pega de surpresa, nos piores e mais indesejáveis momentos.
Nunca fez recall, mantendo por esta razão todas as suas peças originais de fábrica.
É sábia como os mais eruditos filósofos gregos, os quais refere-se com a maior intimidade tratando Sócrates de amigão e Aristóteles de gente boa.
Esta intimidade de Augustina com a mais fina flor da filosofia grega esbanja uma perspicácia única e exala por todo seu corpo, além de uma fragrância imbatível de sensualidade e inteligência, também, aquela certeza de que, um homem para ser feliz a seu lado, basta tocá-la como fez aquela crédula ao puxar as vestes de Cristo, curando assim, todas as suas enfermidades.
Por esta razão eu a agarro compulsivamente, faço do seu corpo um verdadeiro exercício de leitura em braile, pois, fico cego na sua presença que me enleva,estimula, me levanta... Isso, levanta mesmo! E sem nenhum sentido dúbio, por favor.
Se ela estivesse no céu seria o mais brilhante cometa com aquela sua cauda incendiária e, caso nascida no mar, seria um exuberante e multicolorido coral, das profundezas abissais oceânicas e ainda bem que, está em terra firma ao alcance das minhas mãos.
Quando chove enlouqueço com aquele odor inconfundível de terra molhada, encharcada, transbordante, uma forma de ela querer ser uma cascata para juntar-se ao meu rio revolto e num só desaguar, por entre margens largas juntar a sua na minha. Ficou explicito?
Creiam que Augustina vive sempre molhadinha, só para mim!


Nossos diálogos poderiam compor livros variados, sobre extensas facetas do cotidiano e, por conversarmos horas intermináveis, somamos lições de vida que se acumulam neste alguns anos que estou ao seu lado e, de maneira privilegiada, como se eu, tivesse me apoderado do segredo do cofre do Banco do Brasil.
É verdade, companheiros, quer que eu minta?
Nosso último diálogo, em uma instância calorífica das mais tórridas temperaturas, quando nos hospedamos no Bangu’s Resort Fire e eu a suplicava para que não saísse do quarto, foi marcada por filosofia pura e aplicada.
Disse ela:
-Lógico que vou sair, estou sufocada, preciso de gente, ar, movimento, vou correr, não vivo sem isso!Reagiu Augustina com a certeza de que: “Sim, ela podia”!
-Não vá, afinal, eu sou o quê?- desesperado tentei impedir que aquele exército de sensualidade atacasse com maiô preto e corpinho de bailarina-menina, os hóspedes.
-O que você é? Quer que eu responda?
-Por favor- supliquei
-Bem neste momento, um gripado e indecoroso tussígeno homem, compulsivamente, catarrento e coberto de remédios. E quer saber? Já fui... vou me banhar e ficarei molhadinha para me refrescar.


-Mais molhadinha? – Tentei ensaiar um sub-reptício elogio
-Engraçadinho!
- E se eu sentir saudade, amor?
-Telefona, use seu celular, ora bolas!
-Ok.
E em poucos minutos, um aterrador sentimento de perda invadiu-me e liguei.
-Alô Augustina, meu amor, está me ouvindo, bebezinho?
-Alô, está me ouvindo, seu chato? Ela repetia do outro lado, quase aos berros.
-Esta ouvindo?- insistia eu com acessos de tosse e espirros compulsivos, destes que saem as dezenas de forma incontrolável e inundam o ar com perdigotos indesejáveis.
-Mais ou menos. Nossa você está um bagaço, homem!
-Não sou eu é esta  porcaria de celular, vou trocar por um mais moderno, que funcione e tenha um sinal forte e potente!
-Amor, quer saber uma coisa?
-Fala querida.
-Você está muito pior que, o seu celular, pois,seus funcionamentos vitais estão precários, e você acaba de me dar uma grande ideia.
-Qual querida? - perguntei desconfiado.
-Estou pensando, pelas mesmas razões em trocar você por um homem mais novo e com sinal forte com aquela potencia, toda. Nossa, até me arrepio!
-O que?- Reagi com o amor-próprio ferido
E do outro lado apenas aquele maldito robô da operadora telefônica, repetia a cada nova ligação minha: “Deixe seu recado, na caixa postal”.  

NOTICIÁRIO INÚTIL.




Está difícil procurar informação diferenciada e que, acrescente alguma coisa, pois, a maioria da mídia, seja rádio, televisão ou jornal acredita que nossos ouvidos sejam pênicos nos quais insistem em nos fornecer noticiários excrementosos ( se a palavra não existe, a criei e quer dizer,abarrotados de excrementos) e se querem alguns exemplos, vamos lá:
“-E da Cinelândia nossa repórter tem informações:
-É verdade, acaba de ser preso um perigoso meliante com duas trouxinhas de maconha e um cachimbo para fumar crack a droga da morte. Prossiga você aí do estúdio.”



