N ÃO É HORA DE RECLAMAR DO SEU TRABALHO!!!



PENSE BEM, POIS SEMPRE HAVERÁ UM TRABALHO PIOR DO QUE O SEU !








Terceiro milênio, surto tecnológico incomum, mudanças de hábitos e costumes, enfim um novo mundo, um planeta que convive com o maior índice de desenvolvimento humano de todos os tempos, no entanto só uma coisa não mudou: Reclamar do trabalho!

A palavra trabalho, deriva do latim, tripallium que era uminstrumento de tortura pontiagudo, usado na idade média.

Pela origem da palavra, vê-se que realmente, o trabalho até na sua forma semântica, teve uma origem dolorosa. 

Fala sério, ninguém acorda de madrugada para trabalhar com um sorriso de publicidade de pasta de dente.

É verdade que, em algumas situações de casais que detestam a presença um do outro, por exemplo, sair de casa para trabalhar, até pode ser uma troca menos penosa.



Mas em geral, o trabalho é uma necessidade. Só isso!

Esta era a necessidade de Juliana Carla, caixa de banco e todo dia era mesma história, escutando gente reclamando do alto custo da conta de luz - e ela não trabalhava na Light - ou da conta do Iptu - ela nem conhecia o prefeito - gente xingando o dono dos cartões bancários, e coitada ouvia aquilo tudo e, ainda, tinha que esboçar um leve sorriso diplomático.

Afinal o cliente sempre tem razão.

De saco, literalmente cheio, resolveu conversar com sua amiga, dona de uma loja de lingerie finas, amigona mesmo de infância, marcaram um almoço e lá foram papear:

-Oi Juliana Carla, o que vamos comer?
-Quer que eu seja sincera, Martha Maria?
-Lógico, mulher, fala aí...
-O gerente deste restaurante...(rs) olha só que homem!!! (risos, muitos risos).
- Mas ele não está no cardápio Juliana Carla.
-Deixe-me ver, o cardápio...Está sim, está aqui: Picanha à moda da casa!
-Então pede duas... (mais risos, demorados e com tapinhas nas costas!).
Após pedirem a refeição e terem devorado com se tivessem chegado a pé do nordeste, Juliana Carla, desabafa:

- Não agüento mais aquela porcaria de caixa de banco, é estressante, um saco, não muda nada, sempre a mesma rotina...
-Tudo bem, Juliana Carla, mas já parou para pensar quantos empregos muito piores existem? Imagine neste calor insuportável se você tivesse que asfaltar as ruas, limpar esgotos, trabalhar como flanelinha, trocar lâmpada de semáforo...Fala sério!

Definitivamente, já pensou se você fosse zelador de cinema pornô que é um dos piores empregos do mundo, pois ,tem que limpar aquele chão todo, depois de cada sessão?

E carteiro que, além do sol ainda leva mordida de cachorro?

Médico de UTI, vendo um morrer toda hora, administrador de cemitério que tem que enterrar um monte de gente, ginecologista que trabalha o dia todo onde os outros homens só se divertem, masturbador de animais para inseminação artificial, segurança da Amy Winehouse, assessora de imprensa do José Arruda, imagine esta desgraça. Falar o quê?

-Ah, Martha Maria, mas também tem o outro lado, como, por exemplo, gerente de hotel de oito estrelas em Dubai, interprete do Príncipe de Mônaco, empresária do Brady Pitty , chefe de gabinete do líder da oposição , ou da situação, ou de qualquer coisa, no Congresso Federal... 
-Acorda, Juliana Carla!
- Martha Maria, acordar? Quanto eu estou tendo pesadelos, você não está nem aí, não é isso? Agora, quando o sonho é bom, tenho que acordar. (Continuam os risos).

- Juliana Carla, bota na sua cabeça, sempre haverá um emprego, pior que o seu, pois,os melhores, estarão sempre ocupados.

NOSSA SENHORA DE APARECIDA!




ACABE COM O LIXO ÉTICO E MORAL DESTA NAÇÃO BRASILEIRA!!!

O DRAMA DAS FAMÍLIAS DOS CORRUPTOS QUE ESTÃO EM PRISÃO DOMICILIAR.

       


                                                                                                    
Parece que um dos maiores castigos que pode se dar a uma família é pegar estes corruptos e colocar-lhes tornozeleiras eletrônicas e trancafiá-los em casa.
A tal prisão domiciar.
Pronto, lá se foi para o brejo a tranquilidade, liberdade e a vida das pessoas que na presença do corrupto trancafiado naquele domicílio que passa a ser verdadeira prisão para todo mundo, companheira, filhos, netos e até para as empregadas.
Afinal, o cara fica sem fazer nada e começa a querer saber de tudo que todo mundo está fazendo, fez ou ainda ira fazer e obriga todo mundo a falar dentro de casa no celular com o viva-vos ligado, pois quer escutar tudo, como neste telefonema que Madame Perry recebe:
-Oi minha gostosa, vamos sair hoje? Descabelar o cabeleira, amassar este vestido que aquele corno do seu marido lhe dá... Diz o amante incauto da mulher do corrupto sem saber das novidades domiciliares.
-Quem está falando?-Tenta disfarçar a mulher do corrupto
-Quem está falando? Ficou maluca? É Pedrão, minha safada, seu amante fiel há mais de três meses- estraga ainda mais a historia o cara que também saboreia aquele chantilly do sorvete do corrupto.
-Deve ter sido engano, não conheço nenhum Pedrão e saiba que detesto trotes e sou muito fiel ao meu querido e amado esposo, meu celular está no viva-voz e meu companheiro está aqui do meu lado, meu único e inseparável companheiro. E com licença que vou desligar – nervosa e desconcertada ela sabe que foi tudo muito pior do que o famoso batom na cueca.
Trote? Vai ser difícil o corrupto engolir.
                                                                                    

