RADIALISTA NERVOSINHO.


Quem de nós, já não sintonizou um dia uma rádio na qual , o programa era de atendimento às reclamações sobre buracos os mais diferentes em diferentes ruas , praças, avenidas, ou aquela maldita falta d'água geral ou restrita nesta ou naquela área e ainda,  por um apagão de energia elétrica inclusive, na justa hora de um esperado jogo de futebol ou do último capitulo daquela novela que ficou seis anos,onze meses e vinte e nove dias no ar?
O rádio que muitos esperavam fosse acabar e enterrar seus ossos com o advento da televisão, continua até hoje presente nas nossas vidas e agora, como um robusto e eficiente canal de reclamações , pela sua capacidade de instantaneidade e efetiva presença em qualquer lugar, cobrindo os fatos com muita velocidade.
Porém, esta maravilha eterna ,verdadeira ponte entre o público e as autoridades em geral, encontra por vezes radialistas que , naquele dia não acordaram bem ou sua companheira quem sabe , tenha dormido de calça jeans e para sacaneá-lo, ainda mais, de olhos escuros, para ter a absoluta certeza de que, nem no escuro veria o vulto dele. Nestas noites as mulheres sofrem aquele apagão geral!
Então, logo às seis horas da manhã aquele sofrido radialista e não menos nervosinho e irritadiço pelas razões intoleráveis descritas,começa a ouvir novamente aquela ladainha chata e diária de que está faltando isso, faltando aquilo, faltando tudo!
-Bom dia ouvinte, qual a sua reclamação, Abertolina...É este mesmo seu nome?
- Querido Francobelo, é esse mesmo, adoro seu programa, não perco,ouço diariamente.
-Obrigado Abertolina, fico feliz apesar de ter passado uma noite terrível!
-Posso saber o que houve?
-Não sua fofoqueira, vamos ao seu problema e deixa o meu de lado,faça sua reclamação.
-Está com pressa, Francobelo?
-Não, mais temos na linha quarenta e nove outras pessoas querendo reclamar,reclamar, reclamar.Pô que que saco!
-Olha  Francobelo aqui na minha rua, está faltando água há oito anos anos e nenhum órgão de governo deu jeito.E para o seu programa eu mesma, já telefonei e participei mais de cinco vezes e... nada!
-E porque voltou a me procurar Abertolilda?
-Abertolilda não, é Abertolina...
-Sim, entendi, mas se nem o meu programa resolveu é você deve então estar mais fedida do que gambá em dia de feira com barraca de peixe na porta da sua casa.Estou sentindo daqui...
-O quê? 
-Fedendo, Aberta!
-Aberta não, seu safado e onde está a sua educação?
-Está em falta também, sua chata e safado e porco é o seu marido.
-Como assim, seu abusado?
-Pô oito anos sem água e continuam juntos e morando nesta pocilga?
-Na pocilga, mora sua mãe,e sua mulher deve ter dormido de calça hoje, adivinhei nervosinho histérico?
-Você dever ser vidente, mas estava muito cheirosinha diferente de você! E tchau sua ingrata ,vai procurar outro programa em outra emissora.Vamos ao nossos comerciais,CACETE!!!


HISTORIA SIMPLÓRIA DE UM BRASILEIRO QUE IMIGROU PARA A "TERRA ENCANTADA".



Latinildo era um destes homens críticos que vivia vociferando contra tudo e todos no país no qual, tinha sido parido pela sua mãe (dele).
Figura ácida e de comportamento estranho e temperamento insuportável o que já lhe custara um úlcera hemorrágica, enxaquecas constantes, dores agudas no corpo e principalmente, na alma.

Latinildo era um contra do à favor e insatisfeito com sua terra natal o Brasil, fugiu de tudo e de todos indo baixar suas malas e esperanças na Finlândia, próspero e civilizadíssimo país.
Logo ao chegar ao aeroporto lhe perguntaram de onde vinha e dizendo que era latino de debaixo dos trópicos a autoridade aduaneira coçou a cabeça e disse:
-Mais um!- Em seguida pediu para que comparecesse na sede dos imigrante às seis horas da manhã, para entrevista.
-Seis horas da manhã?-retrucou espantando o Latinildo.
-Exatamente!
-Mas no Brasil eu acordava onze horas, meio-dia, porque sou formado em desenhista industrial e cansei de procurar emprego sem encontrar nada que me servisse, andava meio deprimido, etc e tal...


