AS DEZ MANEIRAS DE VOCÊ ENLOUQUECER SUA MULHER NA CAMA !




1-Entregar-lhe antes dos “finalmentes” e, das intermináveis preliminares, os novos talões da conta conjunta e os três cartões bancários que há tempos ela vinha pedindo, sem limite de crédito;


2-Antecipar que depois da transa você vai pedir um churrasco misto, no restaurante que ela vive elogiando.



3-Comunicar que a festa de aniversário dela será no clube.O único trabalho dela será comer.Mas não seja idiota de deixar escapar de que isto é a única coisa que ela sabe fazer bem, toda hora, inclusive de madrugada.
4-Confessar com um ar constrangido que nos três dias que ela ficou na casa da mãe nas Minas Geais, você se masturbava diariamente pensando nela.Não ria!

5-Perguntar depois de olhar atentamente para o rosto dela se ela fez botox sem o seu conhecimento, pois você não está vendo mais nenhuma ruga de expressão no seu rosto. É importante que você não a deixe sair correndo para olhar-se no espelho, pois neste caso a carruagem viraria uma abóbora.


6-Diga que vários amigos seus acham ele parecida com a Juliana Paes.Fatalmente ela perguntará quais, não seja idiota, nem um pré-corno! Silêncio absoluto.



7-Diga-lhe, depois de pingar colírios nos olhos, que ontem sonhou que ela atinha desaparecido de casa e para não acordá-la você foi chorar no banheiro.Fatalmente ela irá babá-lo completamente.Suporte aquela enxurrada de demonstrações quase histéricas de carinho e juras de amor eterno.Para aquecer uma transa, vale tudo!

8-Dê a e
ntender que você está pensando em contratar um personal training para ela que lhe foi apresentado por um amigo.Diga rapidamente que ele é a cara do Brad Pitt, e volte imediatamente a beijá-la na boca. Ela vai espernear e sacudir as ancas querendo detalhes, detalhes, detalhes...Não desgrude!Se for preciso sufoque-a com malabarismo de língua.


9-Você está pensando seriamente em levá-la para Bariloche, no final do ano.

10-Garanta que você vai dar-lhe um carro,zero quilometro em substituição aquela coisa imprestável, modelo 89, que vive vazando óleo.Depois arrume uma função bem nobre para a boca da sua amada, imediatamente, porque senão ela ficará perguntando sobre o carrão durante várias horas. E lembre-se amanhã você trabalha!

O VOVÔ ESTÁ DERRETENDO !

-Vó, vó - pergunta o netinho aflito para a avó.
-O que é netinho, o que você quer?
-Vó,
o vovô é sorvete?


- Não amorzinho, ele já está meio geladinho, mas não é sorvete.


Meu netinho, você já tem três aninhos.Que pergunta boba é essa? - responde a avó, repreendendo o pimpolho.
-Não sou eu não, vó, o vovô disse para eu aproveitar que ele já estava derretendo...
-Ah, seu avô estava brincando com você.Toma este pirulito e vai brincar.

Deoclécio, o avô sorvete era um homem já setentão.Sua mulher era dois anos mais nova. Ele não aparentava a idade, mas viva reclamando que estava ficando velho, da saudade da juventude, da época , na qual só os outros, sentiam dores, reclamavam da coluna, artrite, osteoporose, insônia e outras mazelas da idade.


Realmente Deoclécio vivia amargurado.Casado a mais de quarenta anos recusavasse a fazer sexo com sua mulher sob o pretexto de que a “velha” já tinha se tornado muito mais do que uma amiga era uma verdadeira mãe e, na verdade ele jamais admitiria levar sua mãe para cama.
Lindinha é o apelido da sua mulher, cujo nome de batismo é Deolinda e que ainda, tinha "vontades". Procurava o Deoclécio, mas ele nada.
Naquela noite Lindinha aproveitando a conversa fiada dele com o neto, puxou assunto:
-Que besteira é esta de ficar assustando o netinho, dizendo que você está derretendo? Que bobagem, homem!
-E não estou? Apanha aquela fotografia de quando eu era nadador do Vasco.
-Deoclécio, isto tem mais de cinqüenta anos.
-Então
, estou velho - arrematou com cara de inútil.
-Velho nada, vamos relembrar os bons tempos- insinuou lindinha abraçando-o na cama.


-Olha Lindinha, vou lhe pedir um favor, peça tudo menos sexo.
-Palhaçada! Eu ainda tenho vontade.