Que desgraça é esta tal de prisão domiciliar!
E tem mais telefonemas! Sempre obrigados a serem ouvidos em viva-voz por ordem do prisioneiro domiciliar, como esta do amigo adolescente amigão do Miltinho neto do ladrão.
-E ae Miltinho dá pra você vir apanhar o bagulho aqui em casa que compramos? Já chegou. Cara é da boa, da Bahia e no mel, porra vai dar o maior barato e só não veio ainda a cocaína, só vem amanhã- Detalha o amigo de Miltinho o rei do baseado do bairro.
-Não estou entendendo, você quer falar com quem? – Tenta disfarçar o neto
-Quero não, estou falando com o Miltinho, o neto mais famoso do bairro por causa do seu avô que todo mundo diz que é ladrão, mas você insiste em dizer eu ele é serio e trabalhador. Cara to com tudo aqui, deixa de ser babaca e  vem apanhar logo que vou sair daqui a dez minutos-despede-se o fornecedor de maconha e outras “cositas más” do neto em questão.

                                                            

Olha teria muito mais, porém vamos ficar por aqui. Afinal é uma família de respeito com um senhor muito decente, injustamente condenado a prisão domiciliar como aliás dizem todos os outros na mesma situação.

Quer que eu minha?

VIDA SEDENTÁRIA X MEXE-MEXE!

                                                                                   
                                                                                 

Abdominais, argolas, supino, peso, bastão, paralelas, corrida ou caminhada: saúde, seu nome é exercício físico:

- “Atenção - grita o professor -  perna direita pra cima, mantendo a esquerda no chão, lógico senão você cai seu idiota. Braço esquerdo para o lado direito, pescoço para esquerda, e cabeça para frente e para trás, várias vezes, exatamente como fazem os assessores de diretoria querendo puxar o saco do presidente da empresa. Isso continua balançando. Agora deita, mexa só com o pé direito, sentido relógio e, com o esquerdo, sentido anti-relógio. Isso, não pára, vai doer um pouco à virilha mais é melhor do que você engordar, ficar com um monte de banha pendurada na barriga, estrias, celulites e o escambau! Continua. Agora de pé. Pulando feito ganguru novo, minha gente. Um, dois, um, dois, um, dois. Não fala, não ri, não boceja. Respira fundo. Respirar é viver. Barriga bem para frente, nádegas para trás. Não menina, só empinar, não precisa mexer, nem rebolar. E pára de gemer! Isto aqui é só ginástica! Está bom, minha filha, eu sei que é o hábito. Mais faça só o que eu peço. Não cria nada! Deixa suas fantasias sexuais para outra ocasião. Mais força, força. Um, dois, um, dois, pulando mais alto, mais alto”.


Desliguei! Nossa, fico cansado até de ver aulas ginástica pela televisão!

Na verdade, nunca fiz nenhum exercício físico sequer parecido com estes que as academias de ginásticas chamam de calistênica, aeróbica, acrobática, artística, enfim, qualquer um destes suadouros coordenados que exijam flexibilidade, força disciplina e motivação.

 E para surpresa de muita gente, quem olha para mim acha que estou sempre de lado. Realmente sou magro, barriga tanquinho e torneirinha sempre jorrando forte. Ser escravo do culto ao corpo, no entanto eu considero uma paranóia de pessoas carentes, que não sabem o valor de um bom cochilo das nove da noite até dez da manhã do dia seguinte. Parece que é muito, mas não é. Só é muito para quem fica vendo. Pensam, até que você morreu. Entram e saem do quarto varias vezes, olham para sua barriga para ver se ela está se mexendo.

 -“Está mexendo, Está vivo, graças a Deus! " - exclamam com alivio, após o susto inicial.
  
E no horário de verão, existe algo mais destruidor para saúde e a forma física?
                                                                      
                                                                

O ser humano, em geral, precisa em média de oito horas de sono por dia, afirmou meu médico cardiologista. E como se calcula uma média? Tive que procurar os fundamentos clássicos de aferição da média e a encontrei exatamente, dentro da estatística - a ciência mãe desta referência.

Vejam quanta coisa interessante pode-se aprender, apenas questionando um simples termo: Por exemplo, com relação a esta tal de média estatística, você pode morrer afogado em um rio cuja média de profundidade seja de 1 metro. Como? É isso mesmo, só você dar o azar - além de nunca ter aprendido a nadar -a cair na parte do rio que tem 5 metros de profundidade. Foi azar mesmo, pois em muitos outros locais ele pode  ter 20 cm, um metro, e por aí.  Uma tremenda traição da estatística!

O exemplo, no entanto, mais definitivo e, escatológico que lhes passo, sobre esta tal de média estatística é a seguinte:
Um cara com os pés dentro do freezer a cinco graus abaixo de zero e, a cabeça dentro do forno de um fogão a duzentos graus acima, em média teria uma excelente temperatura corporal, mas na prática vai morrer como churrasco em cima e choque térmico embaixo.