-E veio para nosso país para quê?
-Trabalhar, nem que seja lavando pratos nos restaurantes, hotéis, fazendo faxina, qualquer coisa.
-Espera "seu" Latinildo, não entendi. Se é para lavar pratos ou fazer  faxinas porque veio para tão longe de sua pátria?
-Ah, aqui eu não conheço ninguém, posso limpar até privada e ninguém saberá!
-“Seu” Latinildo, nós os Finlandeses somos meio difíceis de entender as coisas dos latinos e, então  quer dizer que saiu do seu país onde acordava onze horas ou meio-dia porque não encontrava  emprego na sua especialidade e mesmo passando necessidades, nunca procurou ocupação em outra atividade?
-Nós latinos somos muito orgulhosos!


-Perdão, "seu" Latinildo, alguns poucos dos seus que agem desta forma que o senhor está agindo  não são orgulhosos ,são burros mesmo!
-Você está me ofendendo.
-Desculpe “seu” latinildo, não fiz por mal.
E ao sair, Latinildo escutou a voz dizer-lhe:
-“Seu” latinildo, mudei de ideia...
-O que foi?- Perguntou temeroso o nosso brasileirinho sonolento imigrante.
-Ao invés de vir às seis horas da manhã ao setor de imigração amanhã, terá que vir durante três meses às cinco horas, bem antes do sol nascer.
-O que? Vou voltar para o Brasil- desesperou-se Latinildo.
E ao longe ainda ouviu o chefe da aduaneira comentar com o amigo finlandês às gargalhadas:
-Volte mesmo, preguiçoso contumaz. Aqui na Finlândia tem trabalho! Se ele é brasileiro e trata com esta falta de cidadania e desprezo o país onde nasceu, imagine entre nós o que será capaz de fazer. Farinha pouca nosso pirão primeiro, concorda?
O outro finlandês da aduaneira, calado fez apenas um gesto e muito conhecido, aqui também no Brasil, pelas costas do Latinildo:


O QUE SAI DA BOCA DOS PESSIMISTAS INVETERADOS!





OS CINCO PRINCÍPIOS BÁSICOS DOS PESSIMISTAS:


-As coisas podem piorar,você é que não tem imaginação

-Quando tudo vai indo bem,algo vai dar errado.

-A fila do lado sempre anda mais rápido.

-Não se chateie com a programação da tv: amanhã será muito pior.

-Se você está se sentindo  bem, não se preocupe.Isso passa.


E O QUE ELES ADORAM FALAR:


-Não vai levantar.

- Duas vezes?Chega , cansei de tentar tantas vezes.

-Nunca vi as coisas ficarem tão ruins como estão agora.

-Não tem mais jeito é o fim do  mundo mesmo.

-Desgraça, não sei porque as frutas tem caroço.

-Estas coisas acontecem e sempre só comigo.

-Quero ficar sozinho e mesmo assim,às vezes me aborreço  comigo mesmo.

-Nossa, como são chatas estas crianças.

-Sou alérgico a flores.

-Chocolate engorda.

-Nasci pra quê?

-Que preguiça de urinar.

-Viajar?Nunquinha, vai cair o maior temporal este fim de semana.

-Não preciso de ninguém pra nada mesmo! Aliás, adoro me masturbar.

OS ASSALTOS NOSSOS DE CADA DIA!

                          




Assaltos criativos, ousados e indesejavelmente, espetaculares, tomam conta das cidades.
Já vi um paraplégico ser covardemente, arrancado da sua cadeira de rodas e o ladrão levar como se fosse uma carrocinha de pipoca, em pleno centro da cidade,
em grande velocidade gritando em tom de revolta:
- Vou dar pra minha mãezinha, sua cambada de riquinhos safados, ela também é capenga e vive se arrastando pelo chão. Vire-se, agora, seu bundão perneta!- saindo às gargalhadas.
Que cena dantesca, e ninguém agora, escapa!


