A DEUSA DO RESTAURANTE



Uma mulher, alta e Loira com ar de gerente-executiva, sentou-se à mesa de um restaurante no centro da cidade, em frente a que eu ocupava.Eram aproximadamente, treze horas. Estava só, ou melhor, acompanhada de dois telefones celulares e um laptop. Pele bonita e rósea, tratada evidentemente, com os melhores produtos à venda neste eclético paraíso de cosméticos cuja, excentricidade dos produtos, hoje oferecidos, vão desde o creme de leite anti-rugas de ovelha prematura da África do sul, até a loção de seiva, da ova de caranguejo macho australiano e, que serve para qualquer coisa! Sim, aquela massa corpórea era uma única e preciosa peça que a engenharia divina teria deixado escapar caprichosamente, da sua tornearia de fazer belezas. Uma dádiva dos céus. Ali estava uma máquina infernal, moldada com o carinho que se fabrica uma Ferrari Testarossa. Um clone de deusa que escorregou das alturas sagradas do Olimpo grego.Olhou-me. Simplesmente, olhou. Garanto-lhes, no entanto, que ela não deve ter gostado do que viu pelo ar impassível e displicente do seu rosto que, aliás, abrigava um nariz aquilino , empinado o necessário para demonstrar certo ar de atrevimento , e bem mais lá por baixo, magistrais coxas que, mesmo cobertas, para um bom conhecedor, poucas curvas bastam para se imaginar o conjunto da obra.Ao sentar-se, o fez com a elegância de uma garça, jogando todo o cabelo para trás. A mulher quando mexe, balança, e ajeita muito o cabelo, esteja certo, está insuando sua sensualidade e expondo-se ao corpo- a- corpo.Chamou o garçom pedindo sugestão de uma comida bem leve. Instintivamente gritei:


- Eu... Eu insisti! Estou vinte quilos abaixo do normal. Comida mais leve não existe. Não tenho nenhuma gordura, pouquíssimos açucares mínimos carboidratos, colesterol zerado e pouquíssimo sal. Estou, praticamente, desidratado, principalmente, depois deste verão tórrido aqui no Rio de Janeiro.Todos olharam para mim. Lembro-me ter ouvido uma agressiva manifestação verbal. Era alguém me chamando de babaca. No entanto, eu estava dizendo a pura verdade. Por outro lado ,não sou tão grande assim. Bem cortado, daria certinho dentro de um prato raso ou, mesmo de sobremesa. Bem, fantasia à parte, imediatamente, caí na realidade, e a loira de boca num copo de vinho tinto. O garçom sugeriu-lhe um caldo verde com torradas, o que foi imediatamente aceito por ela.Chamei o meu velho amigo garçom, e ao seu ouvido sussurrei:




- Leva estes restos de rabada nojenta e pegajosa da minha mesa. Isto aqui está parecendo um campo de batalha.Limpa a toalha. Parece que eu andei chafurdando num chiqueiro. Esconde esta garrafa de cerveja. Bebida de pobre! Educadamente, o garçom respondeu:

- Sim senhor, douuuutor!Percebi que a palavra “doutor”, sobressaiu, propositadamente, muito mais alta na frase e pronunciada com um inusitado vigor. Entendi o propósito. Apesar da “força” do amigo garçom, naquele momento, ela estava falando com os dois celulares ao mesmo tempo. Eram celulares tão pequenos que se ela não tomasse cuidado, poderia engoli-los junto com o caldo verde. De repente nossa loira, aveludada, macia, exalando um odor de fêmea no cio, deu uma cruzada de pernas tão generosa que pude sentir até a textura, singeleza e maciez daqueles pelinhos loiríssimo, tipo pêssego, e que certamente povoavam seu corpo, em regiões muito mais generosas e interessantes a serem exploradas. Apesar do pouco que já tinha visto, estava muito grato e satisfeito aos deuses do amor, da felicidade e da beleza e por que não dizer, com a libido batendo palmas! Em seguida, o garçom trouxe-lhe o caldo verde e, enquanto ela o sugava, algumas tiras um pouco mais longas de couve que, boiavam naquele néctar de batata, ficavam penduradas entre os seus róseos e carnudos lábios e o prato. Com a perfeição de uma autêntica profissional da degustação, ela os levantava com a ponta da língua enrijecida e os chupava ainda mais, vigorosamente - nossa, chegava a arrepiar! - para dentro da boca, como se fossem longos pedaços de sedução!Uma mulher como aquela na guerra do Peloponeso, por exemplo, lutando ao lado dos 300 de Esparta com um modelito de couro provocativo e aqueles enormes seios arremessando-se para frente , implorando liberdade, jamais teria perdido a batalha para os Persas. Quem iria prestar atenção naqueles soldados gregos cabeludos? Xerxes, o valoroso comandante persa, seria o primeiro a se enfiar com ela em qualquer brecha do Estreito das Termopilas , abandonando a batalha e mandando aquela guerra chata e calorenta, literalmente, para casa do cassete .Nestes meus devaneios, fiquei distraidamente, tirando com a ponta da unha, um pedaço de carne da rabada que havia ficado presa entre os meus dentes, quando o garçom amigo e, torcendo pela minha vitoria, alertou-me para o fato de que eu estava parecendo um animal ensandecido, ao ficar cutucando os dentes. E foi taxativo:

-Nem a unha, nem palitos, por favor.