 Preste bem atenção: neste caso, também a média estatística de calor, não daria para matar. Se o corpo estivesse em posição contrária, no máximo, seriam as bochechas que sairiam avermelhadas de frio. Esta é a lógica da tal média. E a explicação,definitiva sobre o porquê as oito horas em média de sono, podem transformar-se prazerosa e cientificamente, em dezoito, dezenove... 

                                                                
                                                          
Ativistas da ociosidade culpam a classe media, por esta explosão de fricotes e suores em academias de desocupados. Pensando bem, o pobre só faz ginástica no exercício profissional. Nem está aí para a outra. Também pudera, o cara acorda as quatro da madrugada e volta às dez da noite, ainda vai querer que suas várias estruturas osteomusculoligamentares estejam preparadas para mais esforço? Para o pobre fazer ginástica significa horas extras de trabalho, não remuneradas. E o trabalho dele, em alguns casos é uma ginástica apavorante!
                                                                 

A prática da ginástica pode, também gerar sérios desentendimentos nas famílias, sempre que os pais, não estiverem muito familiarizados com os termos técnicos, desta arte de manter o corpo em forma através da utilização de seus indispensáveis acessórios.
Após um exaustivo dia de trabalho o paizão chega a casa.
-Oi benzinho, tenho uma ótima noticia para lhe dar - comunica a esposa com ar de suspense de novela das oito.
-Qual é?
-Nossa filha já está sentando no cavalo de pau do vizinho...
-O quê? Enlouqueceu? Sua cabeça podre...
-Não, querido em troca ela só deu as argolas pra ele. Um troca-troca.
-Onde é que está aquela vadia?
-Marcelão, o que isto?
-Vou enfiar-lhe a porrada!
-O que isso seu estressado? Um rapaz tão bom pra nossa filha. Você precisa ver os dois juntos na esteira, que casal lindo!
-Jurema, sua vadia, como você pode ser tão devassa!
-Espera é ele. Está batendo à porta, fica aí, eu explico tudo daqui a pouco...
Arrastando as chinelas a mãe apressa os passos:
-Oi Carlinhos tudo bem?
-Tudo bem tia? Dadinha tái?
-Tá não...
-Que pena, eu prometi que daria minha vara pra ela, hoje...
Enfurecido o Marcelão parte para cima da vitima, que até tenta explicar:
-Calma Sr. Marcelão é a vara de salto em altura...
Tarde demais.A gota d’água, que faltava. Aliás, nem estava faltando mais gota nenhuma.  O gentil, Carlinhos só sentiu um tranco e apagou. Mas passa bem. Foram só, três costelas quebradas. A preocupação da equipe medica agora, é optar pelo melhor método cirúrgico que devera ser utilizado para extrair aquela enorme vara de ginástica de dentro do pobre e dilacerado vizinho, pois inadvertidamente, o rapaz deu as costas ao pai enfurecido, na hora da fuga

A AMANTE ORIGINAL.


QUERO AGRADECER AO INCENTIVO DE TODOS COM RELAÇÃO A ALGUNS CAPÍTULOS AQUI EXPOSTOS DO LIVRO HÁDESER: O PAÍS DO FUTURO.
À PARTIR DE HOJE VOLTAMOS A NOSSA PROGRAMAÇÃO NORMAL, PUBLICANDO AQUI A PRIMEIRA CRÔNICA QUE FIZ E BOTA UM TEMPINHO NISSO!

                                           




                                                        A AMANTE ORIGINAL


Aproxima-se o fim de mais um dia de intenso trabalho, e aquele pensamento constante e repulsivo, não lhe saía da mente! Pensava a cada minuto, naquela criatura vil e aterrorizante que deixara em seu lar.
A última noite, em sua companhia, fora a mais cruel e insuportável, e naquele momento resolvera, de uma vez por todas, por fim àquela situação.
Chegando a sua casa, logo ao abrir a porta, deparou com aquela criatura mesquinha, sórdida e provocadora que não lhe dava um minuto de descanso, fazendo-o passar os dias e as noites mais infelizes e atribulados da sua vida.
Resolveu declarar guerra àquela megera, acintosamente deitada em sua cama, como a desafiá-lo, ostensivamente.
Atirou-se à cama para agarrá-la e castigá-la, masculamente.
Ela fugiu, logrou escapar, indo para a sala tentando esconder-se, numa atitude covarde, digna, somente das criaturas inexpressivas.
Ele a seguia furiosamente, tinha de uma vez por todas que acabar com aquele sofrimento brutal, que fazia do seu lar, um cubículo triste e aterrorizador.
Iria espancá-la com o salto duro do seu sapato, daria contra aquela cabeça vazia, para ensiná-la a dor que nunca antes havia conhecido, pois jamais fora homem de bater em ninguém, quanto mais num ser mais frágil como aquele.
Calculou friamente a pancada e mandou brasa, porém mais uma vez, aquela criatura conseguira desvencilhar-se, correndo de um lado para outro como se estivesse zombando da sua virilidade e, finalmente, foi para o quintal. O nosso pobre amigo suava frio por todos os poros e, o cansaço já era uma evidente realidade em seu corpo.
Numa atitude derradeira e louca, resolveu matar aquela coisa, sim matar a tiros. Faria daquele ser, migalhas.
Rapidamente foi ao quarto, abriu a gaveta. Tremiam-lhe as mãos. Apanhou sua arma - um revolver 38, cano curto - e a passos firmes caminhou para o quintal escuro, envolvido na noite fria de inverno. A vitima, ali estava escondida.
Acendeu uma vela que trazia no bolso e colocou-a no chão. Então a luz fraca da vela, descortinou-a encostada a um canto, já agora temerosa, mas nem por isso, menos intragável e repulsiva.
Corajosamente, apontou-lhe a arma. Fez mão firme, pois aquele era o momento mais dramático da sua vida. Mirou-lhe, estrategicamente, a arma, para o seu crânio e disparou por diversas vezes, ouvindo-se as secas detonações das cápsulas. Seguiu – se a morte instantânea da vitima, já agora enlameada e inerte no solo.
Sua cabeça destroçada sob a terra aguada da chuva, que algum tempo caía, como para limpar as horrendas manchas daquele ser, apresentava-se como o quadro final daquela tragédia.
-Livre, estou livre – gritava, histericamente, aquele secular sofredor.
Sim, jamais passaria outras noites em claro por causa daquela criatura.
Lá estava ela destroçada pelos certeiros tiros do nosso frouxo machão, que na linguagem esportiva, dir-se-ia ter acertado bem na mosca, porém, o que não é verdade, pois no caso a mosca era uma barata, ou se quiserem seu nome científico, aqui vai: Periplaneta Americana.