Determinada ocasião, entrei numa destas lojas que vendem fechaduras de vinte e oito voltas e três paradinhas, completas ,além de sistemas de segurança altamente complexos e teoricamente, inexpugnáveis.
Um senhor que estava ao meu lado, no balcão, confidenciou-me:
-Mandei colocar um sistema de segurança eletrônico na minha casa, tão perfeito e seguro, que nem o próprio instalador, conseguiu entrar depois, na casa na hora do teste, até lembrar-se de todas as senhas e outros mecanismos. Pois, bem, uma semana depois, os ladrões subiram no meu telhado, tiraram três ou quatro telhas, desceram por uma corda e roubaram todas as jóias da minha mulher. E isto tudo, com uma simples e corda bem vagabunda.
- Levaram tudo - dizia revoltado e descrente assaltado com as novas tecnologias.
Então, para seu consolo disse-lhe que tinha um amigo, também vitima de um estúpido assalto, pois cansado de ver os meliantes pulando os muros e roubando as casas vizinhas, comprou um pitbull e depois mais cinco deixando-os soltos no quintal. Porém, os desgraçados dos assaltantes usaram um carteiro como isca - veja quanta maldade- e, enquanto, o pobre diabo entregador de cartas era mordido pela cachorrada distraindo-se, os ladrões entraram na casa, fazendo a limpeza.

Pobre carteiro. Ficou em situação deplorável, mais hoje está, totalmente, recuperado. 
Só mudou profissão, pois, hoje ...cria pitbull.
Com outro conhecido meu, formado em engenharia de telecomunicações e exímio conhecedor das mais avançadas técnicas de segurança em geral, aconteceu também, algo extraordinário. Ele mandou instalar um sistema de TV na sua residência.
Câmeras espalhadas por todos os cantos possíveis. Sempre que saía deixava o caseiro monitorando aquela parafernália de vídeos que mostravam tudo que era necessário num completo ângulo de trezentos e sessenta graus.
Pois bem, além, de ter sido assaltado, passou por um terrível constrangimento de ainda ser obrigado a ver, na delegacia, toda a gravação, do “assalto-show” com duração, aproximada, de trinta minutos feita exatamente, com seu equipamento com alta definição de cor e imagem, no mais perfeito sistema HD.
Uma cena degradante, pois, num determinado momento do assalto via-se o caseiro sendo obrigado pelos marginais a rebolar com a bunda virada para a câmera no melhor estilo, mulher-melancia dançando funk e remexendo-se na velocidade três.
Havia musica e coreografia quase profissional. E pasmem: os ladrões no final do assalto-show colocaram aquela vinheta da TV Globo, na qual se ouvia;
“A gente se vê por aqui, novamente, plim,plim”.


PÃO COM BANHA

                                                  

Coreolando Adamastor Figueira é conhecido onde sempre morou, no agreste nordestino pelo carinhoso apelido de Seu Coizinha.
É um homem rude, bom, correto que gosta sempre das coisinhas certas e nos seus devidos lugares, vindo daí esta sua alcunha.
Homem magro, poucos dentes, maltratado pelo sol, rosto enrugado exageradamente, para os seus quarenta e seis anos e já fez muito nesta vida, inclusive nove filhas com a sua dedicada esposa Dona Ernestina.
Semi-analfabeto Seu Coisinha não abre mão,no entanto de todas as coisinhas muitos certas na sua vida e na das suas filhas e família e, só há muito pouco tempo passou a ter energia elétrica na sua humilde casa de Taipa, de barro socado em rudimentares armações de madeiramento.

E com a eletricidade veio a televisão e todas as outras comodidades antes desconhecidas.Então como se diz aqui pelo sudeste maravilha a coisa começou a pegar.
A coisa que Seu Coisinha menos gosta, detesta mesmo, e diz ser obra do capeta, são aqueles programas de saliências que o deixa aperreado ao ver aquelas mulheres se roçando feito cobras em homens e os machos arretados se enroscando na frente das câmeras nelas, também.