Ainda alertou-me que o zíper da minha calça estava aberto. Era natural, pois a pressão externa era cada vez maior. Sentia fogaços por todo o corpo apesar, do ar condicionado. Enquanto isto, a loira já tinha terminado seu discreto e leve jantar.Chamou o garçom. Perguntou-lhe onde era o toalete. Levantou-se e foi na direção indicada. Instintivamente, levantei-me, também, indo ao seu encontro,quando uma grande, pesada e providencial mão do nosso querido garçom, puseram-se sobre os meus ombros empurrando-me, vigorosamente, contra o assento prevendo minhas mórbidas intenções.Ao voltar do toalete, pediu a conta. Recusou o cafezinho. No entanto, solicitou uma determinada marca de charuto. O garçom disse que não tinha, mas na tabacaria ao lado, certamente, deveria ter e que ele mandaria comprar. Minutos depois chegou o tal charuto, que pelo tamanho e grossura parecia ser mesmo um míssil cubano. A loira então, tirou delicadamente, o invólucro de papel idêntico a um anel daquele roliço artefato, deu uma dentadinha bem na ponta do charuto, e eu instintivamente senti um forte pulsar nas chamadas partes baixas, a ponto de verificar que o zíper tinha aberto novamente.Fechei-o!Pediu ao garçom para acender e ele desmanchando-se em desculpas disse que não era permitido.

-O quê? Quem vai me proibir de fumar? - replicou a fêmea em cólera.

-Minha senhora, a gerencia, infelizmente não permite - ponderou o garçom.- Pois bem, chama este gerente idiota , porque vou dizer-lhe umas verdades cara a cara! Eu fumo charuto desde os dezessete anos quando meu pai ainda era fazendeiro lá nas terras do Rio Grande do Sul. Tenho que fumar depois das refeições, senão enlouqueço e sou capaz de quebrar esta porra toda!Atônito, sem ter a mínima noção do que fazer o garçom se retirou em direção a gerencia. Enquanto isto, alguns clientes começaram a gritar de forma provocativa:

- “Fuma, fuma, fuma!”. E a outra banda podre, bradava: “quebra, quebra, quebra!” .Aquela reencarnação grega era, sem dúvida nenhuma, a verdadeira deusa Afrodite ou quem sabe, HeIena de Tróia. Desesperada a fumante gritou ensandecida:


-Faço um escândalo, tiro a roupa nesta espelunca !- Esbravejou.
Aí foi demais. Ante aquela santa ameaça, meu zíper explodiu!

QUATORZE DE MAIO


Certos diálogos deveriam chamar-se de triálogos, tal a sua singular característica, seja pela inesperada conseqüência ou porque transformam vidas, demonstram cruamente realidades e, principalmente apontam para os seres humanos, como eles caminham muito próximos da

bestialidade irracional. Exemplo?


Acompanhem este curto e grosso diálogo, entre a esposa gentil e educada e o marido um pouco, talvez, muito estressado, logo de manhã ao acordarem.


-Benzinho, sabe que dia é hoje?- Pergunta a mulher com voz meiga e insinuadora.


-Que dia o quê? - ignora o marido.-Meu adorado, calma. Sem estresse. Deixa eu te fazer uma massagem.


-E se durante a massagem eu...


-Aí eu também... (risos, muitos risos, verdadeira tempestade de risos!).


-Faz aquela massagem...-Já sei amor. Mas “aquela” não é massagem, chama-se masturbação, não é queridinho? Vamos dar os nomes certos, para as coisas certas. Eu falei massagem, mesmo!


O que você está insinuando é...-Chega professora, Kama Sutra. Mas faz... (novamente, risos, muitos risos e algumas gargalhadas!).


-Lógico amor, mais enquanto eu faço diz pra mim: que dia é hoje querido?-Depois eu lembro...-Eu lembro pra você, hoje é dia quatorze de maio...


-Certo quatorze de maio, mais continua, não pára...-Êta, homem sem graça, não faço mais nada...


-Está bom desculpe.Os dois se levantam e ele a segura pelo braço e a arrasta até sua escrivaninha, liga o computador, vai à sua agenda e vê que no dia quatorze de maio é dia de pagar a luz, o Iptu, telefone e o cartão de crédito. Vira-se para a esposa e pergunta :


-Até que horas mesmo é possível pagar estes troços?-Até as vinte e uma horas, mais ainda não são nove horas da manhã.


-É mais eu vou pagar logo isto, depois da massagem, ta queridinha?-Negativo, acabou massagem, masturbação, sexo, sacanagem, acabou tudo...-Mais benzinho. Ta bom eu pago depois , vem cá...


-Tira a mão de mim “seu” sem graça, chato, você perdeu o romantismo, a memória, nosso casamento está um lixo.-Lixo?