EPITÁFIO:

Barata, do latim, blatta, substantivo feminino, ortóptero onívoro, de corpo achatado e oval, que põe ovos em ootecas (estojo). Pode ser silvestre ou doméstico,e tem hábitos noturnos, segundo o dicionário do Aurélio.
                                                      
                                                     


                          HÁDESER :O PAÍS DO FUTURO
                                                                 

                                                       CAPÍTULO 11



                 FRAGMENTOS DA VIDA URBANA EM HÁDESER: TRANSPORTES.


Constituía-se fator de inegável orgulho para os Hadeserianos, ostentarem seu intrépido crescimento urbano, prova inequívoca do seu grande desenvolvimento industrial.
Nas grandes cidades o trânsito era uma mistura de porradas simultâneas e engavetamentos intermináveis.
Era comum numa mesma semana o Diretor Geral de Trânsito ser substituído 8 (oito) vezes.
Aliás, em Hádeser esta coisa de “substituir” para resgatar credibilidade pública era muito comum. Porém, em geral, quem substituía é que deveria ser substituído.
Fenômenos de hábitos culturais dos mais interessantes, incoerentes e inacreditáveis chegaram ao nosso conhecimento graças aos depoimentos gravados na fita n´mero 1 dos nossos arquivos.
Um exemplo dramático era o fato do horário de trabalho nas cidades de Hádeser, ser  absolutamente igual para todos ou seja, 08h00 às 17h00.
É verdade que existia pequenas variações bem criativas como: 7h30 às 16h30, 7h00 às 16h00, 08h30 às 17h30 entre outras.
Isto provocava no trânsito um fenômeno intitulado pelas autoridades de: SEI, “Síndrome de Empastelamento inevitável” e no horário do almoço a NEL ,“Neurose do Pastel”.
A situação era muito simples. Como poderiam milhares de carros passarem pelas mesmas ruas principais, nos mesmos horários, na mesma direção e em direção aos mesmos lugares? 
Lógico que os chamados “inconvenientes do trânsito” teriam que ser constantes e férteis.
Como poderiam, por mais que existissem, os restaurantes, botequins, biroscas e o cacete, suportar verdadeiras invasões de famintos, hordas alucinadas de comensais com 1 (uma) ou 2 (duas) horas fixadas, rigidamente, como horário de almoço, antes de voltarem ao trabalho?
A fita gravada mostra-nos dois momentos distintos das caóticas situações descritas.
A primeira cena começa numa imensa fila de ônibus no bairro de Alhures, na cidade de Hágora, distante cinquenta e seis quilômetros do centro da cidade (também chamado jocosamente de Caldeirão do Diabo).
A Câmera aproxima-se de uma pálida cidadã de aproximadamente 1,75m, aparentando uns 55 anos, ultrajado (desculpe) trajando uma camisa branca-amarelada semi-poida no colarinho, calça de brim cinza mais amarrotada que deveria, tênis azul celeste e com fisionomia de anjo barroco.
Esta cidadã era a 118ª da fila. A repórter aproxima-se e pergunta:
Repórter – A Srª. Está indo para o centro da cidade?
Cidadã – Pretendo!
Repórter – A Srª. Está nesta fila há quanto tempo?
Cidadã – Três horas
Repórter – Três horas?
Cidadã – Acha muito ou pouco?
Repórter – Quem tem que achar é o Srª.
Cidadã – Eu já não acho mais nada!
Repórter – São cinco horas da manhã. A que horas o Srª. Acordou?
Cidadã – Eu nem dormi...
Repórter – Como assim?
Cidadã – É o seguinte: como ganho um salário menor, eu ontem fiz hora extra e sai do trabalho às vinte e três horas. O último ônibus pra cá, passa por lá às vinte e duas horas. Então fui para a estação do trem. O último pra cá já tinha saído de lá. Tentei carona, pararam dezoito carros, mas dei azar, eram todas “lésbicas” e não entrei em nenhum.
Reporte – Mas o senhora faz discriminações absurdas...
Cidadã – Meu jeitão é assim mesmo.Aí passou um carro da policia, fiz sinal, eles pararam, me revistaram, eu tinha esquecido meus documentos em casa, disseram que minha atitude era suspeita e provocativa. Acharam que eu estava fazendo “tratoir”. Eram uns machões nojentos. Expliquei tudo que disse para senhora, eles, no entanto levaram-me para o reduto policial para simples “averiguações de praxe”.
Sai de lá às quatro horas da madrugada, vim a pé, passei em casa, fiz um rápido almoço para meu marido. Ele quando acordar vai sentir minha falta!
Repórter – Realmente ele não é nem um pouco machista.
Cidadã – Absolutamente. Meu marido me apóia muito. É um feminista convicto!
Repórter – Ele trabalha?
Cidadã – Sai para fazer “contatos”!
Reporter – Que contatos?
Cidadã-Nunca soube...
Reporter-E quais são suas principais reclamações sobre os serviços desta cidade?
Cidadã – Todas. Não existem ônibus em quantidade suficiente, demoro quatro horas para chegar ao centro da cidade e, geralmente sou vítima de orgasmo.
Repórter - Vítima de orgasmos?
Cidadã – É às vezes é no ombro, outras na bunda, também nos braços. O ônibus vão muito cheio. Depende se estou de pé ou sentada. Estes machões se encostam e começam a tremer. Às vezes até gemem.
Repórter – É o preço da liberdade...
Cidadã – Todo mundo desce ao mesmo tempo, entopem as ruas, o transito é um inferno.
Repórter – Deveria haver leis que punissem estes orgasmos em coletivos...
Cidadã- Minha filha foi deflorada dentro de um trem urbano.
Repórter – Deflorada?
Cidadã – É mais casaram!
Repórter – Dos males o menor. Faz tempo?
Cidadã – Tem uns anos. A família dela hoje é grande. Já tem quatro filhos.
Repórter – É os nomezinhos da garotada, como se chamam?
Cidadã – Vagão, Vagonete, Reboque e Trenzita.
Repórter – A sua filha viajou quatro anos de trem, acertei?
Cidadã – Puxa a senhora é muito inteligente!

