EM BUSCA DO CORPO PERDIDO OU ACHEI UM CORPO QUE NÃO ERA O MEU.




Afinal o que é uma dieta, qual a melhor, e em quanto tempo as pessoas vão perder aqueles cinco, vinte ou trinta quilos dos cento e dez que compõem sua indesejável massa corpórea atual e robusta?
Infelizmente, estas dúvidas cruéis, no entanto, só aumentam a ansiedade do gordo, e esta ansiedade induz a ingestão compulsiva de quilos e mais quilos de comida gordurosa em excesso e de má qualidade. E o gordo fica mais gordo!
O vilão já desmascarado deste drama alimentar, são os sanduíches de múltiplos andares e impossíveis de serem abocanhados, até mesmo, pelos mais bem treinados flexíveis e enormes maxilares.





São os soberbos e monumentais hamburgers, distribuídos entre várias partes de pão, generosamente, encharcados de molhos ácidos, picantes e maioneses multicoloridas que, até insetos os evitam.
Duvido que você já tenha visto uma mosca, numa destas lojas de fast - food. Sabe a razão? Mosca não tem instinto suicida!
O valor calórico destes alimentos é tão grande, e só comparável àquela língua de fogo que, os grandes foguetes espaciais soltam ao partir rumo ao espaço.
Seus nomes comerciais já sugerem a intensidade das suas conseqüências: big, duplo big, tri duplo big, avassalador,quarteirão, avenidão e torre de babel, entre outros.


Como desgraça pouca é bobagem, estes edifícios comestíveis são acompanhados de muita batata frita salgada, encharcadas de óleo e para serem empurradas goela à dentro, estas bocas nervosas precisam beber grandes quantidades de refrigerantes borbulhantes de gás carbônico.
Dizem que, as carnes compactadas destes hamburgers mortais são oriundas de animais ou aves que durantes suas curtas vidas terrenas tomam hormônios à granel, para crescerem rapidamente, e engordar em regime de absoluto confinamento, para não perderem nenhuma gordurinha acumulada. Barbaridade!



A gula é um pecado condenado por, praticamente todas as filosofias e religiões.
À propósito o que achariam os católicos destas mazelas degustativas? Certamente classificariam como tentações demoníacas e lamentam que uma simplória, natural e inocente maçã tivesse causado tantos problemas a Adão e Eva, comparando-se a estas tragédias alimentares contemporâneas. Já os espíritas classificariam estas viagens à maionese como sendo um verdadeiro carma.








E os orientais? Os chacras - afirmam - ficam tão ensebados que não conseguem equilíbrio nem para eles mesmos, quanto mais para seus donos.
E afinal, após viver muitos anos degustando estas porcarias, o incauto consumidor pretende libertar-se dos excessos.
Mas será que este flagelo alimentar não serve para ninguém? Servem sim, principalmente, para aqueles que acenam com milagrosas soluções, como os médicos nutricionistas, academia de ginásticas, laboratórios farmacêuticos e personal training.
Para estes a alimentação fast - food é a salvação da lavoura para os seus orçamentos, pois ,cada vez mais, gordos batem as suas portas. Alguns nem passam na porta!
Médicos cirurgiões, também estão gostando, pois aspiram toneladas de gorduras de barrigas, culotes, e regiões glúteas que são mais exploradas do que foi o saudoso pau-Brasil, nestas terras descobertas por Cabral.
Porém o campeão absoluto de audiência é, sem duvida, estas empresas denominadas de laboratórios farmacêuticos.
Os gordos, ou os que assim se sentem, tomam, em geral, dezenas de comprimidos para perder a fome, acompanhados de outros tantos, para se manter de pé, andando. Enfim, vivos!
Pela manhã a indústria dietética garante que a clientela só deverá comer alguns tabletes de soja não-transgênica.
Para o almoço a indústria farmacêutica prepara uma surpresa. Sopa de, absolutamente, nada, esterilizada e pasteurizada pelo método francês, importado da China, inventado na Austrália e exportado pelos paraguaios, sem nota fiscal. A grande mágica do mundo globalizado contemporâneo.
No jantar, o incauto glutão e arrependido comedor de fast - food, são sugestionados pelo grande irmão da industria dos milagres a ingerir cápsulas de ar comprimido que ao chegarem no estômago explodem, derrotando literalmente a fome.A bula recomenda, no entanto, que não se durma acompanhado, porque caso haja qualquer escapamento de ar, os efeitos seriam imprevisíveis.
Pô vou ficar por aqui, pois me deu uma fome incrível e, pretendo destruir um destes imensos sanduíches. Só hoje, como sempre "juram", nossos adorados gorduchos!