Eu acabo de acordar, você me pergunta que dia é hoje, a gente descobre que é quatorze de maio.


-A gente é uma ova, eu digo que é...


-Está bom, grandes coisas você se lembrar que dia é hoje, porque eu e que me lembro que é dia de pagar um monte de despesas e boletos, me disponho a pagar, e agora você fica histérica, por quê? Se eu pago tem briga, se não pago tem briga. Estou ficando de saco cheio deste nosso relacionamento...


-Então, pé na rua. Telefona pra aquela tal de Lílian...-Não, Lílian outra vez não.-Então a Marta ou Judith...


-Mas são as minhas primas...


-Que você já comeu sim!-Meu Deus, como você tem a cabeça doente...


-É melhor ter a cabeça de cima doente, do que ter a de baixo, como a sua: imprestável!-Eu sou muito macho, ta ouvindo?-De ouvir eu já estou cansada. Quero é ver, sentir e comprovar.-Ah, ah, sentir!Na cama, o máximo que você sente, é o tempo passar...


-Mulher precisa de homem...-E homem precisa é de mulher. Vou repetir: mulher!


-Quem é homem aqui?-Eu, muito homem, você é que só pensa em estourar meu cartão de crédito, comprando estas bugigangas aqui pra casa...-Também com aquela mixaria de crédito que você tem, estoura logo. Fique sabendo que o crédito do cartão do marido da Laura é dez vezes maior do que o seu...


-Eu quero que o marido da Laura vá pra...


-Olha seu desbocado, para com esta mania de palavrões.Um rotundo, silencio, domina o ambiente que, logo é preenchido por uma rajada de choro daquela pobre mulher que entre uma puxada de catarro e outra balbucia:-Seu ingrato, hoje é catorze de maio, dia do seu aniversário...


-Quatorze... Meu Deus, meu amor, me desculpa!E aí, começam acaloradas massagens bem mais amplas e generosas, calientes e avassaladoras. Que lindo! Entre soluços, tosses e espirros, ambos começam a ficar com os rostos, fartamente, lambuzados de lágrimas e salivas um do outro, quando de repente a porta do quarto de abre, o casal se cobre rapidamente, e aquele maravilhoso menino, orgulho e filho do casal grita :


-Papai, hoje é dia quatorze de maio...
-Eu sei meu adorado filho...
-Se já sabe, então não se esqueça de pagar a escola.Tchau!

PAULO, A LIGAÇÃO ESTÁ HORRÍVEL.

CARTA ABERTA À NOSSA PRIMEIRA-DAMA.

O hilário episódio no qual, numa das intermináveis viagens internacionais do presidente, ele "esqueceu" a senhora dentro do carro, pode ter sido um processo psíquico que a psicanálise Freudiana denomina de ato falho.Os atos falhos, Dona Marisa, são ações inconscientes que estão em nosso cotidiano; são coisas que dizemos, fazemos ou queremos e que um dia tínhamos reprimido, nas sem querer num determinado momento, deixamos escapar. Freud apesar da sua genealidade errou muitas vazes.No entanto, pelo sim pelo não, as visitas entre esta charmosa presidente da Argentina e o seu (nosso) Lula, têm sido muito constantes.Sem querer descobrir chifre em cabeça de cavalo ou tornar-me seu indesejável profeta do apocalipse conjugal -que tanto a nação brasileira admira e respeita -lembro-lhe, no entanto, que Marta Suplicy foi cooptada por uma grande paixão e logo por quem? um argentino! Se já é intolerável perder para eles no futebol, imagine entregar-lhes nossos doces amores.Cristina Kirchner não é de se jogar, apesar de que -não é patriotismo barato nem ufanismo descabido -mas este seu ar de uma certa ingenuidade lhe confere -e o digo da forma mais respeitável - um certo charme incomum.Atrás de todo grande homem existe sempre uma grande mulher.Mude de posição Dona Marisa, passe a ficar ao lado de Lula.Algumas das afirmações do Lula me deixaram ainda mais intrigado, quando diz: "Eu estabeleci um vínculo de amizade com os presidentes da América do Sul. Não é só uma relação de Estado para Estado” Não é só uma relação de estado para Estado? Então realmente está pintando um tango neste meio-campo? Repare bem , dona Marisa que as solenidades onde os dois se encontram só começam, após encontro reservado entre os presidentes Lula e Cristina Kirchner Precisa ser reservado? Nós temos absoluta certeza que entre o caráter e a formação de Lula e o do Clinton existe uma imensa diferença. No entanto, todos nós sabemos também, o que aquela estagiária, com aquela boca nervosa, fez e as muitas estrepulias do chamado sexo alternativo por ela praticada. E veja dona Marisa, era uma simplória estagiária.Agora imagine esta presidente da argentina- que por sinal é até bem gostosinha- do que seria capaz! Lá como aqui, homem é homem.Ainda mais latino! Portanto, Dona Marisa desculpe-me a intromissão na sua privacidade presidencial,mas se existe um fato político que uniria todas as oposições destes país numa fulminante invasão a terra destes nossos muy amigos hermanos seria esta perda irreparável para a nação brasileira. Lula está parecendo muito devotado a causa portenha.Pelo sim, pelo não, aceite minha sugestão, use também a Abin.