Se nunca tinha visto televisão, aquilo muito menos, e só admite que a família veja desenhos, programas evangélicos com aquelas belezuras de músicas gospel e todo o resto lhe deixa muito irritado.
Certa vez entrevistado por uma emissora aqui do sudeste maravilha que para lá mandou seu repórter a fim de mostrar ao Brasil, o novo nordeste, e tudo sobre os progressos da região, o repórter perguntou:
-Seu Coisinha satisfeito com a chegada da energia elétrica e todo o resto aqui  na região?
-Oia seu moço, até que sim, mas essa tal da televisão,tenho lá minhas implicâncias...
-Qual a razão Seu coisinha?
-Tem muito pão com banha naquelas camas daquele tal de “realti sei la do que” e muita safadeza, muitas saliências,todo mundo mostrando as “partes”...
-Reallity Show?
-Sim, esta desgraceira, mesmo...
-E o que é Pão com banha? Pergunta o repórter sem entender nada.
-É sim senhor, o moço é da capital não entendeu, não é?
-Não seu coisinha...
-Pão com banha é esta muierada que os homi faz uso também, despois do outro ter acabado de usar ou que estas muieradas faz com os homi  despois de outras terem usado ele..


-Ah, pão com banha é isso?
-É sim seu moço, minhas filhas não podem ver isso, nem minha muiê. Não deixo.
-Entendi agora, “Seu coisinha”.
E lá se foi o repórter da capital, se perguntando o quanto de pão com banha já tinha encontrado. 
Depois de muito pensar preferiu deixar pra la, afinal, não ia mudar nada mesmo! 

É TÁ MUITO DIFÍCIL, MESMO!




-Petrolino, meu amor.
-Fala que eu escuto Raimunda.
-Estou muito preocupada com estas investigações do Ministério Público Federal, este tal de Moro, esta confusão toda.
-Raimunda minha abelha rainha, todo o país está acompanhando e ainda bem que estes safados estão sendo descobertos e indo para a cadeia...
-Mas, Petrolino estou preocupada é com você e a nossa casa.
-Explica Raimunda.
-Meu amor deixa de ser cínico e ficar se fazendo de anjinho.
-Anjinho?
-É sim, você é muito cínico e vive criticando todo mundo e chamando de capetas ladrões, mas, se estes caras batem aqui na nossa porta você vai pra cadeia.
-Pirou?
-Meu amor pensa bem, você fez gato na luz elétrica, na água, você é um gatonet...


-Gatonet?
-É sim.
-E ainda usa fita durex, grampeador, papel de impressora, os lápis e canetas esferográficas que você surrupia da empresa onde trabalha...


-Raimunda, sua ingrata, mas você, usa isso tudo também
-E tem outro jeito, Petrolino?
-Isto não é nada, eles estão atrás é de quem rouba milhões, bilhões sua feia de cara, mas, boa de...


-Olha paaaaara! Não suporto esta brincadeira idiota.
-Raimunda minha querida, você fala destas bobagens de roubinhos que faço por aqui, mas você esquece que trouxe uma caixa de bombons e cinco pacotes de amendoim, lá do supermercado, lembra? E aquelas outras “bobagezinhas” como ter colocado cinco pentes e três sabonetes na sua bolsinha quando fomos à farmácia aqui da esquina, isto você não se lembra, não é?
-Bobão você mesmo falou que eles estão procurando é quem rouba milhões e bilhões, nós somos apenas pessoas que fazemos coleções de coisinhas dos outros.Se somar tudo dá umas simples moedinhas!

-Vou rir, espera vou rir muito. Está vendo como você é uma tonta, fica falando besteiras e tem também o rabo preso.Vai procurar o que fazer Raimunda.
-Olha bem que eu tenho procurado, mas você é tão safado que, até os seus orgasmos que, antigamente eram os meus também, você tem roubado de mim, e agora entrega no domicílio daquela mulata lá do cento e dezesseis.Sei de tudo!
-O quê?

-É isto mesmo seu sonegador safado, tomara que eles batam mesmo aqui em casa , pois, só não vão levar o nosso cágado de estimação.


CITANDO O BARÃO DE ITARARÉ.


                                                    

                                                                                       
                            "Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados".
                                                                                                                               
                                                                                      Barão de Itararé.