DA LATRINA AO WATER CLOSET.






Recentemente, tive uma conversa bastante acalorada e esclarecedora com um amigo de infância.
No colégio sentávamos na mesma carteira - hoje até isso nas escolas eles desuniram. As carteiras escolares agora são individuais. O máximo de individualidade e excessiva competitividade. São pequenos detalhes como estes que, vão criando grandes razões futuras, do cada um por si.
Pois bem, ao reencontrá-lo, descobrirmos que não existem mais tantos botequins e, então, fomos a um destes Shoppings que proliferam em cada esquina.
Sentamos num daqueles quiosques para beber alguma coisa, quando de repente ele disse:
- Agüenta aí que vou dar uma mijada. Aproveita e pede um chope pra nós.
Acenei positivamente com a cabeça. Pouco tempo depois ele voltava e, assim que sentou, disparou:
- Vocês são muito ingratos com o este novo país!- exclamou coçando, ostensivamente, o saco.
- Vocês quem? Interrompi, espantado e curioso.
-O brasileiro é um bicho muito complexado, vive falando da colonização dos portugueses, dos erros, não evolui neste papo. O Brasil mudou muito cara. Este país é outro. Queiram vocês, ou não, o Brasil é outro - finalizou eufórico.
Entre estarrecido e achando que ao invés de ter urinado ele tinha bebido a urina, ousei perguntar:
-Aí cara, por que esta histeria toda? Nós nem estávamos falando sobre política quando você levantou. Lembra que a conversa era sobre as coxas da Marta e você fez até um merecido parêntesis para elogiar também aqueles peitaços da Lucia Helena?Falamos, também, de como ela anda toda empinadinha...
- É verdade meu irmão, sempre que nos encontramos, só falamos de mulher, futebol, estas coisas, mas o papo é o seguinte: A maioria dos brasileiros pensa que isto aqui ainda é uma colônia portuguesa.Não é não. Mudou muito - sentenciou, olhando-me com inegável ar de euforia e ufanismo.
Então resolvi - como diriam os intelectuais - dar forma, substância e conteúdo àquelas afirmações do amigo, pois bêbado ela ainda não estava - apesar desta probabilidade, em curtíssimo prazo se tornar inevitável e exigi explicações.
-Bem, o que é que levou você a de repente vir com esta patriotada!
-Cara, a gente se conhece há muito tempo!Você se lembra quando dava dor de barriga longe de casa?
-A gente ia ao banheiro de um botequim – respondi de imediato.
-Banheiro do botequim, não! Aquilo era latrina - explodiu em argumentações e continuou:
- Latrina fétida com aquela porcariada no chão. Não tinha tábua pra sentar no vaso, não tinha água, não botavam papel, e se a gente reclamava sempre acusavam os fregueses de terem roubado! Estou mentindo? Eu sempre que entrava naquelas pocilgas tinha a impressão que uma lacraia ia subir na minha perna e morder meu cassete...
-Cassete? Ah, sim, cassete. O seu cassete entendi...
-Mulher não entrava em banheiro de botequim. Duvido! Aquele chão molhado de urina, uma escuridão infernal – falava com o rosto avermelhado.
- Realmente você tem razão: banheiro de botequim era terrível. E o pior é que, ainda existem alguns deles espalhados pela cidade - ousei interromper.
-Aquilo se chamava latrina, latrina - repetia compulsivamente.
-Concordo – E ia discordar? E continuava:
-Você se lembra daquelas portas de madeira empenadas que não fechavam, com um monte de palavrões, convite pra sexo? As latrinas não tinham maçaneta, iluminação. O cheiro era asfixiante. Todos os insetos ficavam passeando na tua frente, uns voavam rasantes, em ambas as suas cabeças. Era um negócio aterrorizante. E por mais incrível que pareça é que os donos do botequim mesmo vendo que, você estava “verde de necessidade”, em muitos casos, não entregavam aquela maldita chave presa num pedaço de cabo de vassoura enorme e ensebado.Então o que queria te dizer é que acabo de vir do...
-banheiro do shoping... interrompi
-Aí está a grande diferença: Water Closet. Lá dentro é como se você estivesse entrando num banheiro da Bélgica, Tem sempre um cara com um pano passando desinfetante pra lá e para cá. E o empregado é obcecado por limpeza, não deixa uma sujeirinha - e enquanto falava, gesticulava muito.
-É verdade - Fui obrigado a concordar e quem ousaria o contrário?
-A temperatura ambiente tem ar condicionado central, gelando até as partes baixas da gente. O cassete até diminui,...
-Cassete? Ah, sim, aquele seu cassete que a lacraia podia morder...
- As descargas funcionam com água abundante e o papel higiênico é fino Os das latrinas dos botequins (quando tinha!), você passava e ficava ardendo uns dois dias, tudo assado. Quando não era jornal. A lavagem das mãos é feita com equipamento de primeiro mundo. Você aperta em cima da torneira só sai, em principio a água que vai precisar.Se quiser mais é só, apertar novamente.São práticas e economizam água. Nas torneiras das latrinas você as abria, não tinha água nenhuma e ficavam dependuradas em suas mãos, cheias de ferrugens e soltando as peças.
Um verdadeiro filme macabro.E o sabão liquido? Liquido e cheirosinho. Aí você para secar as mãos escolhe: papel ou secador de ar frio ou quente. Grandes espelhos para o cliente ter uma completa idéia da sua aparência. Enfim tecnologia e higiene absolutas. Como diriam os paulistas: ”porra meu” isto é ou não é evolução? Hoje em dia podemos não ser país de primeiríssimo mundo, mas com certeza, estamos chegando lá.
Nunca fomos à lua, no entanto, fazer nossas “necessidades” fora de casa já não é mais uma humilhação. Quem viveu a era da latrina, se considerava um brasileiro de merda! - Encerrou com a jugular saltando-lhe no pescoço.