A MEDICINA NA IDADE DA PEDRA













Em minhas pesquisas sobre os avanços da medicina, tenho constado evoluções formidáveis, por um lado, mas por outro, chegado a conclusões pouco lisonjeiras sobre a arte de efetivamente facilitar algumas das necessidades práticas do ser humano. Temos que reconhecer muitos avanços, pois até pouco tempo atrás o cara era operado, usando-se como anestesia o clorofórmio, uma substância maldita que fazia os pacientes vomitarem até as vísceras. Afinal, a medicina do grego Hipocrates, nascido em 460 ac, e que nos deixou sua imortal obra Corpus Hippocraticum, como se vê é uma ciência bastante antiga.Ora, apesar de transcorrido todo este tempo à medicina ainda não descobriu nada que faça com que o ser humano, deixe de defecar e urinar. Eu sei que peguei você de surpresa. Nunca tinha pensado, nisto, concorda? Mas, em pleno terceiro milênio ainda fazemos estas coisas,exatamente como fazia o homem de Neanderthal. Não é uma pobreza de conduta? E são seis bilhões de seres humanos e seus poluidores órgãos excretores que, diariamente, colocam para fora suas matérias orgânicas imprestáveis! Quer coisa mais antiga e primitiva do que isto? É inadmissível supor-se que parte de tudo aquilo que ingerimos tenha que ser expelido em pleno limiar de um novo milênio e exatamente, como há milhões de anos atrás. Imaginem o tempo médio que um ser humano passa sentado no vaso sanitário. É verdade que os do gênero masculino, para uma simples urinada o fazem com mais simplicidade de postura. As mulheres, neste aspecto, levam real desvantagem, pois sentam, levantam, sentam...No entanto, há suas compensações.Mulher não precisa fazer a barba, exame de próstata com aqueles urologistas bem dotados de dedos anelares, ter que na relação sexual provar que realmente está pronto para o embate, enfim, apesar de atualmente, ficar cada vez mais difícil encontrar diferenciações entre os sexos, estas me pareceram as mais óbvias.Com relação a estas obrigatórias e indesejáveis excreções humanas a medicina não tem tido a mesma criatividade como já demonstrou para no tratamento de outros órgãos. Se os mesmos princípios da ponte de safena colocados no coração, por exemplo, fossem aplicados aos órgãos excretores, poderíamos solucionar o problema. Como funcionaria? Simples. Uma ponte de safena entre o reto e o estômago, e outra saindo da bexiga, retornaria para os rins.Pronto, resolvido o problema. Seriam somente duas pontes de safenas - no coração colocam até cinco - ainda colaborariam, enormemente, com o "programa da fome zero", "crescimento sustentável" e o fim da poluição dos rios e mares, pelo ao menos por dejetos excretados pelos humanos. Já pensou que alegria as mulheres sentiriam em saber que não precisariam mais parar de falar nem para comer? Enfim, esta é uma idéia geral desta nova e revolucionaria técnica cirurgica que, sem cobrar nada ofereço a classe cientifica.Você que é um naturalista, ambientalista enfim, um guardião da natureza - e como está desempregado, resolveu fundar Ong em defesa da manutenção da vida no planeta - pense na idéia e organize uma passeata no seu bairro, exija do seu político a criação do Dia dos safenados gástrico-urinário, pressione os hospitais do SUS para que façam esta cirurgia simples e barata.Chega de só pensar em cirurgias para ter seios grandes, bumbuns grandes, bochechas grandes e siliconadas.Coloquemos pontes de safenas em nossos sistemas excretores. Já pensou a gente não precisar usar mais estes banheiros de botequins, imundos, fedendo a naftalina e limão? Pensem na extraordinária economia de papel higiênico, inclusive aqueles perfumados que nos deixam todo assado. E quantas árvores seriam salvas! Os homens poderiam deixar seu órgão genital em paz, sem precisar mais daquelas traumáticas sacudidelas depois da micção. E pensar que tem gente que ao invés de sacudir ainda torce o pobre coitado.Convoco, portanto a classe médica a parar de receitar antidepressivo e honrar o juramento de Hipocrates, com mais criatividade.

UMA SOCIEDADE EM RITMO DE EJACULAÇÃO PRECOCE.