- Vontade de comer pizza, bacalhoada...Nós dois na cama, a única coisa que sentimos é o tempo passar. Não sentimos mais nada!
-Oh, Deo...
-Não senhora, nada disto!
-Então eu quero o divórcio.
-Divorcio, velha maluca? A gente não saberia viver mais um sem o outro.
-Viver? Você quer dizer o quê com viver?
Deoclecio parou de falar.Tinha medo e o orgulho ferido de dizer para a Lindinha que o instrumento de trabalho dele estava todo desregulado e sem pressão.Enfim um lixo.Seus amigos da
sua idade viviam era preocupado com a próstata, ele, porém, não tinha este problema.Então pensou que poderia experimentar o tal do viagra. Afinal todo velho tomava aquela porcaria.
No dia seguinte Deocleciano foi a uma farmácia em outro bairro, para que ninguém soubesse das suas novas estratégias e comprou a pílula.
Voltou para casa, olhou para a Lindinha, abraçou-a e disse no ouvido:
-Hoje tem!
-Ela sem entender perguntou:
-Tem o que? Jogo de futebol?
É ele com cara de macho predador, estufando os peito, ajeitando a calça do pijama que vivia caindo, falou com a arrogância dos homens espadas:
-Não, lindinha hoje tem sexo!Sexo!
Lindinha encostou-se à parede e disse:
-Não brinca assim Deo, eu fiquei até com a perna bamba. Verdade mesmo?
-Mesmo, vou tomar Viagra.
-E ainda não tomou?Toma logo.Você sempre teve medo de passar mal com isto. Toma logo duas.
Saindo de fininho rindo muito, Lindinha olhou para ele, e com um ar sedutor, mordeu o lábio inferior e saiu esfregando as mãos.
Duas horas antes do momento da batalha, Deocleciano tomou o Viagra.Passou uma hora, quase duas, ela esperando o resultado. Não tirava o olho da zona critica do Deoclecio para ver se a lona do circo armava, ou saía dalí algum coelho saltitante!
-Então Deoclecio, ainda nada?
-Nada Lindinha, eu estou sentindo é um calor estranho no estômago.
-No estômago, Deoclecio? Teu estômago está ficando duro?
- Deixa de bobagem, lindinha. Estou com uma tremenda dor de barriga.
-
Você esta suando frio...
-Vou ao banheiro.
-Vai Deocleciano, mas volta rápido.Entendeu?
Aqui de fora, Lindinha ouviu uma explosão digestiva impressionante e o olfato logo protestou:
-Fecha esta porta Deoclecio que cheiro horrível.
-Desculpe Lindinha, estou com diarréia.
-Você tomou o troço certo?
-É claro.Porque iria tomar o errado?
-Sei lá.Endureceu o lugar errado e ao invés de prazer você está com diarréia...E que cheiro horroroso, ainda bem que comprei um spray com um odor maravilhoso de morango.
-Só tinha de morango?
-Não tem outras frutas, também.
-Desculpe Lindinha, então entope este quarto de cheiro de morango, com este spray.
Durante vários minutos, Lindinha praticamente, acabou com a lata de spray de morango borrifando no quarto.O cheiro gostoso de morango invadiu a casa.Todos os cômodos.
Daqui a pouco batem na porta do quarto e Lindinha abre:
-Meu netinho, já são onze horas da noite. Amanhã tem escola vai dormir
E o netinho virando as costas, saiu chorando...
Sua avó, atrás dele, segurou-o no colo e perguntou:
-Você está com medo de dormir sozinho?
-Não, vó.
-Então o que é meu amor.
-Você mentiu pra mim.
-Eu?

-Que mentira?
-Você disse que vovô, não era sorvete. É mentira. Eu também quero sorvete de morango.
A gargalhada dos avós foi geral.

OU SEXO, OU FUTEBOL !

Algumas coisas decididamente não combinam com sexo.Enxaqueca, dívidas impagáveis, cachorro latindo na porta do quarto, vizinho brigando, calor carioca de quarenta graus acompanhado de forma sinistra por falta de energia elétrica e, na hora do futebol.Não inventa que vai se dar mal. Mas, como diz o velho ditado: ”Cada cabeça, uma sentença”, vamos aos fatos:
-Querida chega mais - diz o parceiro com cara de carente.
-Pois sim! De jeito nenhum, o jogo da seleção está começando e você só quer fa
zer um gol rapidinho, e eu? – corta totalmente o barato, aquela mulher que apesar de nunca ter usado chuteiras, sabe como dar um bico na canela do adversário!
-Que seleção, meu amor.Estou afim é de dar uma goleada nesta sua defesa – insisti o testosterona.
-Nada disso. Mesmo sem futebol a sua bola está cada vez mais murcha, imagine com a seleção brasileira jogando! Foguetório e gritaria lá fora.Apaga este facho, homem.Depois do jogo a gente coloca n
osso time em campo.
No entanto, a sabedoria daquela mulher é atropelada pelo touro no cio que vai até a sala, e empurra a televisão até o quarto. Liga e se esparrama na cama, como um sultão à espera do seu harém.
-Coisa mais chata - reclama a mulher -com você tem que ser tudo na hora que você quer!
-Não é isso meu amor, entre você e a seleção, não penso duas vezes.
-Lógico, fica com o jogo da seleção!
Conversas à parte, os dois já estão literalmente deitados e se enrolando no campo das grandes decisões amorosas. A mulher então, pede para desligar a televisão e o cara não permite. Ele diz quer escutar a hora que vai sair o gol.Ela de forma sábia retruca que:
-É sai o gol e eu entro pelo cano.Se for para escutar, liga então o rádio.
Na verdade o que ela quer ter, e merece, e a atenção do macho predador, pelo menos nesta hora. Como toda mulher quer ter preliminares prolongadas, para entrar no clima do jogo absolutamente, aquecida.Não dá certo fazer sexo com a seleção jogando.Mas, está bem ela perdeu, então vamos aos jogos, pensa ela.Seu companheiro está um pouco gordo e, por isto sempre pede para que ela facilite aquele maravilhoso evento carnal, ficando por cima da situação.Kama Sutra descreve assim a posição como sendo a do Par de Tenazez: O homem fica deitado de costas e a mulher montada nele, de frente...Só que naquela época não tinha televisão! Com plena visão do jogo na televisão, o apressadinho machão, começa então o rala e rola e coisas surpreendentes acontecem em campo e na cama.
Acabados os dois jogos ela então comenta ambos, para o marido:

-Quando a seleção perdeu o pênalti, você cravou as unhas nas minhas costas, seu safado!Olha como estou toda aranhada.
-Mas, amor...
- Cala a boca.Eu fiz o que você queria, agora vou comentar os dois jogos.Ainda no começo do primeiro tempo o Brasil perdeu outro gol cara a cara, e você ficou completamente sem bateria.Se fosse uma lanterna não acenderia, um celular não falaria...
-Não eu apenas estava arrumando, realinhando, reposicionando...
-Broxando, isto sim – diagnosticou - E tem mais, muito mais, pois você nunca gostou deste negócio de tapinha de amor não dói, e levei praticamente, um soco nos peitos quando o Brasil tomou o primeiro gol.Olha aqui como está tudo roxo!
-Querida...
-Querida é o cassete! Não foi por falta de aviso.Ou a gente faz amor ou vê futebol
Irritado e desmoralizado o cara parte para ofensiva:
-Ah é, muito bem.E como é que você sabe que aquilo foi naquela hora do jogo, e aquilo outro no outro momento da partida? Você é uma mentirosa.Ta vendo!
-Mentirosa, não, eu também estava vendo o jogo pelo espelho em cima da cama seu idiota! O que é pior foi você ficar gritando feito um louco: vai, vai, vai...
-Você sabe que eu tenho a mania de ficar repetindo isto, quando a gente está transando...
-Eu sei, só que meu nome não é Robinho!

NO BRASIL FICOU O MELHOR DOS BRINQUEDOS.