Barão de Itararé foi como se auto-intitulou o jornalista gaúcho Apparício Torelli (1895-1971), pai do humorismo brasileiro, tinha os jornais alternativos A Manha e Almanaque, publicados no Rio de Janeiro e depois em São Paulo.
Com eles enfrentou e espezinhou o Estado Novo e os políticos corruptos e conservadores de sua época.
Por isso foi preso diversas vezes, sem nunca perder o humor, os trocadilhos e as piadas. Tanto que, cansado de apanhar da polícia secreta é repressora daquela época, colocou na porta de seu escritório uma placa com a hoje famosa frase :'Entre sem bater''.
Se ainda estivesse vivo, muito material teria para nos fazer morrer de rir, neste verdadeiro circo dos horrores que estamos vivendo.
Apesar dele sempre reconhecer que, ”tudo seria fácil se não fossem as dificuldades”, será que sobre este alvoroço que as ruas estão fazendo contra isso e aquilo, ele ainda sustentaria a tese de que: ”O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro”.
Será?
O que mais espanta todo mundo é que antigamente as negociatas eram de no máximo dez por cento pra lá, dez por cento pra cá, mas agora só se fala em milhões, bilhões e o escambau.
Os caras quebram literalmente uma empresa, fazem delas cacos inservíveis e escolhem sempre as maiores.
É tanto dinheiro saindo dos nossos bolsos e voando sobre as nossas cabeças que às vezes pensamos que o tempo mudou ou não tínhamos sido informados sobre um eclipse solar, mas descobrimos que não é nada disso e sim, aquela imensa nuvem de dinheirama da corrupção que chega a ofuscar o brilho do sol.
Tem gente que culpa este partido, tem gente que culpa aquele outro, mas tem gente também que culpa a si mesmo por não estar nem naquele, nem naquele outro, pois, afinal, se tem gente assim, a frase sobre negociata do Barão estaria explicada.
Não seria o fim de tudo se alguém criticasse a roubalheira, por não estar roubando também?
Barão de Itararé teria razão ao ter proposto de forma critica, caustica e debochada,
como o fez no passado apregoando que: ”Ou se instaura a moralidade, ou nos locupletemos todos”.
Vamos esperar que a imensa maioria deste povo brasileiro honrado, continue lutando para que políticos e empresários corruptos possam ir para a cadeia.
Concordam,portanto, que isto não tem graça nenhuma?


RESPOSTAS AUTOMÁTICAS PODEM SER UM DESASTRE.

                                   

Sou assinante de uma revista cujo conteúdo é a análise sociológica e reflexões dos fatos sociais.
É um periódico que me agrada, pois, a linguagem é objetiva, sem falsos “intelectualismos” e nenhuma obstinação de explorar a pobreza ou outras quaisquer anomalias sociais, pois, como já dizia famoso carnavalesco Joãozinho trinta, o eterno mágico das escolas de samba carioca, “quem gosta de miséria é intelectual, pobre adora riqueza”.
É por esta razão que gosto desta revista para a qual eu mandei um e-mail a semana passada e recebi como resposta automática outro, e exponho aqui os dois:

“Senhores, a reportagem sobre a situação econômica mundial e em particular a de alguns países em desenvolvimento, foi simplesmente, espetacular. A objetividade, profundidade e clareza com a qual trataram esta matéria me entusiasmou e espero que continuem assim, pois, gostaria de dizer-lhes o quanto me orgulho de vocês”.

Resposta automática que recebi da revista.

“Caro leitor,

Pedimos desculpas pelo ocorrido e prometemos envidar todos os esforços para que fatos desagradáveis desta natureza não voltem a acontecer.
Nosso compromisso é com os nossos leitores e não podemos admitir falhas desta gravidade, a qual garantimos, iremos responsabilizar administrativamente os responsáveis.
Esperamos, contar com a sua compreensão.

Atenciosamente”.


E acreditem vocês que, ainda teve um desastrado que assinou esta tal resposta automática.

CRÔNICAS MODERNAS: UM VAGABUNDO EFICIENTE.