Tudo rapidinho. Uma velocidade espetacular empurra os fatos sociais, ladeira abaixo. Valores em mutações e muito mais rápidos do que o aparecimento desta imensa variedade de novos tipos de mulheres colocadas na fruteira da libido masculina, como, melancia, morango, jaca, maçã...
E quando aparecer a mulher-pepino, aí eu caio fora!
Um dos mais famosos sociólogos contemporâneos, Alvin Toffler, em seu livro A terceira Onda, definiu a nossa sociedade pós-industrial, como Era do Conhecimento e sua característica fundamental consolidada no que classificou de: "a morte da permanência".
Tudo nesta nova sociedade da informação é transitório, efêmero e descartável. É isso que nos leva ao estresse e ansiedade, pois não conseguimos ter controle sobre a enxurrada de novos fatos e problemas que ocorrem, exatamente, como numa indesejável ejaculação precoce.
Aí lembramos da piada do coelho que durante o rala e rola, perguntou para a singela e atônita coelhinha:
-Está bom, não foi? - Pobrezinha!
A maioria das pessoas pede aos profissionais que lhes dêem parâmetros e que as ajudem a terem certeza de que são ou não ansiosas. É natural, profissionais devem realmente ser consultados, mais enquanto, você não o procura, eis aqui uma dica do dia-a-dia para uma pragmática verificação desta morbidez:
Você aperta sempre a descarga do vaso sanitário, antes de terminar de urinar?
Quando você usa o controle remoto da televisão, o faz como se ele fosse uma metralhadora?
Ao conversar com alguém, só consegue ouvir a sua própria voz?
Se isto estiver acontecendo, é mau sinal!
As coisas ficaram assim, porque somos uma sociedade em transformação e movida por uma quantidade extravagante de informações, as quais não estamos conseguindo controlar e processar inteiramente. Daí a sensação que o tempo está correndo demais.
- Nossa, já estamos quase no final de um ano que começou ontem! - quem já não ouviu esta insistente lamúria?
Traduzindo: - Eu não estou conseguindo acompanhar a velocidade das exigências sociais, e aí sobra trabalho, portanto faltam dias!
Foi-se o tempo que dava para correr atrás. Atualmente, você perde de vista! Isto tem sido inevitável.
A nova sociedade muda, portanto, hábitos e costumes antigos. E aí entra a quebra de paradigmas sociais. Então é a vez dos sociólogos tentarem explicar com outros exemplos.
Nas estradas, diferentemente do trânsito nas cidades a cooperação e a solidariedade sempre foram comportamentos usuais. Não são mais. Verifique a defasagem entre intenção e resposta.
Um homem dirigindo seu carro cruza com o de uma mulher que vem em sentido contrário. Diminui a velocidade, bota a cabeça para o lado de fora e grita para ela:
- Vaca, vaca...
- É a sua mãe! Imediatamente ela retruca, sinalizando ainda com a mão apontando-lhe ostensivamente, com aquele dedo anular do xingamento.
Coitada, ao entrar na primeira curva dá uma trombada bem no meio de uma vaca vadia que passeava na estrada.
Para tranqüilizar, no entanto, todos aqueles que acham que tudo está indo para o brejo, é bom lembrarmos que o aumento da expectativa de vida é uma realidade, no mesmo ritmo que as conquistas da biomedicina e engenharia genética vão aprendendo a ler as letrinhas do código da vida. Não faz muito tempo que você começava a dismilinguir muito mais cedo, apresentando aqueles tradicionais sintomas:
A pupila diminui, o cristalino enrijece, e, portanto, há perda de nitidez na visão e na percepção das cores, além do alto risco de catarata. Ou seja, estão apagando a luz! Você está entrando novamente na idade da remela.
Além da luz, o som, também está meio confuso e baixo, parece estação de rádio mal sintonizada. Isto se chama surdez.
E os pulmões? Se você fuma, além de um pantanal de nicotina, nele impregnado, estará ocorrendo perda de elasticidade dos alvéolos. Sente-se falta de ar e pouca vitalidade. Pode apostar num indesejável enfisema.
Barriga? Bem, repare que você já tem alguma ou total dificuldade de ver, em toda sua plenitude e exuberância de tempos idos, o seu escondidinho órgão genital. O excesso de tecido adiposo acumulado nesta região, provoca diabetes, problemas cardiovasculares e, dependendo do estágio, impede, definitivamente, de você beijar na boca, estando de pé. Pense bem o que você está perdendo!
Suas artérias endurecem - não se entusiasme, são só as artérias, pare com estas fantasias - elas entopem, algumas estouram, vem à hipertensão. Quer mais? Os rins começam a fazer greve e seu jato de urina que, antes parecia uma mangueira de bombeiro, agora está mais para uma bica de casa, sem água na caixa. Se pingar, já é lucro!
A sua próstata precisa também ser verificada através da introdução - sadomasoquista - de um dedo através da única via mais próxima, para procrastiná-la. Nem vou aprofundar!
Enfim, tudo isto agora ficou para muito mais tarde. Vive-se muito mais e para agradecer a Deus por estas mudanças seria muito bom você deixar seu carro em casa, não jogar colchão dentro dos rios, aposentar a motoserra, esquecer os agrotóxicos, não fazer contrabando de animais, parar de poluir o céu, a terra e o mar e por uma robusta e definitiva razão: é por aqui que nós vamos ter que nos aturar por muito mais tempo. E agora quem começa a dismilinguir é o planeta. Se é que me fiz entender!