Então pedimos mais um chope e voltamos a falar dos peitaços da Lucia Helena e das coxas da Marta.


ABANDONADO, SOLITÁRIO E CHEIO DE AMIGOS.











Tinha um aspecto soturno, destes homens que não dão sorte com mulheres.

Homens assim são insuportáveis, pois apesar de com elas nem sempre ser um paraíso, sem elas, no entanto, você se afunda literalmente, num poço de mau humor crônico. E não adianta procurar médico, tem que acertar é na
mulher !










Está bem, eu até concordo que não seja tão fácil assim, mas veja bem: se já fomos capazes de escalar as montanhas do Himalaia, ir a lua, enfrentar vulcões e terremotos, erradicarmos a catapora, curar a tuberculose, inventar a pílula azul que despertou aquilo que andava desabado, desviar rios, construir represas e alguns até terem sogras como amigas, é possível, sim, encontrar a mulher dos nossos sonhos. E se você não for tão exigente, até a dos seus pesadelos.

Se você não consegue conviver com mulher, porque dá muito trabalho, vá trabalhar com uma britadeira de arrancar asfalto para ver se não é muito pior.

O inusitado é que os abandonados, solitários, no entanto, ficam cheios de amigos.

Eles os criam do nada!

Eu vou explicar: a pior coisa do mundo é você abrir sua caixa postal no computador e encontrar aquelas centenas de spams. Um homem normal deleta todos eles sem a menor cerimônia.

Já o abandonado, lê um por um, e se sente cercado de centenas de “amigos” virtuais.

E quando liga o computador e aparece a mensagem:- “Bem vindo” - sua emoção é incontrolável.

Depois dos seus cinco cachorros, os spams são, as suas melhores companhias.






No seu aniversário, como o cara é um chato, brigão, recalcado, cheio de frustrações e desejos inalcançáveis, seus parentes correm dele, e as mensagens que ele recebe e lê atentamente, são as de políticos.

Em geral, estes não esquecem do dia do seu aniversário, e mandam folhetos coloridos desejando-lhe tudo de bom!

Lojas comerciais, nas quais ele tem créditos e prestações que só terminarão em dois mil e dezenove, também são muito atenciosas. E mandam – quanto mais você estiver devendo e a quanto mais lojas melhor - muitos cartões e cartinhas. Dezenas!

Então o pobre diabo abre uma por uma, e até vai as lágrimas de tanta emoção.

E assim, vai vivendo, o abandonado, solitário, mas cheio de amigos!

No natal, espera ansiosamente por todas as mesmas cartas e spams, e mais, a do lixeiro, que são gentilíssimas.

É inacreditável, mas o abominável homem solitário, alegra-se até ao ouvir os três apitos do forno de microondas avisando que a comida está pronta. Às vezes até finge que não escuta, para que o aparelho insista e,torne a chamá-lo por mais três vezes, e ele, então se sentirá muito importante e solicitado.