-Papai, me leva pra Disneylândia?
- O que garoto? Ficou maluco?
Ao chegar em casa ainda cheirando ao suor de todos os outros corpos que vieram se esfregando no dele, dentro do mesmo trem que diariamente viajava e sempre empanturrado de gente dependurado nas portas,sufocando e amassadndo uns aos outros de todos os jeitos ,aquele pedreiro, trabalhador e incansável havia escutado o mais um inusitado pedido do filho que, ele poderia supor, na sua simplicidade e pobreza.
-Disneylândia, meu filho? Papai é um pedreiro, não tem dinheiro pra nada.Saio de casa quatro horas da manhã e volto agora, às nove horas da noite.Ganho muito pouco, filhinho. O que ganho é insuficiente até para comer e comprar umas roupinhas para você e sua mãe.
-Pôxa,então deixa de comprar comida pra mim.Compra só pra mamãe.
-Filho aí você morre.
-Eu vou morrer é se não for a Disneylândia.Retruca o menino chorando.
-Deixa de bobagem. Um dia, papai vai pensar nisso.
Também, com lágrimas nos olhos, o pai pedreiro, mãos cheias de calo, abraçou sua mulher e ambos ficaram agarrados, soluçando, babando-se, melando-se.
Ela vez por outra assoava o nariz na camisa dele.Uma cena patética.Pateta, não.Era patética mesmo!
O menino já tinha ido para cama dormir e o pai, durante a viagem de trem, a cada solavanco pensava em antes de dormir, dar uma aliviada com a patroa.Fazer uma coisa diferente do que assentar tijolo.Mas aquele diálogo com o filho tirou-lhe inteiramente, a vontade de fazer sexo.Sentia-se impotente e com aquele gosto de derrota na boca.
-O que você quer comer-pergunta-lhe melosa e chorosa a patroa.
-Queria era tomar chumbinho, para morrer e secar como fazem os ratos. Não agüento mais ser pobre.Coitadinho do menino.Pedir para ir a Disneylândia!
-Pronto, esquece! É coisa de criança.Ele vê toda hora na televisão. É isso.Esquece.
A patroa do pedreiro era uma baiana. Mulher nova, coxas perfeitas, ancas largas que suportariam abrigar naquele generoso ventre, quadrigêmeos sem maiores esforços!
Rosto emoldurado por sobrancelhas virgens que nunca tinham levado pinça, por isso eram grossas e sensuais, lábios carnudos e umas nádegas monumentais. Verdadeira preferência nacional. Era muito conhecida na rua e sempre lembrada pelos meninos que nela se inspiravam nesta fase de exercício diário de sexo solitário.A idade das espinhas. Já os machões e ricardões da área, a viam como uma medalha de ouro olímpico a ser conquistada, um dia.Verdadeiro manjar dos deuses.
O vatapá que todo mundo gostaria cair de boca.O acarajé mais delicioso da Bahia.
Muito séria, a patroa do pedreiro sequer olhava para os lados. No dia seguinte a patroa, ainda com aquele pedido do filho engasgado na garganta, e descendo o barranco em que morava ao passar pelo bicheiro que fazia ponto na descida da ladeira, não se conteve e desabafou:
-Veja, “seu” Mãozinha, meu filho, coitadinho, ontem pediu para ir a Disneylândia.Fiquei com muita peninha dele...
-Se eu tivesse dinheiro eu pagava – interrompeu o bicheiro e olhando descaradamente, para os seios fartos, generosos e empinados da baiana. Ainda de quebra tirou um vôo rasante pelo resto do corpo dela.Uma saúde privilegiada!
-Eu tenho certeza disto, “seu” Mãozinha.O senhor é uma pessoa muito boa e querida no bairro.
Motivado por tão sinceros elogios, Mãozinha disse pra ela que iria falar com o Dedão, o banqueiro da área.Quem sabe, ele não se sensibilizaria pela vontade do garoto.Então um brilho imenso acendeu naqueles olhos cor de jabuticaba, da baiana:
-Fala com ele. Fala?- nervosamente, insistia segurando no braço do bicheiro.
-Falo. Amanhã te dou a resposta - tranqüilizou-a.
No dia seguinte quando o incansável marido chegou em casa o filho já estava dormindo.O garoto andava amargurado e muito triste.
Ele jantou uma sopa de entulho e se empanturrou de pão. Finalmente, mais tarde, deu aquela martelada na patroa, que ontem só tinha ficado na intenção.
A baiana ficou na dela.Não falou nada sobre a conversa com o bicheiro. De manhã bem cedo e nervosa, foi até ao caixote sobre o qual a Mãozinha escrevia o jogo do bicho.Ao vê-la, foi logo gritando:
-Vem cá. O Dedão quer ver você!
-Jura?
-E eu sou homem de jurar?Quer ver.Passa lá à tarde.É conversa rápida.Ele é muito ocupado
À tarde, a baiana foi estar com o Dedão.Tudo resolvido. Agora era só tinha que esperar o pedreiro chegar.Na hora de costume, ele chegou. Ela correndo para os seus braços disse;:
-Consegui a viagem para o nosso filho.E advinha para quem mais?
-Ficou maluca, mulher? Quem?
-Você meu querido!Falei com o Dedão, ele disse que sempre quis fazer alguma coisa por você. Ele acha você um homem muito trabalhador, honesto e decente, e ainda disse brincando que aquela laje que você colocou na casa dele ainda não caiu.E começou a rir.Disse que faz questão que você viaje com o nosso filho.
-E você?
-Deixa pra lá.Eu não poderia abusar tanto do senhor Dedão assim.Vai você e nosso filho.Eu fico.Nem pensa em deixar escapar esta oportunidade.
No que o pedreiro ia retrucar alguma coisa, o filho saiu pulando do quarto e começou a beijar os pais.Afinal, iria conhecer a Disneylândia.Uma semana de encantamento e fantasia. O pai ficou paralisado de tanta emoção e dois dias depois embarcaram para a tão sonhada e deslumbrante viagem.
Naquela mesma noite, bateram à porta da baiana:
-Quem é?-silêncio absoluto lá fora
Ao abrir a porta, que surpresa, o Dedão lá estava para saber das últimas.
-Entre “seu” Dedão.Fique a vontade.
Dedão não titubeou! Cumprindo fielmente, a ordem da baiana entrou e foi logo tirando a roupa.

RECUERDOS DE YPACARAÍ.



No lava-jato da esquina ouvi o mais surpreendente, aberto, franco e emocionado relato de um homem na faixa dos quarenta, que também como eu esperava que a imensa fila de carros diminuísse. Não houve intróito, parcimônia ou outro cuidado nenhum de suavizar o seguinte diálogo, entre nós:

-E pensar que já fui homossexual! - Disse-me o cara, olhando-me nos olhos, firme e resoluto.

-Parou? Parou, por quê?- insinuei uma brincadeira, logicamente pensando que se tratava de uma destas conversas passa-tempo sem maiores comprometimentos.