                                                                               


                                                                                        CONTINUA.

                          CAPÍTULO 10
                                                                                                  A INFLAÇÃO EM HÁDESER.

PORTANTO, COMO ACABAR COM A INFLAÇÃO?

                                                                        


A inflação também consumia toda a força patriótica daquele povo no sentido de dominá‑la. Todos os planos contra a inflação possuíam, em sua essência o mesma e simplório dilema: COMO? Uma infinidade de propostas foram elaboradas pelas equipes palacianas, algumas das quais serão aqui expostas, seja pela profundidade das medidas, seja pelo absurdo das proposições ou ainda pelo certo ar de sacanagem que algumas outras continham.

A mais famosa das teses, contra a inflação e muito difundida em hádeser foi a publicada por Putus Caiado e publicada no final dos tempos de Hádeser.
Esta tese propunha que a inflação era conseqüência direta da existência da moeda. “Sem moeda não há inflação”.

Esta máxima teoria imbeciloide do Sr. Dr. Prof. Putus Caiado eminente economista Hadeseriano,serviu como plataforma de governo para a eleição de  2(dois) presidentes da república. Fato por demais interessante que uniram estes dois magistrados foi um acontecimento nefasto, pois ambos foram assassinados, exatamente quinze dias após às respectivas posses. 

Afinal, em que se baseava esta tese? Dizia Putus Caiado que, a economia sempre fora tradicionalmente apoiada no triplé; Terra, Capital e Trabalho e que modernamente, ao invés da moeda ser o instrumento de troca‑e como historicamente tinha sido provado que sem moeda não haveria inflação ‑o tal instrumento de troca passaria a ser o Semem, pois, este além de ser abundante no líquido espermático era gerado com prazer e em quantidades apreciáveis pela população Hadeseriana. 

Foi lançada, então, através de todos os meios de comunicação intensíssimas campanha promocionais para que afinal todos os Hadeserianos e Hadeserianas, juntos fizessem‑e com intensidade e velocidade de coelho ‑ aquilo que já faziam, com propósitos, nem tanto voltado para a salvação da economia nacional, ou seja: Sexo. Uma das peças publicitárias de maior apelo popular, mais inteligentes e objetivas, veiculava a seguinte mensagem: “Hadeseriano trepar é subir socialmente e, sem moeda, compre com aquilo que você tem de melhor dentro de sí: Seu sêmem, vulgarmente chamado pelos iletrados de esperma! 

Semem é a riqueza do homem, ejacule e, se faltar parceira masturbe‑se, mas não deixe de extrair o néctar salvador, pois ele é a riqueza e redenção da nossa pátria”. A campanha obviamente teve um sucesso estrondoso e todo cidadão hadeseriano tinha estocado em suas residências centenas de litros de Sêmem, porém faltava o sal, açúcar, pão, carne, enfim estas desprezíveis bobagens, coisas menores e sem nenhuma importância prática, segundo enfatizava Putus Caiado. 

A inflação neste período despencou, realmente de 2.000% ao mês, para algo em torno de 1%. Houve até mesmo deflação, Difícil era comer, vestir‑se, enfim viver!