Mesmo sem ter nada para comprar vive nas lojas dos shoppings, onde se sente um rei atendido pelos solícitos e “desinteressados vendedores”, e então percebe o quanto é amado. Sai sem comprar nada, mas, quando se despede, gosta de falar bem alto o nome do vendedor para dar a impressão que são amigos de infância.

Ser chamado compulsivamente, de “senhor”, pelas meninas do telemarketing, lhe enche de prazer e do outro lado da linha, faz até caras e bocas de ator de novelas mexicanas. Agüenta que elas falem, quanto tempo, quiserem.

Elas é que cansadas, e sem nada venderem, se despedem.

Mas, ele ainda insiste:- O que mais você vende, minha filha?

Agora, aqui entre nós, não é muito mais difícil viver assim, de forma tão constrangedora e cruel do que, conviver com uma mulher?
Fala sério!

Quer dizer...

OBRIGADO:COMPLETAMOS 200 SEGUIDORES. ENTÃO PUBLICO A PRIMEIRA CRÔNICA QUE ESCREVI : A AMANTE ORIGINAL!



Aproxima-se o fim de mais um dia de intenso trabalho, e aquele pensamento constante e repulsivo, não lhe saía da mente! Pensava a cada minuto, naquela criatura vil e aterrorizante que deixara em seu lar.

A última noite, em sua companhia, fora a mais cruel e insuportável, e naquele momento resolvera, de uma vez por todas, por fim àquela situação.

Chegando a sua casa, logo ao abrir a porta, deparou com aquela criatura mesquinha, sórdida e provocadora que não lhe dava um minuto de descanso, fazendo-o passar os dias e as noites mais infelizes e atribulados da sua vida.

Resolveu declarar guerra àquela megera, acintosamente deitada em sua cama, como a desafiá-lo.

Atirou-se à cama para agarrá-la e castigá-la, masculamente.

Ela fugiu, logrou escapar, indo para a sala tentando esconder-se, numa atitude covarde, digna, somente das criaturas inexpressivas.

Ele a seguia furiosamente, tinha de uma vez por todas que acabar com aquele sofrimento brutal, que fazia do seu lar, um cubículo triste e aterrorizador.

Resolveu espancá-la com o salto duro do seu sapato, daria contra aquela cabeça vazia, para ensiná-la a dor que nunca antes havia conhecido, pois jamais fora homem de bater em ninguém, quanto mais num ser mais frágil como aquele, porém agora era demais!


Calculou friamente a pancada e mandou brasa, porém mais uma vez, aquela criatura conseguira desvencilhar-se, correndo de um lado para outro como se estivesse zombando da sua virilidade e, finalmente, foi para o quintal. O nosso pobre amigo suava frio por todos os poros e, o cansaço já era uma evidente realidade em seu corpo.

Numa atitude derradeira e louca, resolveu matar aquela coisa, sim matar a tiros. Faria daquele ser, migalhas.
Rapidamente foi ao quarto, abriu a gaveta. Tremiam-lhe as mãos. Apanhou sua arma - um revolver 38, cano curto - e a passos firmes caminhou para o quintal escuro, envolvido na noite fria de inverno. A vitima, ali estava escondida.

Acendeu uma vela que trazia no bolso e colocou-a no chão. Então a luz fraca da vela descortinou-a encostada a um canto, já agora temerosa, mas nem por isso, menos intragável e repulsiva.

Corajosamente, apontou-lhe a arma. Fez mão firme, pois aquele era o momento mais dramático da sua vida. Mirou-lhe, estrategicamente, a arma, para o seu crânio e disparou por diversas vezes, ouvindo-se as secas detonações das cápsulas. Seguiu – se a morte instantânea da vitima, já agora enlameada e inerte no solo.

Sua cabeça destroçada sob a terra aguada da chuva, que algum tempo caía, como para limpar as horrendas manchas daquele ser, apresentava-se como o quadro final daquela tragédia.
-Livre, estou livre – gritava, histericamente, aquele secular sofredor.

Sim, jamais passaria outras noites em claro por causa daquela criatura.

Lá estava ela destroçada pelos certeiros tiros do nosso frouxo machão, que na linguagem esportiva, dir-se-ia ter acertado bem na mosca, porém, o que não é verdade, pois no caso a mosca era uma barata, ou se quiserem seu nome científico, aqui vai: Periplaneta Americana.