-Estou
lhe conhecendo agora.Vou contar-lhe uma segredo , porque jamais nos veremos. Moro, as margens do lago de Ypacaraí, no Paraguai, onde “tudo começou”, entende? Mas, embarco amanhã. Só vim para o casamento da minha filha. É verdade meu amigo, eu já fui homossexual e parei – finalizou, saudosamente orgulhoso.

Entre constrangido e surpreso comecei a rir, só para fazer alguma coisa. Ninguém fala isso assim, na lata, num lugar público, gratuitamente, para quem nunca viu. E o “ex” continuou:

-Eu tinha uns 15 anos. Achava que as meninas era o melhor lado do casal, porque podiam dar para os meninos.
Meus colegas ficavam falando delas e eu só ficava olhando e morrendo de inveja...delas.
Dizia pra mim mesmo que jamais beijaria a boca de uma mulher. Sexo, com elas nem pensar. Achava sim os meninos bonitos, sentia atração pelos seus pêlos e os meus, eu os detestava.
Vivia infeliz, pois, meus pais eram católicos fervorosos, tinham até conhecimento com alguns burocratas lá do vaticano. Meus três irmãos todos mais velhos eram homens-machos.
Um dia descobriram. Meu pai me bateu muito, minha mãe também. Ficavam revezando.
Conseguiram até que o Papa me excomungasse. Fui expulso de casa.
Os vizinhos todos souberam Fui morar com uma tia numa fazenda em Mato Grosso.
Veja como o castigo vem a cavalo. Passei a ser o prato preferido daqueles peões. Foram semanas inesquecíveis. Minha tia descobriu. Mandou-me de volta.
Meus pais e meus irmãos, novamente me encheram de pancadas e decidiram: colégio interno.
E lá fui eu. Outra surpresa. Aquele monte de garotos presos ali dentro, uns degustavam os outros e, eventualmente, até os inspetores entravam na brincadeira, não necessariamente nesta ordem. Está entendendo? -perguntava-me demonstrando absoluta tranqüilidade.

-Estou perfeitamente – respondi, meio constrangido.

-O colega também foi ou é gay?

-Não, nem fui, nem sou.

-Mas o futuro é uma incógnita, certo? (risos).
Pois bem, quando nossa família descobriu que aquilo era um caldeirão de prazer sexual pedagógico tirou-me de lá e já estava na idade de servir o exército.
Aí é que eu encontrei motivos, e elevada honra de servir à pátria Servia desde o mais simplório recruta a patentes mais altas. Aquilo era uma verdadeira churrascaria rodízio.
Ao dar baixa, minha reputação continuava em alta entre os tarados civis e militares de plantão, foi quando decidi parar.
Desesperadamente, durante algum tempo lutei contra aquela vontade maior, duríssima e muito profunda de continuar.
Finalmente, com muita terapia e noites insones, hoje estou aqui inteiramente, “recuperado” e muito irritado - irrompe num desabafo colérico.
-Mas, qual a razão desta ira?
-A razão?
-Você não lê jornais, não vê televisão, não vai ao cinema, teatro, nem a passeata gay?
Meus amigos simpatizantes, hoje são milhões desfilando suas plumas pelas principais capitais do país.Até os pais levam seus filhos para a passeata. Fazem piquenique com a família no meio-fio!
O pai ainda aponta para, os gays mais conhecidos, chamando-lhes pelo nome. Sabem o nome de todos. Os meus me encheriam de pancada! E gay de todas as partes do país e do mundo.
Desfilam de Rainha do Tatuapé, Sereia do Tietê, Mocinha do Guaraquecetuba, de fio dental, hiper maquiadas, depiladas, siliconadas, assediadas por aqueles paraibanos imensos de obras e tocam até o, hino nacional...

-Não exagera, isto é em São Paulo.

-Absolutamente, em todas as grandes capitais do país, com a presença de políticos, empresários, governadores, prefeitos, Associação de mães pró-orgulho de filhos gays, Associação protetora dos animais, foguetório, as cidades param e eu...

-Ué, você agora é um homem, segundo mesmo declarou "recuperado", deve ter filhos.

-Tenho três, todos gays.
-E sua mulher?

-Abandonou-me e foi morar com uma vizinha. É lésbica! Está vendo o que é um ser homem fora do seu tempo? Sofri , apanhei, fui excomungado, verdadeiro martírio e hoje, já há quem diga que o mundo é gay!

-Você é novo. Volta à ativa - brinquei para descontrair o ambiente.

-Amigo, meu carro já está lavado.Antes de ir só gostaria de lhe dizer que você é uma pessoinha ma-ra-vi-lho-sa, um bofe lindo, vou lhe deixar meu cartão, tem meu celular que só funciona com vibrador, e o endereço lá no bairro dos Jardins em São Paulo.Lago de Ypacaraí era tudo brincadeirinha! É só marcar: telefonemas a cobrar, casa e comida à disposição. E muito prazer é lógico...

-Mas você não disse que tinha se “recuperado”?

-Só queria despertar seu instinto paternal, moreno pecado!