A NOVA MULHER SE ESCREVE COM BOM SENSO



A nova aparência feminina continua inalterada. Traços faciais emoldurados por cabelos sempre cuidados, sobrancelhas acertadas milimetricamente com pinças, lábios pintados por reluzentes batons, brincos dependurados e colares cada vez mais criativos entre outras demonstrações explicitas de vaidade.
Descendo um pouco mais, notamos que o seios - salvo alguns acidentes de percurso e algumas descompensações no alinhamento - continuam um ao lado do outro - na maioria dos casos - e alguns tantos maxi-siliconados, daqueles que dispensam até os airbags originais dos seus carros. Como os americanos do norte sempre insistiram em chamar estas imensas bolotas, de seios, aqui pelo cone sul passamos a adotar a mesma nomenclatura.
O homem latino sempre teve em relação ao seio uma certa parcimônia, afinal emotivo e muito apegado às lembranças da infância, tem nas recordações maternas o mais puro sentimento relacionando aquele seio bom e provedor da vida. Isto causam –lhes, por vezes, reações paradoxais. Afinal, dizem que onde se ganha a vida não se come à carne. É assim? Não acho que o ditado é diferente, sei lá!
Apesar de que estas rememorações serem muito relativas e pouco consistente, na hora que os instintos de reprodução explodem testosterona até pelos ouvidos. Afinal, se estas coisas de sentimentalismos em relação as nossas infâncias fossem mais forte, a ato sexual ficaria
inviabilizado, pois, todos os homens vêm ao mundo e saindo do mesmo lugar e nem por isso, revelam surtos de inapetência pelo órgão feminino responsável pelo passaporte de suas sobrevivências. Pelo contrário são tão cobiçadas que a própria natureza as escondeu bem discretamente, porque senão nenhum homem sairia de casa para trabalhar! Escondidinhas já são achadas insistentemente, imaginem escancaradas! A natureza é sábia.
Olhando-as de trás - vemos que apesar da mulher melancia exagerar um pouquinho - a visão que nos entusiasma, é mesmo esta parte especialíssima delas, incluída como a preferência nacional masculina. Nem os poetas se atrevem a colocar o bumbum como suas obras eternas de rimas. A não ser os amadores e iniciantes que o fazem de maneira chula!
No entanto, não é por fora que deveremos analisar esta tão discutida e anunciada Nova Mulher e nem inspirados em serie da cinematografia televisiva, pois esta mulher não é moda, não está correndo atrás de audiência. Estão sendo formatadas por seus novos hábitos, usos e costumes, síntese de muito aprendizado anterior que parece lhes colocou no meio termo ideal.
Realmente, a Nova Mulher é jeito interior se ser. Suas ações, preferenciais ou ao portador, parecem estar mais valorizadas na bolsa dos valores sociais e, hoje renascem das cinzas como mulheres menos sôfregas, lamurientas, inseguras, com paranóias ou idéia fixa de casamento como forma de sobrevivência, lar, filhos e cheiro de fraldas usadas de bebes nas mãos, mesmo depois de bem lavadinhas.
Par
ece que aquele bando de mulheres meio perdidas na confusão daquelas mudanças iniciadas nas décadas de 60 e 70, radical nos seus conceitos de liberdade e emancipação assustou o homem e, tiveram até que inventar o Viagra. Afinal o que interessa ser radical e ficar na mão? Homem, realmente foge de mulher-Maguila.
Esta Nova Mulher é o meio termo que aprendeu a ir à luta por espaços sociais e não lutar contra o homem ou a ele querer igualar-se. Após os anos mais frenéticos dos movimentos feministas, parece a que a Nova Mulher foi se esquecendo daquelas lideranças femininas que falavam com voz muito grossa, fumavam charuto, estavam sempre dispostas a partir para a violência e tratavam o homem não como parceiro, mais sim, como adversários.
A N
ova Mulher é sábia. Não quer confronto, admite as posições diferenciadas, não radicaliza segurança nem se deixa levar pela submissão, porém sabe que não devem cometer algumas impropriedades, pois não fazem parte da natureza feminina como:
- Falar palavrões, palitar os dentes, sair dos banheiros dos restaurantes ainda abotoando o zíper, ir aos jogos de futebol de chinelos e ficar com pés enegrecidos, cuspir feito lagarta como se estivesse participando dos famosos cuspe à distância, ter chulé, cheiro debaixo dos braços, mau hálito, fazer gestos obscenos com as mãos daqueles bem conhecidos, discutir no trânsito, berrar na rua, andar feito homem embalançando o corpo feito malandro, fumar, beber e ficar com a boca cheirando a alambique de quinta categoria, viver se jogando nos pescoços dos homens, beijá-los na boca em público para mostrar aos respeitáveis transeuntes que não é um beijo técnico, facilitar excessivamente a transa, transar por modismo, achar que o trabalho é primordial à família, privar os filhos do colo insubstituível, e não ter consciência que o homem até colabora, mas é ela quem educa a ninhada. Não tem saída!
Por outro lado, e absolutamente paradoxal que apesar desta Nova Mulher emergente, nunca se constatou tamanha perda da identidade feminina como atualmente. Mulheres que só têm como ideal:
- Fazer um book para mostrar nas agências, participar de programas que as promovam a pousar nuas em capas de revistas, usar o corpo como matéria de troca, esquecer que pensa, ter com ideal casar com cantores ou jogadores de futebol, acreditar que garota de programa é uma profissão como outra qualquer, pensar que beijar na boca e o mesmo que comer pipoca, dar mole, dar muito e dar errado!
Gostaria de colocar estas contradições para discussão.