EPITÁFIO
Barata, do latim, blatta, substantivo feminino, ortóptero onívoro, de corpo achatado e oval, que põe ovos em ootecas (estojo). Pode ser silvestre ou doméstico, e tem hábitos noturnos, segundo o dicionário do Aurélio.

GRANDE DESABAFO SOBRE A MESMICE DO COTIDIANO!


Querem saber? A sociedade ficou muito chata, sisuda, burocrática e uma mesmice só.

Confundimos seriedade, com cara feia, responsabilidade com paranóias de perfeição e uniformidade das rotinas de vidas,com comportamento politicamente, correto.

Vivemos mergulhados em dívidas, nos empanturramos nos fast-food, engordamos, esclerosamos, ficamos hipertensos, o colesterol vai aos píncaros, a diabetes nos persegue, e os acidentes vasculares celebrais vicejam mais do que chuchu na serra, e ainda de quebra, o estresse dorme conosco.


Perdemos a simplicidade de arrotar em público, comer um galetinho com as
mãos, andar descalços, sujarmos a roupa de terra, os sapatos de lama, lambuzar a boca de sorvete, chupar a ponta dos dedos.

Ficamos simétricos como os ângulos retos, agudos nas ações do dia-a-dia e oblíquos a cada instante. Temos arestas infindáveis, irreparáveis, inaparáveis e cansamos a mente com tanta informação, inclusive, estes repetitivos noticiários, de crimes, furtos, corrupção, estupros, homicídios, tráfico de drogas, o dia inteiro. Um saco!

Google, procura no google. Está bem, mas e o resto?

Procura é no cangote dela, seu tonto!

Agora queremos recriar o big bang em laboratório.Coisa mais besta! Investimentos de bilhões de dólares que poderiam salvar todas as crianças com Síndrome das distrofias pluricarenciais alimentares, da África.

Por isto, cada vez mais, valorizo o recém-nascido que faz cocô na fralda, me divirto com o inesperado, aquilo que foge do enredo formal desta intragável vida cotidiana, como por exemplo, quando o cachorro pula na mesa e
abocanha aquele sanduíche de hambúrguer recém-saído da frigideira e cuidadosamente, recheado com aquela maionese fatal, com generosas fatias de queijo, inúmeras fatias de tomate o qual você estava preparando há meia hora e quando dá as costas, para ir a geladeira apanhar um refrigerante...Já era. Está na boca do seu amado cachorro. Não é um barato?

Outra coisa: repare a graça, o charme, a beleza de uma boa urinada da cadela. O macho levanta uma das patas, elas arreiam o traseiro. É uma posição hilária!

E ainda sobre o quesito mijadas, eu continuo achando que mulheres invejam os homens por não poderem sacudir o pênis depois de urinar.Tenho certeza que elas
adorariam dar aquelas sacudidelas que, se passarem de três, tecnicamente já é considerada masturbação e adorariam também, urinar de pé. Andaram até inventando uns cones, umas coisas ridículas para a mulher usar como uma espécie de calha de telhado. Não emplacou.

Também acho que os homens têm uma inveja treme
nda das mulheres que dizem sentir múltiplos orgasmos. Os homens ficam se mordendo!O cara dá, literalmente um duro danado e no final... Um só. Tem algo errado nesta distribuição de prazeres entre as partes.

Outra coisa é o seguinte: acho que onde o ginecologista trabalha e os outros homens só se divertem, fica muito escondido. Agora meu desabafo já é com a natureza!

Lógico, não vamos exagerar. Não teria que ser necessariamente, na testa. Concordo. Mas para que ficar tão escondida? A única razão aceitável poderia ser, para que o homem possa esquecê-la, um pouco, e saia de casa para trabalhar. É pode ser.Pobre perseguida!

Mesmo assim, e respeitando este forte argumento, talvez pudéssemos encontrar um meio termo. Eu a colocaria na barriga, pouca coisa abaixo do umbigo. Os seios eu colocaria nas costas, e ai todo mundo dançaria agarradinho.Pelo menos para os homens seria uma delicia, e facilitaria muito aquele incansável trabalho de mãos, ao som de um bolero. O resto deixa como esta, principalmente a bunda, pois tão gostoso quanto vê-la é poder dizer: Vira!

É minha gente, do nosso circo social sobraram os palhaços políticos e eleitores e trapezistas camelôs e desempregados, tentando se equilibrar nas mesmices da vida.