E saindo correndo com os braços bem rentes ao corpo, às palmas das mãos viradas pra frente, a cabeça levemente voltada para três e para o lado, as pernas cruzando uma na frente da outra no melhor estilo de modelo Fashion, gritava:

-Nasci para bailar, pra que negar...

Ao compreenderem a inusitada cena, os fregueses começaram a rir e a aplaudir aquela mini - passeata gay, exclusiva para os freqüentadores daquele lava-jato que, aliás, tem o sugestivo nome daquela música, meio bolero, meio guarânia, bem antigo e no melhor estilo mela cueca: Recuerdos de Ypacarai.

TEIAS DE ARANHAS.



Os relacionamentos humanos, por vezes, são formatados por verdadeiras teias caprichosamente elaboradas pelas aranhas-rainhas do comportamento social.Cada uma, e a seu jeito, procura no local certo, tecê-las da forma a mais apropriada e com um único objetivo: pegar o incauto.

Caiu há teia, não sai mais. E as aranhas até que sabem as estratégias corretas, os melhores métodos e como aliciar sua futura comida. Em todos os setores da vida social é preciso ter muito cuidado, é preciso ter muita cautela, principalmente nas empresas contemporâneas, nas quais a competição e confundida com conflito.E não tem nada há ver.

Na competição o objetivo é impessoal: eu vou passar no vestibular. E estuda para isto.Já o conflito personaliza um rival e só consegue atingir suas metas destruindo, em volta!



Tem até aquela estorinha da aranha que conversava com uma borboletinha garbosa multicolorida, a cerca do perigo que a lagartixa representava para ambas.

Próximo à teia a borboletinha esticava o pescoço para ouvir melhor a aranha, sentada bem no meio da teia dizer:

-Olha, borboletinha ,querida é preciso tomar cuidado com o lagartixa.Ela não é confiável.
-É mesmo?- espantou-se a singela borboletinha.
-É isso mesmo.O lagartixa tem uma língua enorme e certeira Ela a arremessa em cima da gente e ...acabou.Lá vamos nós toda cheia de gosma para dentro da sua goela.

-Nossa minhas asinhas estão até tremendo-dizia apavorada a borboletinha como se estivesse escutando um discurso de político á época das eleições.

-Eu me admiro muito, você não saber disto.Chega mais pra cá, borboletimha que eu vou lhe contar um segredo terrível...

A borboletinha, tão depressa, quanto curiosa, subiu na teia e imediatamente a aranha lhe seu um abraço quebra ossos...
Aturdida e sem entender nada, a borboletinha espavorida, questionava:


-Mas aranha, nós não estávamos juntos, contra o lagartixa? E agora você faz isso comigo?

Ao que retrucou a aranha, do alto da sua sabedoria:

-Em matéria de negócios não existe amizade, só interesses sua bobinha.
E lá se foi à borboletinha pro brejo.

Em família a teias de aranha funcionam como um meticuloso ardil feminino para pegar aquele tipo de homem machão, metido a pegador, o rei da cocada preta, bronco, violento, que gosta de dar uns trancos na sua mulher, diz que passa todo mundo na cara, enfim um verdadeiro Tiranossauro do amor romântico, da era moderna.

Sua pobre mulher sempre subjugada a seus desejos imediatistas, seus rompantes de cafajeste da década de oitenta. Um dia ela acreditou, no inicio do seu casamento que, aquele ciúme do parceiro em trancafiá-la em casa exigindo absoluta dedicação integral aos filhos e ao lar, era uma demonstração de quão imenso era o amor daquele homem por ela.
Poucos anos depois, lá estava embrutecida, emburrecida, inculta e submissa ao dinheiro do supermercado e todas as outras despesas, sob a tutela do patrão.Um zero a esquerda, à direita, em cima e em baixo.


Então aquela mulher com cheiro de gordura durante o dia e de talco da pior qualidade à noite, e que a última vez que tinha ido ao cinema foi no lançamento do filme “E o vento levou”, incorpora, como nim passe de mágica a perspicácia da mulher aranha.


Ao chegar em casa e começar a dar as ordens de praxe à mulher, depauperada, com a


alta estima mais baixa que tanque de combustível de carro pobre, cansada de humilhação e autoritarismo do machão irrecuperável, aproxima-se daquelas orelhas do seu marido, cheias de fiapos de cabelo para fora e sussurra no seu ouvido:


-Benzinho, temos que tomar muito cuidado com este vizinho da casa da frente.Ele me olha de forma estranha...

-Estranha? Irrompe o cavalão, praticamente babando como um touro no cio, ou seja, uma síntese de todos os animais.

-Eu vou lá lhe quebra a cara.

-Não, por favor, só fique prestando atenção no jeitão dele...

E durante anos, aquele marido não tirava o olho do vizinho da casa da frente.