O sistema financeiro de hádeser passou a ter uma mecânica  própria, que era operacionalizado da seguinte maneira: Cada mililitro de semem equivalia a 2.657.000 (dois milhões, seiscen­tos e cinqüenta e sete) mil Cemvalori ‑ nome da moeda de Hádeser. Paralelamente foi criada uma moeda de conversão chamada: Phoda.

Então cada mililitro de semem equivalia àquele numero de Phodas /Cenvalori. Ato contínuo juntaram‑se as Phodas /Cenvaioris com os semens e criou‑se a nova moeda chamada Trolha. Portanto, cada Trolha valia CM 2.657.000 (Cm, desculpem era a abreviatura de Cemvaiori ‑ou Phoda). Na paridade com a moeda internacional mais forte na época que era a MERRECA, cada Trolha equivalia a uma uma Merreca.

 Não deu certo, positivamente não deu certo de forma nenhuma, porque se descobriu que na verdade, quando o povo Hadeseriano era obrigado a trepar para sobreviver, foi um fracasso geral, nos quartos, nas camas, nas praças, nos muros, nos motéis. A excessiva pressão governamental sufocava a libido, que por sua vez sufocava o desejo sexual, que por sua vez esvaziava totalmente os corpos cavernosos penianos, tornando-os mais flácidos e de impossível penetração.

A falta de motivação sexual chegou a níveis absolutamente aterradores. A imensa maioria dos habitantes faziam sexo uma vez por ano. Conclusão, os mililitros de semem foram ficando cada vez mais escassos que os habitantes passaram a trocar semem de gato, cachorro, vaca etc...


Este sêmem falsificado espalhou‑se por toda a nação e, entrava e saía governo sem que nenhum deles desse a solução mais proba e adequada para as grosseiras falsificações até que o plano foi abandonado e consta que a população de Hádeser decresceu em 68%, nos anos seguintes. Entupiram‑se os cemitérios, esvasiaram‑se as maternidades. A este fenômeno o ilustre sociólogo e demógrafo social Sr. Dr. Prof Elucidatos Factualis chamou de MSE- Movimento dos sem Ereção e que foi dramático para o fim do plano anti­-inflacionário do Sr. Dr. Prof. Putus Caiado.



CAPÍTULO ESPECIAL.


AMIGOS ,ESTAMOS EM CARÁTER EXCEPCIONAL PUBLICANDO UM "CAPITULAÇO" DE HÁDESER PARA TIRAR O ATRASO EM FUNÇÃO DE TERMOS FICADO DIUTURNAMENTE, ACOMPANHANDO AS SESSÕES DO STF QUE ATUALMENTE É A MELHOR DIVERSÃO DO BRASILEIRO. DIVERSÃO E VINGANÇA!!!

                                                

FRAGMENTOS DA VIDA FAMILIAR EM HÁDESER.

                                                                CAPÍTULO EXAGERADO 9.