Repare: Todo mundo se veste igual.As calças jeans são iguais, os óculos são
iguais, os modelos andam sempre iguais, as mentiras são sempre as mesmas e a macarronada de domingo foi substituída por estas malditas pizzas com gosto de borracha, algumas mulheres viraram uma bunda e os homens barrigas tanquinhos.

Somos escravos do trânsito, da magreza, das academias de ginásticas, dos florais de Bach, dos antibióticos mortais, da homeopatia incerta, das terapias holísticas alternativas e o escambau! Principalmente, do escambau.

Corre, corre, corre e todo mundo feito louco disparando pelas ruas, praças e parques. Antigamente, os p
arques eram para pic-nic agora, são só para piques. Piques de cem metros, mil e maratonas enfadonhas para não chegar a lugar nenhum.

Coisa mais sem graça!

Já comprou seu televisor de plasma de 178 polegadas? E o home theatre? IPode.Não pode? Trocou quantas vezes este mês o celular? Agora tem um novo que já vem com o modelo do próximo que, ainda vai sair. Pode um negócio destes?

Engraçado mesmo, e fora da mesmice, é aquele tempor
al repentino que cai sobre a cabeça da mulher que ficou mais de meia hora fazendo chapinha no cabelo e transforma tudo, novamente em arame farpado. A vida é isso! Um não à rotina.

Está tudo tão mudado, pois quando finalmente as mulheres começaram a sentir seus merecidos orgasmos, os homens passaram a soltar as frangas aos milhões nas paradas gays. Quantos desencontros!

Até beijo na boca virou corrida de fórmula um. Todo m
undo quer chegar na frente: e os garotões e as menininhas, já em adiantado estado etílico e depois de terem bebido todos os mais variados drinks possíveis, ficam disputando:

-Eu beijei trinta e quatro, eu beijei sessenta e nove, aí entra na roda uma menina mais amassada que lençol em lua de mel e diz, orgulhosamente:

-Ganhei, beijei cento e quatro...

Beijou não, trocou cuspe. Beijar na boca é muito diferente, é uma só numa noite, na semana, e por meses inteiro.De preferência de pé. Aí você sente acender embaixo. E tem que dar tempo para aquecer.
O que é que sente alguém que troca cuspe com cem bocas numa noite?
Só dor no maxilar.Uma interminável fila de chupa cabras, bodes e cabritas.
Então, só resta celebrar uma boa piada de loira, ou de gay, ou de português, ou de papagaio, e, por favor, nos dê tempo para rir.

A alegria é igual ao cozimento de peru de natal. Precisa de tempo!

Apaga esta televisão, reúna os amigos, vá jogar conversa fora, lá fora.Levanta a bunda deste sofá, pára de se empanturrar de pipoca, chocolate, litros de cerveja. Sai da toca. Lá fora é perigoso? Qualquer lugar é perigoso se você está querendo viver mais de cem anos.

Ora, bolas!


Exatamente, aqui a mesmice foi condenada e , por esta razão, uma vida foi salva !!!

PÔ, CARMEM LUCIA !!!








O casamento foi lindo! Foi tudo muito lindo!

Dizem que as mulheres valorizam mais do que os homens o planejamento, as compras, as festividades, tudo que cerca aqueles momentos mágicos que antecedem ao "sim" da união matrimonial dos cônjuges. Em parte, isto é verdadeiro, não totalmente, porque eu me emocionei muito com o nosso casamento.
Mas, reconheço que realmente você o valorizou muito mais. Comprou tudo. Coorden
ou todas as despesas. Quanto empenho! Envolveu toda a sua a família. Fez muitas reuniões.Nunca ví tanta reunião na minha vida e seus parentes , todos muito ansiosos para colaborar.Verdadeiro trabalho em equipe.