Mal sabia ele que na verdade, sua mulher tinha puxado o bobão para a sua ardilosa teia de aranha, pois desviara a atenção do seu marido, para o seu verdadeiro e eteno amante, o vizinho sim, mas da casa do lado!



TRANSGENITALIZAÇÃO


Toca o telefone da clínica e a secretária do médico que, iniciava suas novas atividades, exatamente naquele dia, atende:
-Alô, é da clínica do doutor Decepa.Em que posso servi-lo senhor?
-Olha, queridinha eu gostaria de saber se vocês fazem transgenitalização?

-Não entendi. Dá para repetir, por favor?
-Trans-ge-ni-ta-li-za-ção.
-O senhor,quer marcar uma consulta?
-Não, sem antes saber se vocês fazem transgenitalização.
-O que é isto, senhor?
-Minha filha, aí não é a clínica do doutor Decepa que, faz cirurgia genital?
-Aborto?
-Não, cortar o membro...
-Braço ou perna? É gangrena?
- Que gangrena. É meu pênis. Po, tá difícil, conversarmos. Você é nova aí na clínica?
-Sou, mas aprendo muito rápido, senhor.
-Minha filha, eu quero ser mulher inteira, livre deste pendurucalio, esta coisa inútil, deitado ete
rnamente em berço esplêndido.
-Nossa, ele é inútil e sonolento?
-Maneira de falar. Eu sou travesti, queridinha. Entendeu?
-Ah, sim. Desculpe o senhor é travesti, porque seu pênis é inútil e sonolento.
-Ao contrário, meu pênis é inútil e sonolento porque eu sou travesti, não gosto da fruta, meu negócio é homem, então esta “coisa” é inútil para mim.
-Bem que eu gostaria de poder ficar com ele pra mim...
-Um pênis não adianta nada. É a cabeça do dono do pênis que faz ele ficar interessante ou não
-Mas o senhor já tentou incrementá-lo?
-Não, minha filha, nem quero!
-Quem sabe eu possa fazer o senhor mudar de idéia. Coitadinho, cortar o seu pênis para virar o que eu sou? O senhor sabe quantas vezes eu já gozei na minha vida?
-Não faço a menor idéia...
-Nenhuma. E ainda fico menstruada, tenho tpm, trabalho aqui nesta
porcaria deste consultório e em casa. Passo, lavo, faço comida, limpo cocô de cachorro e vivo tirando teias de aranha do teto. Final de semana meu marido dorme até as 6 da tarde, acorda e senta a bunda no sofá, pede cerveja gelada, quibe frito, enche a cara ,vê futebol ,me estupra vai dormir novamente. É esta droga de vida que você quer ser? Cortar seu pênis para virar
mulher escrava destes machões? Ter que cuidar de seis filhos, levar para escola às sete horas da manhã, apanhá-los depois que sair do trabalho, dar banho naquele monte de cabeças, braços, pernas, fazer o jantar e deixar o almoço do dia seguinte preparado. Acordar com os olhos ardendo, o corpo todo doido e, quase sempre com enxaqueca? É para ser isto que o senhor que tirar esta sua coisinha?
Meu marido deve me cornear direto e eu só sirvo para servir. Entendeu? Todos os meus
quatro filhos nasceram de cesariana. Enfiavam agulha na minha coluna, cortavam minha barriga, davam depois uns pontos que geralmente infeccionavam e eu voltava no médico para o cara abrir e espremer aquela droga toda, uma dor incrível.E os quatro mamaram até oito meses.Eu me sinto uma verdadeira vaca! Era leite que não acabava mais. Molhava meu vestido todo e ainda tinha que aturar o pênis do meu marido a noite, à vezes de madrugada. Um animal.E ainda ficava gritando: delicia, delicia, ai, ai, ui, ui e pronto. E eu ainda tinha que me lavar, sair do quentinho da cama e o porco dormia depois, assim mesmo e ainda roncava. É para isto que o senhor quer cortar o seu instrumento de trabalho? Pra virar mulher? Alô, alô, está ouvindo? Alô...
Do outro lado da linha operou-se sim, mas uma verdadeira transgenitalização mental. Uma cabeça de travesti, às vésperas de virar mulher e que, de repente, pensou mais alto e começou a falar mais grosso:
- Virar mulher? To fora!