Percinalva e Odílio se conheceram no churrasco na casa de amigos comuns que, comemoravam ninguém sabia bem o quê, mas os anfitriões sabiam e deveria ser coisa muito especial, destas que merecem um dia inteiro de outras comilanças.
Ela professora primária e com dotes educativo-pedagógicos de fazer qualquer homem querer vê-la apagando o quadro negro naquele balanço sincopado de matar de vontade o mais caído e desinteressados dos homens.
Odílio era simplesmente um macho alfa, pegador, tomava decisões rápidas e demonstrava rara competência para envolver suas parceiras desejadas, como aquele hábil malabarista do Cirque Du Soleil.

Percinalva que desde cedo tinha aprendido a manusear um giz de qualquer tamanho sem quebrar e que, a parte mais sensível do homem numa churrascada era a orgia das carnes macias, foi direto ao assunto:
-Gosta de maminha?
-Como assim?- perguntou Odílio ainda meio impactado, olhando fixamente para o decote do vestido de Percinalva que generosamente , deixava transbordar seus seios como se quisessem cair no colo do homem amado.
-Maminha de alcatra, menino bobo.
-Ah, sim adoro...
-Vou fatiar pra você e pra mim picanha!
- Obrigado, muito gentil – e quando a professorinha deu as costas em direção aos espetos, Odílio teve a certeza de que aquela era uma mulher para centenas de talheres,indo ou vindo.


Ficaram conversando à tarde-noite inteira até que a curiosidade de Percinalva, já pensando em véu, grinalda, igreja florida, padrinhos o que mataria de inveja aquela sua vizinha bisbilhoteira e olho gordo, perguntou o inevitável:
-Faz o que, Odílio?
-Eu faço de tudo – e os dois riram alto e demoradamente.
-Não é isso, você trabalha em quê?
-Percinalva...sou vagabundo!
-Como assim, vagabundo?
-Está vendo é sempre a mesma história, mas eu explico.
-Gostaria Odílio,por favor.
-Eu sempre pergunto as minhas namoradas se elas querem ser amadas tempo integral e dedicação exclusiva ou estão querendo aquele relacionamento formal de bater ponto duas ou três vezes por semana, aos sábados e domingos e rapidinho, pois, tudo tem que ser feito em quarenta e oito horas disponíveis.
-E para fazer uma mulher feliz você acha que só um vagabundo, conseguiria?
-Percinalva, o que vejo por aí é isto. Relacionamentos que duram quase nada por excesso de dor de cabeça por parte delas e  muito futebol nos fins de semana por parte deles.
-Que teoria absurda!
-Pois é prefiro ser um vagabundo e ter ao lado uma mulher plena de prazeres e sentindo-se sempre atendida como se estivessem num hotel dez estrelas de Dubai do que o contrário.
Bem, resumindo: Os dois estão juntos há mais de oito anos, cinco filhos o que corresponde a dizer que Percinalva que tem uma pele esfuziantemente brilhosa, sorrisos de ponta a ponta da boca, sempre jovial, alegre e desconhecendo este negócio de TPM, resolveu pesquisar melhor aquela tal “teoria absurda” e aprovou integralmente seus resultados. 
Fazer o que né?

MAS, LOGO NA BAHIA?

                                                        

Em cada região do Brasil, seus habitantes costumam ser vistos pelos demais deste imenso país, com características que marcam suas vidas e a do baiano é aquela gostosa vontade de comprar tudo feito para não precisar fazer rigorosamente nada, de andar bem devagarzinho quase parando, numa espécie de indolência que, ficou sendo marca registrada, destes nossos simpáticos irmãos pátrios.
E o anedotário sobre os baianos é muito grande ao falar da sua preguiça como esta aqui:

-Três horas da tarde. Dois baianos encostados numa árvore à beira da estrada. Passa um carro a grande e velocidade e deixa voar uma nota de cem reais, mas o dinheiro vai cair do outro lado da estrada. Passados cinco minutos, um fala para o outro:
— Meu rei, se o vento muda a gente ganha o dia!

E foi na Bahia que uma marca de preservativos achou de instalar um Motel-balão em plena avenida dos desfiles que dava direito para que os casais durante dez minutos pudessem fazer suas “saliências”, quer dizer, praticar suas intimidades sexuais.
Dez minutos?