A vida familiar em Hádeser, excluído o fenômeno do controle da natalidade, era estruturada sociologicamente de forma Patrimatriarcal, forma híbrida de interação e divisão de trabalho, também conhecida como processo integrado pênis-vagianiano.
A razão disto, deve-se ao fato de que durante anos as mulheres lutaram por emancipação e conquistas de novos espaços, possibilidade de melhores empregos e, o governo do qual não fazia parte nenhuma mulher, que não ocupavam nenhum cargo – desculpem: a criadagem do Presidente era predominantemente feminina – apoiava patrioticamente o movimento.
Acontece que surgiram alguns “jargões” e palavras de ordem feministas sendo que uma delas referia-se ao adjetivo mais temido pelos homens hadeserianos: Machão!
Na realidade "Machão" correspondia ao sinônimo de castrador, chauvinista, repressor e, há quem afirme que o desusado, incomum e fértil aparecimento de homossexuais, travestis, bissexuais, bichas, viados, entubadores e outras espécies correlatas de opções de gêneros sexuais tenha proliferado a esta época em Hádeser como efetiva oposição social-sexual ao odiado,machão!
As causas sociológicas, acima citadas foram esclarecida numa entrevista de um famoso sociólogo e psicólogo Hádeseriano que tenta analisar e correlacionar estes fatos e, sua tese essencialmente baseia-se no fenômeno do “Retraimento da Libido Social Plena Masculina”.
Explica o eminente cientista que os homens sempre tiveram, em relação às mulheres, um sentimento de posse e, por esta razão, subjugavam a fêmea ou “presa” aos seus instintos eróticos, mas também protetor. Tal forma de relacionamento excitava as vocações fálicas dos homens que viam na conquista da mulher uma forma constante de afirmação de sua superioridade, o que aumentava-lhes a motivação.
A mãe sempre representou no relacionamento social primário a fonte de ternura, compreensão e afeto para qual desde cedo as criancinhas, os meninos, dedicavam fortes fantasias seja em relação aos seios, ou torciam para serem adultos e pudessem fazer com outras mulheres aquilo que era privilégio dos pais.
Nas antigas gerações Hádeserianas os meninos eram ensinados a “caçar” e as meninas a evitarem serem “caçadas “. E elas ficavam iradas por causa disso!
Os pais, em épocas remotas, eram, machistas por excelência. Incentivavam os meninos a saírem “comendo” todo mundo e sem muito papo. Empregadas domésticas, vizinhas insaciáveis, priminhas “distraídas” e, em raríssimos casos tias bondosas deixavam, de maneira submissa, sem querer,mas querendo, ou simplesmente como elas denominavam,como exercício didático, os meninos exercitarem sua verdadeira vocação.
Além disso, os homens sempre tiveram no ato sexual uma postura “por cima”, estas coisas que na realidade reforçaram sentimentos masculinos de superioridade, pois,naquela época os meninos diziam que eram superiores pois tinham “algo mais” do que as meninas. Um pênis aparente que inclusive crescia e, portanto em flagrante oposição ao não existente nas meninas. Tais comparações reforçam ainda mais a tese na cabecinha (pensante) dos meninos que eram efetivamente superiores.
A divisão do trabalho era regularmentalmente obedecida. Os homens faziam força, as mulheres faziam bolo. Os homens ganhavam dinheiro, as mulheres gastavam nas compras necessárias ou não. Os homens determinavam quando seria a 1ª, 2ª, 3ª e outras, quando havia fôlego porque sem pênis erecto não havia nenhuma. E a mulherada tinham que ficar esperando, esperando…
Meninas brincavam de bonecas, faziam comidinha, imitavam a mamãe com aventaizinhos, eram tenras, delicadas, suaves e usavam saias (sic)! Aqui cabe uma observação: Saia era uma indumentária feminina extinta durante a evolução da sociedade Hádeseriana.
Meninos jogavam futebol, saiam na porrada, tinham carrinhos imitando os carrões dos adultos, liam revistinhas de libidinagem e ainda naquela época, desenhadas em preto e branco, além de usarem calças (sic)!
Nas antigas gerações de Hádeser, no relacionamento sexual a menina “dava” e o menino “comia”. “mulher com mulher dava jacaré”, “homem com homem dava lobisomem”. Eram ditos populares, hoje incompreensíveis. Enfim, era exatamente , assim!
E os Tempos mudaram!
Tempos mudaram. Houve forte reação feminina na conquista da igualdade. Nada mais justo! Queriam jogar futebol, dirigir caminhão, mijar nas calçadas, entrar em banheiro de botequim, pegar ônibus andando.
No entanto, alas mais radicais do movimento feministas exageravam um pouquinho. O que aliás é normal em todo processo de “Revolução Social” e passaram a confundir feminismo- feminino com "machismo - feminino".
Em contrapartida alguns homens fizeram a mesma confusão misturando apoio ao feminismo -feminino com adesão à feminilidade.
Desconcertantemente alguns homens afinaram a voz, utilizaram a tecnologia do silicone para terem peitinhos, vestiam-se, digamos, “estranhamente” e, dependendo do estágio em que assumiam sua outra versão, era diferenciadamente classificados.
Segmentos radicais do feminismo aboliram as saias, penteavam os cabelos de vez em quando e perfume passou a ser para elas, coisa de viado! Falavam alto e, se falavam baixo, usavam abundantes palavrões. Tinham movimentos bruscos, tipo “enfio a mão no teus cornos”, andavam arrastando os grandes pés com aqueles enormes sapatos e passaram a fazer musculação, quiçá Halterofilismo.Aliás deixe esta entrevista da Rede Goela de televisão, registrado em fita com aquelas costumeiras entrevistas de rua é um recorte sociológico-comportamental excelente:
-        Repórter: O Sr. Acredita…
-        Entrevistado – Sr. Não, Senhora!
-        Repórter: Ora, desculpe, mas seus músculos…
-   Entrevistada: É, faço musculação 5 vezes por semana, halterofilismo todo dia, sou remadora do Água Rasas, leciono Box aos sábados, arremesso peso aos domingos.
-      Repórter: Uma verdadeira cultista do corpo. Parabéns. O seu pescoço também está bem desenvolvido. É bem grosso e musculoso. Tens namorado?
-       Entrevistada: Tem que ser namorado?
-  Repórter: Bem, namorado é um termo genérico. Pode ser homem, companheiro, esposo…
-        Entrevistada: Tenho namorada!
-        Repórter: Ah sim, sim namorada. Com “a” no final?
-        Entrevistada: É. Pó, você é jornalista e não sabe o feminino de namorado?