Porém,só depois da lua de mel é que fui ver tudo direitinho, fazer as
contas, cotejar. E, como você valorizou Carmem Lucia!
Aquelas cinqüenta rosinhas de chocolate que a sua mãe sugeriu p
ara que fossem oferecidas aos convidados quando eles saíssem da festa,
custou mais do que o aluguel da igreja e o coral, com o órgão do padre e tudo. Lembra do meu sapato preto, importado da Austrália de couro de canguru, que você achou lindão? Então, daria para comprar uns cinqüenta pares com o dinheiro gasto naquelas singelas lembrancinhas de chocolate. Eu sei que foi uma amiga da sua mãe que nos vendeu, não foi? Se a gente não conhecesse bem a sua
mãe, Carmem Lúcia, diríamos que ela levou, no mínimo, cinqüenta por cento de
comissão naquela comprinha. Foi muito caro. Quem tem uma amiga assim, não precisa nem ter inimigo!
O pior é que eu vi crianças atirando aquilo umas nas cabeças das outras. Um duplo desperdício. Como você valorizou nosso casamento, Carmem Lucia! Aquela gorda que fez os pasteizinhos de queijo para tira-gosto a pedido do seu pai bebum, c
obrou mesmo, aquilo tudo? Tem certeza que o seu pai só gosta de comer os pasteis dela? Fiz umas contas rápidas e o que pagamos por aqueles pasteizinhos safados e mirrados daria para a gente comprar uma pastelaria no estado que mais se come pastel: São Paulo. O pastelzinho tinha no máximo, o mínino de pastel. Uma coisa à toa que, nem tinha vento e, com uma bolinha de queijo muito acanhada lá dentro, do tamanho de um grão de feijão. Um roubo! Desculpe, mas é revoltante.
Outra coisa, Carmem Lucia: eu tinha alugado um carro conversível, do ano na agê
ncia de um amigo, uma semana antes, e no dia do casamento seu irmão
cancelou e alugou o carro dele para nós, aquele Escort, vermelho
86, surrado. Eu não entendi. E nos cobrou o dobro do preço
daquela limousine conversível que eu já havia contratado. Olha, vou ao Procon. Temos que conversar, seriamente, com seu irmão . Um absurdo!
Carmem Lucia, quem pediu
aquelas empadinhas de camarão para sua prima? Confere aí, pois, eu duvido que ela tenha mandado as quinhentas unidades encomendadas. Não vieram nem cento e cinquento.Foram caríssimas, não tinham camarão e ela me roubou, legal!
O Juninho, filho da Esmeralda berrava:
- mãe devolve minha empadinha.
Ela tomou da criança na mão grande. Todo mundo estava reclamando.
Meu amor você valorizou demais, prestigiou demais seus parentes, foi muito mão aberta com a sua família e o pior, usando meu dinheiro.Você falou que o tapete vermelho iria da entrada da igreja até ao altar. Que tapete? Eu vi o padre em cima de um pequeno capacho vermelho, mirrado e desbotado.Só.Roubaram o maldito do tapete, Carmem Lúcia?
E o dinheirão que eu paguei por 20 quilos de pétalas de tulipas multicoloridas que se
riam jogadas em cima de nós no momento do beijo, lá no altar. Pétalas? Minha cabeça ficou cheia de papel de jornal picadinho e seragem. Parecia desfile gay na avenida, Carmem Lucia. Ficamos todos emporcalhados com aquilo. Não quis lhe falar nada para não quebrar o clima, mais até quando nos deitamos na nossa tão esperada alcova na lua de mel, você ainda tinha aquele embuste de enfeite, dentro da calcinha. Lembra-se que eu comecei a espirrar? Era serragem Carmem Lucia!Vê qual foi o seu parente que
nos vendeu alho por bugalho.
E o arroz que seria jogado quando entrássemos no carro? Jogaram alpiste e milho, na nossa cara. Parecia chuva de granizo. Eu paguei arroz agulhinha de primeira. Jogaram milho!
Alguma insinuação a você?
Não é possível. Tudo isto seria perdoado, não fosse aquele episódio grotesco de você
começar encher a cara com seu pai - aquele bebum inveterado - desde cedo, e ficar em
altíssimo, estado alcoólico mal a festa ainda ter começado. Abraçava todo mundo com aquele bafo insuportável e, ao invés de cortar o bolo de casamento cortou a galinha assada, do prato que estava perto. Carmem Lúcia, quando você me ofereceu aquele pedaço de galináceo, ainda pediu para que eu não sujasse o terno com o chantilly. Como você bebeu!
Carmem Lucia, e foi, exatamente, aquele seu deplorável estado de embriaguez que,
não deixou você notar quando, no final da festa, saímos e seu irmão parou aquele maldito Escort, no tal hotel que seu primo nos reservou, dentro de um "pacote
turístico "que incluía estada em Teresópolis por uma semana com café da manhã,
almoço, lanche e jantar executivo com velas e outras coisas românticas como
passeio
de cavalinho e assemelhados. Na verdade ele nos deixou num velho sobra
do na Rocinha. Lembra-se que você dizia - nas poucas vezes que conseguiuacordar naquela noite do embuste - que seu primo tinha pensado em tudo, até nos fogos de artifício? Carmem Lucia, aquilo não era foguetório nenhum, e sim um intenso tiroteio de armas pesadas entre a policia e os traficantes do local. Como fui enganado!Estou num estado deplorável e lhe deixando esta carta, porque já está amanhecendo, você ronca como uma porca, o tiroteio acabou e vou direto procurar meu advogado para anular este verdadeiro ato de terrorismo que vocês chamaram de casamento e, colocar sua família na cadeia.
C
armem Lucia, respeitosamente:caso você queira se suicidar- por causa do remorso
que certamente irá corroer suas vísceras- deixo-lhe um
vidro de chumbinho. As ratazanas levam menos de cinco minutos para morrerem e no dia seguinte estão sequinhas.Você não queria, emagrecer um pouquinho?
Então,torço por isso. Adeus.