Só pode ser brincadeira.
Imagine um casal de baianos subindo naquele balão e combinando como se seria as intimidades em dez minutos:

-Meu rei, vem por cima.
-Vou não, vem você ôxente.
-Meu rei, por cima você comanda esta festa da carne, coisa mesmo de macho baiano.
-Quero não, vem você minha fêmea linda.
-Ta bom meu rei, então pensa noutra coisa que não precise fazer você levantar.
-Penso não, dá trabalho. Minha cabeça vai estourar.
-Que preguiça meu rei.
-Sim, ôxente como você adivinhou?
-Mas meu rei, só temos agora dois minutos, vem de ladinho então. De ladinho bem rápido.
-Vou não ôxente e a culpa é sua, minha rainha, ficou exigindo de mim o que não posso. Você pede coisas demais.
-Como meu rei...Ah, que droga, já estamos descendo, acabou e nada,nada,nada, meu rei.
-Culpa sua, minha rainha e ainda por cima fiquei muito cansado de tanto ouvir suas ordens.



BOCHECHOS TELEVISIVOS.

                                                          



Bem deixa eu lhes dizer uma coisa: Eu-e isto talvez seja problema só meu- acho que entre seres humanos alguns tipos de privacidade devam ser sempre mantidos sem que deixemos que, terceiros a invadam.
Neste particular o banheiro é um destes altares maiores no qual, todos os deuses que se prezam não permitem serem vistos ou pegos em delito flagrante seja daquilo que, estiverem fazendo ou de suas intenções ao entrarem ali.
Pensa bem: Ninguém ai ao banheiro fazer a santa refeição de cada dia, quem sabe degustar aquela bacalhoada a Gomes de Sá ou qualquer outra destas maravilhas da culinária.
No banheiro também, não é lugar de se ver televisão ou ficar navegando na internet, muito menos escrever aquela poesia que está na nossa cabeça e precisa sair ou um texto supimpa que, já deveríamos ter escrito, antes.
Isto porque no banheiro, talvez com a participação de terceiros uma coisa admissível e até muito boa, é aquela chuveirada, antes ou depois, ou ainda melhor, antes e depois, cumpridas aqueles maravilhosos momentos de amor e que, entre os ais, ais, uis, uis, vamos todos nos derretendo em prazeres.
Coisa boa!

Agora, fala sério, tem gente pagando para ver o dia todo reality show, não bastasse somente àqueles horários diários que o canal expõe seus big’s disso ou big’s daquilo.
Ou seja , você paga para ver homens e mulheres escovando os dentes, por exemplo.
Coisa mais desagradável!
Os participantes enfiam aquelas enormes escovas na boca e pelo menos ali em frente das câmeras ficam uns cinco minutos naquele vai e vem oral, pra lá e pra cá, numa ginástica dental intensa e para terminar de forma épica, como um grande final do Cirque Du Soleil, enchem a boca o mais que podem de água e bochecham e chacoalham bem aquilo para depois cuspirem como enormes salamandras aquela mistura de pasta de dente e bactérias nas caras dos telespectadores. Leia-se: Nós!
Respinga até nas nossas salas.


E outra coisa é a seguinte gente: Sexo é bom, ao vivo, a cores, com odor, temperatura e muita pressão de ambas as partes, naquela sempre e insubstituível presença de corpos.
Volto a repetir: Coisa boa!
Agora, se existem pessoas que gostam ver os caras escovando os dentes  e também, de sexo virtual, nada contra, mas, por favor, existem milhões de sites e filmes pornôs que exibem verdadeiras preciosidades do gênero desde “Garganta profunda” até, “Entre sem bater”, porém, ver pessoas ficarem debaixo de edredons se mexendo, subindo e descendo, é mais sem graça do que chupar picolé sem tirar o invólucro, isso para quem faz e para quem assiste.

E o melhor é que nestes casos, você depois nem precisa ver novamente o casal cuspindo na sua cara aquela maldita lavagem de boca, pois, gente que faz os chamados filmes eróticos é profissional.
Estes amadores da telinha da televisão sepultam o bom gosto, o prazer e querem saber?

É o fim!