Agora, eu pergunto, não seria mais útil que esta repórter fosse lavar uma trouxinha de roupa e o amigão do estúdio enfiasse o cachinho no lugar mais apropriado?
O que eu tenho com isso? O que me acrescenta esta informação? Afinal, em outros lugares, naquele exato momento, milhares de toneladas de maconha devem estar sendo comercializadas e montanhas de pedras de crack já embutidas no cachimbo e prontas para o suicídio, estão sendo vendidas. Me poupem,pô!
E mais essa:
“A policia acaba invadir a comunidade do Pau Marfim em Itaquera, São Paulo e prendeu um traficante chamado João Fumaça e o nonagésimo distrito policial registrou o fato.”



É mesmo? Que ação espetacular!!! Ou seja, prenderam um traficante e alguém tem dúvida que, logo foram nomeados mais cinquenta outros para substituí-los?
E mais essa:
“Atenção, uma mulher aparentando trinta anos teve seu celular roubado, nesta manhã na saída do prédio onde trabalha na Avenida Presidente Wilson no Centro do Rio de Janeiro”
Quer dizer, eles descobriram que uma mulher teve um celular roubado, mas ontem, nas saídas das praias dezenas de banhistas tiveram centenas roubados, naquela mesma manhã ( porque está na moda cada cidadão ter agora três ou quatro celulares) além de suas bolsas, relógios,tendo inclusive, uma menina roubada na sua virgindade, nestas ondas de terror moderno. Que furo de reportagem, incrível esta emissora os proporcionou! 
Ou ainda:
“Menor que matou um sexagenário dentro do ônibus 324 da linha, Tatuapé - Praça da República, pelo motivo fútil do sexagenário não ter se levantado do banco para que ele o menor pudesse sentar, foi preso e conduzido à delegacia e posto em liberdade por ser...  de menor”.
Eu pergunto: Além de parecer que a noticia está errada,quando será a nova passeata na Avenida Paulista que, certamente os menores farão, exigindo prioridade nos bancos dos coletivos? Quantas ONGs apoiarão esta marcha dos menores pelo direito aos bancos nos coletivos e quantos representantes dos direitos humanos estarão lá para defender a classe desprotegida de menores cracudos?
E finalmente:
“-Neste feriadão morreram trezentos e setenta e oito motociclistas e quatrocentos e doze outros, sofreram lesões as mais variadas e como os hospitais estavam superlotados e uma gestante teve que dar a luz dentro da boleia de um caminhão de lixo por falta de leitos”
Ou seja: os idiotas irresponsáveis são tratados nos hospitais e a vida que veio ao mundo, continua sendo lixo.
Juro que, para fugir desta tremenda sacanagem, entrarei de cabeça numa outra sacanagem de verdade e, a partir de agora, só lerei noticiários e resenhas sobre filmes pornográficos e, se alguém tiver algum pode mandar.
Não sejam egoístas, vamos compartilhar.

OS CONFUSOS LIMITES DA MODERNIDADE.



Vivemos numa era cujas crianças estão dominadas por games e jamais pularam o muro do vizinho para colherem uma goiaba,carambola, cajá-manga ou tamarindo.
Os adultos dominados por videos pornográficos explícitos em milhares de sites que oferecem todas as categorias de "sem vergonhices" como dizia a minha avó.
E toda a sociedade parece que entrou numa fase de absoluta incompreensão do certo ou do errado, do direito ou do esquerdo.
Enfim, bagunçou geral e para piorar esta desorganização social explicita, os meios de comunicação colocam na casa do respeitável telespectador, novelas nais quais todo mundo faz sexo com todo mundo e o que não fez com ninguém é considerado o idiota da trama e a crítica especializada o crucifica.
Tempos idos um convite para caricias mais "atrevidas", era à partir da segunda ou terceira semana de namoro, hoje em duas horas os caras já fizeram sexo, brigaram e se separaram jurando nunca mais se verem.
Meninos que antes só viam mulheres nuas desenhadas em revistinhas, hoje acham aquilo um lixo.


Meninas que nas suas intensas fantasias cor de rosa só pensavam em casamento, agora fogem dele como se aquilo fosse praga da feiticeira do mal.
Enfim, isso passou a ser aquilo e aquilo, aquilo outro!
Vejam este primor de diálogo entre a avó e sua netinha de quatorze aninhos.

-Netinha, vai fazer o que hoje a noite?
-Depende da hora que a senhora for dormir vovozinha
-Como assim?
-Bem , a mamãe vai sair não sei com quem e dormir fora, papai vai continuar dormindo fora, o vovô disse que vai descolar um baile funk no clube e só a senhora vai ficar em casa
-Ué mais eu ficando em casa, tenho que dormir cedo?
-Vozinha, o meu namorado ficante vem aqui hoje e ele acha você um saco, dizendo que fica vigiando ele o tempo todo.
-Vigiando ele? Dentro da nossa casa eu exijo respeito.
-E o que respeito, vozinha?
-Respeito em um namoro é conversar,segurar na mão...
-Na mão? Segurar na mão e fazer o que com a mão dele?
-Minha netinha, acariciar a palma da mão dele.
-E ele não pode botar a mão nos meus peitinhos?
-Claro que não,
-E nas minhas coxas?
-Absolutamente
-E dar beijos de língua , deitado no sofá?
-Ficou louca netinha?
-E uma rapidinha?
-Nem rapidinha, nem demoradinha, tenha respeito comigo.
-Vozinha tá vendo como tudo vai depender da bendita hora que a senhora for dormir?