-        Repórter: Perdão, foi uma pequena e desnecessária confusão…
-        Entrevistada: Você está pouco liberada minha filha. Está ou não está?
-        Repórter: Aqui quem pergunta sou eu. A senhora responde.
-        Entrevistada: Quem disse? Elevando a voz ameaçadoramente.
-        Repórter: Quem disse? Bem é hábito. Isto é jornalismo.
-        Entrevistada: Isso é caretice. Eu posso fazer o que quero.
-        Repórter: Ok, obrigada, não precisa ficar nervosa.
A repórter sai apressadamente e de longe escuta:
- Nervoso, sua reprimida. Nervoso com "o"!
Portanto,Hádeseriano que se prezava não admitia, sob hipótese nenhuma ser chamado de machão, porém sua relação com as mulheres costumava ser na base do machado e da porrada!
Os homens aceitando o ideário libertário das mulheres Hádeserianas passaram a ficar em casa e, só saindo para fazer “contatos”, as mulheres trabalhavam fora, levando para o lar seus salários que eram gastos compartilhadamente pelos companheiros. Instalava-se desta forma uma nova fenomenologia social denominada “Cafetização Igualitária Unidirecional Consentida domestica”. O termo é complexo na teoria e muito mais na prática.
Cabia às mulheres, então, a dupla tarefa de sustentar a família e lavar meias e cuecas. Em jornada dupla de trabalho sob a Nova Ordem Social que resplandecia em Hádeser, o tratamento dispensado às mulheres era cínico, irreal e, na maioria das vezes, tragicômico.
A gravação de audio mostra-nos uma família de classe média, composta por um casal ,um homem “mesmo”, uma mulher "mesmo" e dois filhos. Ela Assessora Técnica Informacional de uma empresa estatal fabricante de botão. Em Hádeser as estatais só intervinham em áreas essenciais, e era dado às mulheres cargos com nomes pomposos que, à primeira vista, parecia ter decisiva influência no processo produtivo. Porém, apesar da requintada nomenclatura, tratava-se na prática de função datilográfica. Ele ardoroso defensor do feminismo, desempregado a dezesseis anos, cuidava das coisas do lar e fazia “contatos”. Está registrado o seguinte diálogo:
Ela – Eu acho que você poderia se esforçar mais para arranjar um emprego.
Ele – Não há dúvida, estou tentando. Minha segurança é que você, decididamente assumiu integralmente esta audaciosa bandeira do feminismo, galhardamente não se deixa subjugar por esta sociedade fálica e machista. Trabalha, demonstra que realmente não há esta diferença entre homem e mulher…
Ela – Lembra quando você ficou desempregado?
Ele – Triste momento…
Ela – Mas, não me abati. Consegui aquele emprego de tratorista. Eu só tinha alguma dificuldade para passar as marchas e frear, pois o pedal era enorme! A direção era razoavelmente macia… Você ainda reclamava das minhas varizes que começaram a aparecer nas minhas pernas...
Ele – Não. Isto é injustiça. Eu só ficava chateado na época com a graxa e óleo derramado nas suas pernas. E até hoje ficaram estes calos na suas mãozinhas…
Ela – Só cinco…
Ele – Mas são enormes! Preferia 20 menores.
Ela – E daí, você também não os tem?
Ele – É verdade. Igualdade é igualdade.
Ela – Depois fui trabalhar como estucadora na construção daquele prédio de 87 andares, lembra-se? Aprendi a misturar concreto, assentar tijolos. Ah, como eram pesados aqueles saquinhos de cimento…
Ele – Meu amor, minha mulher amada,estive pensando no nosso orçamento familiar. Está ficando pequeno. Porque você não arruma também um emprego à noite?
Ela – Você sabe que eu não posso abandonar a Presidência do SOMHO – Sociedade Orientadora da Mulher de Hoje. Nós temos reuniões de segunda a domingo, todas as noites…
Ele – É, tinha esquecido.
Ela – Aliás, nós precisamos tratar de assuntos muito sérios. Você nunca resolveu tomar pílula anticoncepcional, só eu tomo. Isto é descriminação!
Ele – Meu bem, estas coisas não fazem bem ao homem. Não sou eu quem afirma, é a ciência. Você sabe eu sou feminista até a alma. Mas ciência é ciência!
Em Hádeser a estabilidade da estrutura familiar sofria fortes pressões dos mais variados setores da sociedade e, eram comuns as separações após poucos dias de convivência. Na realidade o Hádeseriano era fortemente influenciado por cruel e intenso processo de natureza psicopatológica diagnosticada como Neurose Situacional que consistia  no fato de que os homens casados consideraram “perda” o tempo livre disponível (que passavam ao lado das suas famílias) como impedimento de poderem estar em outras situações gozando (principalmente) das intensas probabilidades da vida mundana oferecida “lá fora”.
O liberalismo, imperava na Sociedade Hádeseriana. A bunda passou a materialização, a síntese dos sonhos eróticos, o projeto maior da afirmação daquela sociedade fálica do homem. Tudo em Hádeser terminava na bunda.
Chegaram a erguer na Praça Trolha, esquina da Avenida Fálica a estátua de uma bunda com 150 metros de altura!
Sem nenhum sentido objetivo ou razões práticas e coerentes, qualquer comercial de televisão focalizava as mulheres com a bunda de fora tornando-a verdadeira obsessão nacional.
Prova disto é um comercial gravado na fita de uma publicidade sobre fogão de 7 bocas. Em Hádeser os fogões tinham 2, 4 ou 6 bocas e, o que se encontrava em lançamento era o mais aprimorado em “design” e estrutura dos seus componentes. Aparece o fogão ao lado ao linda morena, muito bronzeada, de biquíni tipo barbante dentifrício, que diz: 
-“ Meus amados telespectadores, o fogão Sibéria lhes oferece outra boca (a câmera focaliza a 7ª boca). Não tem a desvantagem de todos os outros fogões pois, está equipado com um forno na frente (a câmera focaliza) e, outro, atrás. Nesse momento a apresentadora está deitada sem a parte inferior do biquíni  barbante dentifrício e a câmera percorre vagarosamente sua bunda bronzeada e espigada.
Uma voz rouca e sensual termina dizendo: 
-“Fogão Sibéria também é uma preferência nacional.

Outro comercial é sobre lâmpada. O locutor anuncia: Não Queima! (Ao lado da lâmpada aparece uma bonita modelo, nua, de costas e a câmara começa focalizando sua cabeça, vai descendo e dá um “close” nas suas nádegas. Aí o locutor repete: Penetre no fantástico mundo destas lâmpadas que não queimam".
                                                                                                CONTINUA.