NELSON RODRIGUES : UM CRONISTA EXCEPCIONAL E UM DRAMATURGO ÚNICO!


Nelson Rodrigues nasceu em Recife no ano de 1912. Mudou-se em 1916 para a cidade do Rio de Janeiro, aqui morrendo em 1980.

Impossível somente, neste espaço retratarmos a obra deste carioca por adoção, que inspirou várias gerações.Aqui, resumidamente daremos uma pincelada deste gênio do jornalismo.
O modernismo nos trouxe Nelson Rodrigues e seu interesse maior está em mostrar a classe média suburbana carioca, que esteve tão presente em toda a sua vida de jornalista e de homem comum que convivia de perto com a realidade crua ali presente.
Suas peças são uma verdadeira denúncia em relação à hipocrisia e a falsidade que estavam por trás das belezas dessa classe média. Seu foco principal é sempre o sexo reprimido e deformado por uma gama de costumes morais, sociais e religiosos, que fazem com que seus personagens, tipos criados a partir da realidade das grandes cidades, se tornem alienados ou conturbados a ponto de tornar seus desejos ou fobias em verdadeiras obsessões que levam a suicídios, adultérios ou incestos, e, é claro, muitas vezes à neurose à loucura.
É o caos da cidade grande agindo juntamente com os conflitos psicológicos dentro do homem moderno, vítima de suas próprias, ações, leis e preconceitos morais. A crueza e a obscenidade estão sempre presentes para dar ao leitor ou à platéia a verdadeira e honesta dimensão da mente humana.
Escreveu dezenas de peças teatrais, livros e crônicas diárias em jornais aqui destacaremos, apenas algumas da suas frases celebres e que ela sirvam de motivação para todos pesquisarem este excepcional homem das artes.Leiam com isenção, pois ele notabilizou-se por querer despertar polêmica. Era odiado ou amado, no seu tempo.
Hoje, consagrado, por todos.
Eis algumas de suas frases ontológicas:


- Nem toda mulher gosta de apanhar. Só as normais

-Amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É degradante que um homem deseje a mãe dos seus próprios filhos.
- As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado


- Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.

-Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante.

- Perfeição é coisa de menininha tocadora de piano

-A companhia de um paulista é a pior forma de solidão.

-Até 1919, a mulher que ia ao ginecologista sentia-se, ela própria, uma adúltera.

-O marido não deve ser o último, a saber. O marido não deve saber nunca.

- Toda mulher bonita é um pouco a namorada lésbica de si mesma.

-Todo ginecologista devia ser casto. O ginecologista devia andar de batina, sandálias e coroinha na cabeça. Como um são Francisco de Assis, com a luva de borracha e um passarinho em cada ombro.

-Os magros só deviam amar vestidos, e nunca no claro.

-É mil vezes melhor ter uma filha puta, do que um filho puto.

Aos dezoito anos, o homem não sabe nem como se diz bom-dia a uma mulher. O homem devia nascer com trinta anos feitos.

-O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.

-Morder é tara? Não, tara é não morder!

-Todo tímido é candidato a um crime sexual

-Amar é ser fiel a quem nos trai

-No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte.

-Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos.

-Não damos importância ao beijo na boca. E, no entanto, o verdadeiro defloramento é o primeiro beijo na boca.

-Toda unanimidade é burra.

-O ginecologista é o adultério da mulher fiel.

-Todo canalha é magro.

-Não há mulher bonita feliz.

-Só acredito em amor que chora.

-Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.

-Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.