PARA TODA A ETERNIDADE.

O ditado: “Aqui se faz, aqui se paga”, nem sempre corresponde exatamente, a verdade. Que se paga, paga, no entanto não precisa ser necessariamente, aqui. Algumas vezes, dívidas nos acompanharão pela eternidade. O que lhes passo a narrar tem como cenário uma casa de classe média igual a todas as outras, ou seja, com um televisor em cada quarto, forçando a família a só se encontrar e rapidamente à entrada do banheiro. No entanto, como toda regra tem exceção - a não ser as femininas - o casal após conviver na mesma paisagem doméstica durante muitos anos e, percebendo que, aquela mesmice entre ambos influía até na vontade de brigar, resolveu apelar para a razão mais conciliadora do tédio matrimonial: nova arrumação da casa.


Para variar a mulher, diz para o marido:
-Adamastor vamos mudar tudo!
-E você vai pra onde?
-Engraçadinho...
-Ah, só o mobiliário? Está bem!
-Adamastor...
-Sim, Mercia sou todo ouvido.
-Vou comprar dois quadros grandes com duas girafas enormes e colocar aqui. Coisas grandes e enormes mexem com a minha motivação e libido - diz em tom provocativo, olhando acintosamente, abaixo da linha da cintura do Adamastor que resolve ignorar a provocação.
-Mas e o crucifixo? Ele é grande, pesadão todo em bronze. É tão bonito...
-Colocamos ali ao lado da porta. Tem bastante espaço. E vou comprar também um imenso, muito legal de mogno que vi na feira de móveis lá em Petrópolis. Ela mede 2m de largura e 3m de altura...
-Pô, Mercia, não vai caber aqui na sala.
-Espera aí... Ah, já sei.Ali perto da porta onde a gente ia colocar o crucifixo...
-Vai mexer de novo com ele?
-Não tem jeito, senão o armário não cabe. Adamastor vamos colocar o crucifixo no nosso quarto.
-Ih, Mercia é meio chato.
-Chato por quê?
-A gente tá mandando ver aquele sexo esperto e de repente eu olho pra ele, pode até cortar meu barato.
-Ô Adamastor, deixa de bazófia, você só faz sexo comigo no dia do seu aniversário. Neste dia eu tiro de lá.
- Assim é melhor!
-Lá para o nosso quarto vou comprar, também um abajur de pé, em ferro torcido, todo dourado. Um não, dois...
-Mercia, pra botar onde? Do lado das mesinhas de cabeceira
-Mais aí vai prejudicar novamente o crucifixo, Mercia.
-Já sei pronto, colocamos o crucifixo na cozinha...
-Na cozinha é sacanagem...
-Por que, Adamastor?
-Ora, você gostaria de, além de estar ali há dois mil anos começar agora a levar gordura das frituras de pastel, batata frita e ovo na cara?
-Não vai não, seu apressado, eu vou colocar um exaustor em cima do fogão.
-E aquelas bugigangas que já estão lá?
-A gente coloca perto do crucifixo.
-Não Mercia. Misturar aqueles troços com o crucifixo, não.
-Já sei Adamastor, vamos colocá-lo no quarto de empregada.
-É uma idéia.
-Apesar de que, eu gostaria de colocar armário embutido naquelas paredes todas. A gente não tem empregada que durma em casa e temos muita coisa pra arrumar.
-Olha, Mercia vai ficar do cassete! Mas o crucifixo?
-Oh, coisa chata Adamastor, você e este crucifixo! Pronto vou guardá-lo, por enquanto, naquele gavetão da estante velha.
-Mercia, pendura em cima da geladeira.
-Não dá, pois vou comprar um freezer triplex. É muito alto. Esconderia ele.
-Você é quem sabe, Mercia.
Tudo combinado. Tudo resolvido. A casa será toda remodelada. Parece que afinal, a libido doméstica seria restabelecida, e o Adamastor, quem sabe,pense também em sexo, fora do dia do seu aniversário!
Mas... De repente, muito mais do que de repente, Mercia começa a sentir falta de ar, fica esverdeada, agora já está azulada. Infarto agudo do miocárdio, fulminante.
Dali pra frente o quadro costumeiro de sofrimentos e angustia da família.
O corpo de Mercia, após as exéquias de praxe, caminha agora pelas alamedas cercadas das costumeiras e grandes mangueiras, rumo ao túmulo: a chamada última morada!Pouco tempo depois já descansa em paz no claustrofóbico jazigo da família, todo em mármore preto. Muito bonito e excepcionalmente, decorado inclusive, por aquele enorme crucifixo agora, sim, colocado em destaque na lápide horizontal expandindo seus intensos reflexos dourados, e no lugar certo para a toda a eternidade. Adamastor chora copiosamente, afinal tinha encontrado a solução para um lugar digno para o crucifixo. Mas o que faria agora no dia do seu aniversário?




FUTEBOL ATRAVÉS DOS OLHOS DELA



-Pênalti, seu safado. Se eu fosse sua mãe teria lhe dado educação, larápio, sem vergonha!
Atônito ao
seu lado, o marido sacode-a como se fizesse força para tirar-lhe de uma espécie de crise apopléctica.Enquanto isto, a imensa torcida naquela arquibancada de um Vasco e Flamengo, exigia que os solavancos aplicados àquela torcedora pouco acostumada com a regra do esporte fossem radicalizados e mais contundentes:
-Espanca! E
spanca! Espanca!- este era o termo mais ameno, pois a maioria dos torcedores usava palavras mais ofensivas e complexas, com direta repercussão sobre a honorabilidade da mãe daquela torcedora pouco íntima das regras futebolísticas.
-Shirleyne, onde você viu pênalti, sua maluca? Pênalti é só dentro da área.A jogada foi no final do campo.
-Então ali e o quê?
-Córner.Ele não marcou foi o córner.Que vergonha!E você ainda insistiu para vir com esta camisa do Flamengo para o meio da torcida do Vasco.
Enquanto isto, com a bola rolando e aquele tenso zero a zero, a torcida começou a entrar em grau máximo de fúria e ansiedade.Shirleyne, logicamente passou a ser o alvo preferencial da fúria incontida daquele bando indisciplinado. Levou com um picolé na cabeça, jogaram centenas de
copos, cheios de todos líquidos possíveis, inclusive os orgânicos e ainda mornos, uma verdadeira saraivada de bolinhas de papel e materiais assemelhados.Em pouco tempo, Shirleyne parecia um pinto molhado pegajoso e à sua volta um desagradável cenário de lixeira.
-Viu Shirleyne. Que vergonha! E você ainda está com este pau ai na cabeça.Tira isto daí.
-Na cabeça? Que desperdício!- lamenta a torcedora desqualificada.
Puxada vigorosamente pelo braço do vascaíno, seu acompanhante, tenta agora se livrar da tresloucada torcida do seu adorado clube, que aquela irresponsável jogara contra ele.
-Vo
u subir esta arquibancada e falar com eles – ameaça.
-Maluca, eles lhe trucidam, tiram a sua roupa, te curram.Você vai para o livro dos recordes, como a mulher currada por toda uma torcida adversária. Vamos embora.Vamos para uma zona neutra.
- Bem que ando merecendo uma recompensa destas...provoca Shirleyne.
Finalmente, salvos daquela inevitável balburdia, foram sentar-se num local mais protegido na arquibancada e cuja presença de quatro policiais, fortemente encassetados - sinômino daqueles que portam imensos cassetetes e prontos para usá-los - vigiavam alguns poucos torcedores, pois afinal ali era o pior dos piores lugares do estádio. Destes que você vê o campo na diagonal e torto.
Não havia outra alternativa, entre perder um bom lugar ou a vida a primeira hipótese era mais do que compensadora.
-Está vendo o juiz de amarelo não quer mais jogo.Viu como eu estava certo, seu metidão!

-Que juiz, Shirleyne, pelo amor de Deus! Aquele é o gandula que apanhou uma bola que estava a mais, dentro do campo. Juiz é o de preto, sua...
-Juizes, então. Pois tem três de preto – arremata com um nítido ar professoral e superior.
-Os outros dois são os bandeirinhas, cala esta boca sua maldita.Até os guardas estão debochando de você. Daqui pra casa. Cala a tua boca!
Contrariada, fungando e olhando de soslaio para aquele parceiro repressor, Shirleyne só mexia as pernas como se estivesse driblando alguém, imag
inariamente.
- Fecha estas pernas que coisa ridícula. Pára de se mexer, de ficar rebolando, como uma doida.Parece um gay em carro alegórico!
-Ah, vocês são todos iguais.Agora você manda eu fechar as pernas e parar de mexer. Em “outras ocasiões”, você muda todas essas regras...
-Não seja estúpida.Pare de falar alto estas bobagens.Todo mundo está olhando.
Durante algum tempo uma aparente calmaria, se apossou daquele oceano de estupidez futebolístico, até que o juiz corre para dentro da área do flamengo e aponta para a marca do pênalti.
Shirleyne alucinada, dando pulos e gesticulando com todos os membros disponíveis desabafa:
-Não foi córner, não foi córner seu ladrão desgraçado. Depois, eu é que não entendo nada de futebol.
Os guardas balançaram a cabeça em sinal de reprovação. Dois molecotes começaram a
ofendê-la com palavras chulas, de baixíssimo calão e grosseria máxima, complementado ainda, por gestos nervosos e obscenos, segurando e balançando com as mãos as suas genitálias para ela, enquanto corriam de costas rumo a um lugar menos poluído de burrice naquele que é considerado o templo do futebol brasileiro: o maracanã.