A DEUSA DO RESTAURANTE



Uma mulher, alta e Loira com ar de gerente-executiva, sentou-se à mesa de um restaurante no centro da cidade, em frente a que eu ocupava.Eram aproximadamente, treze horas. Estava só, ou melhor, acompanhada de dois telefones celulares e um laptop. Pele bonita e rósea, tratada evidentemente, com os melhores produtos à venda neste eclético paraíso de cosméticos cuja, excentricidade dos produtos, hoje oferecidos, vão desde o creme de leite anti-rugas de ovelha prematura da África do sul, até a loção de seiva, da ova de caranguejo macho australiano e, que serve para qualquer coisa! Sim, aquela massa corpórea era uma única e preciosa peça que a engenharia divina teria deixado escapar caprichosamente, da sua tornearia de fazer belezas. Uma dádiva dos céus. Ali estava uma máquina infernal, moldada com o carinho que se fabrica uma Ferrari Testarossa. Um clone de deusa que escorregou das alturas sagradas do Olimpo grego.Olhou-me. Simplesmente, olhou. Garanto-lhes, no entanto, que ela não deve ter gostado do que viu pelo ar impassível e displicente do seu rosto que, aliás, abrigava um nariz aquilino , empinado o necessário para demonstrar certo ar de atrevimento , e bem mais lá por baixo, magistrais coxas que, mesmo cobertas, para um bom conhecedor, poucas curvas bastam para se imaginar o conjunto da obra.Ao sentar-se, o fez com a elegância de uma garça, jogando todo o cabelo para trás. A mulher quando mexe, balança, e ajeita muito o cabelo, esteja certo, está insuando sua sensualidade e expondo-se ao corpo- a- corpo.Chamou o garçom pedindo sugestão de uma comida bem leve. Instintivamente gritei:


- Eu... Eu insisti! Estou vinte quilos abaixo do normal. Comida mais leve não existe. Não tenho nenhuma gordura, pouquíssimos açucares mínimos carboidratos, colesterol zerado e pouquíssimo sal. Estou, praticamente, desidratado, principalmente, depois deste verão tórrido aqui no Rio de Janeiro.Todos olharam para mim. Lembro-me ter ouvido uma agressiva manifestação verbal. Era alguém me chamando de babaca. No entanto, eu estava dizendo a pura verdade. Por outro lado ,não sou tão grande assim. Bem cortado, daria certinho dentro de um prato raso ou, mesmo de sobremesa. Bem, fantasia à parte, imediatamente, caí na realidade, e a loira de boca num copo de vinho tinto. O garçom sugeriu-lhe um caldo verde com torradas, o que foi imediatamente aceito por ela.Chamei o meu velho amigo garçom, e ao seu ouvido sussurrei:




- Leva estes restos de rabada nojenta e pegajosa da minha mesa. Isto aqui está parecendo um campo de batalha.Limpa a toalha. Parece que eu andei chafurdando num chiqueiro. Esconde esta garrafa de cerveja. Bebida de pobre! Educadamente, o garçom respondeu:

- Sim senhor, douuuutor!Percebi que a palavra “doutor”, sobressaiu, propositadamente, muito mais alta na frase e pronunciada com um inusitado vigor. Entendi o propósito. Apesar da “força” do amigo garçom, naquele momento, ela estava falando com os dois celulares ao mesmo tempo. Eram celulares tão pequenos que se ela não tomasse cuidado, poderia engoli-los junto com o caldo verde. De repente nossa loira, aveludada, macia, exalando um odor de fêmea no cio, deu uma cruzada de pernas tão generosa que pude sentir até a textura, singeleza e maciez daqueles pelinhos loiríssimo, tipo pêssego, e que certamente povoavam seu corpo, em regiões muito mais generosas e interessantes a serem exploradas. Apesar do pouco que já tinha visto, estava muito grato e satisfeito aos deuses do amor, da felicidade e da beleza e por que não dizer, com a libido batendo palmas! Em seguida, o garçom trouxe-lhe o caldo verde e, enquanto ela o sugava, algumas tiras um pouco mais longas de couve que, boiavam naquele néctar de batata, ficavam penduradas entre os seus róseos e carnudos lábios e o prato. Com a perfeição de uma autêntica profissional da degustação, ela os levantava com a ponta da língua enrijecida e os chupava ainda mais, vigorosamente - nossa, chegava a arrepiar! - para dentro da boca, como se fossem longos pedaços de sedução!Uma mulher como aquela na guerra do Peloponeso, por exemplo, lutando ao lado dos 300 de Esparta com um modelito de couro provocativo e aqueles enormes seios arremessando-se para frente , implorando liberdade, jamais teria perdido a batalha para os Persas. Quem iria prestar atenção naqueles soldados gregos cabeludos? Xerxes, o valoroso comandante persa, seria o primeiro a se enfiar com ela em qualquer brecha do Estreito das Termopilas , abandonando a batalha e mandando aquela guerra chata e calorenta, literalmente, para casa do cassete .Nestes meus devaneios, fiquei distraidamente, tirando com a ponta da unha, um pedaço de carne da rabada que havia ficado presa entre os meus dentes, quando o garçom amigo e, torcendo pela minha vitoria, alertou-me para o fato de que eu estava parecendo um animal ensandecido, ao ficar cutucando os dentes. E foi taxativo:

-Nem a unha, nem palitos, por favor.

Ainda alertou-me que o zíper da minha calça estava aberto. Era natural, pois a pressão externa era cada vez maior. Sentia fogaços por todo o corpo apesar, do ar condicionado. Enquanto isto, a loira já tinha terminado seu discreto e leve jantar.Chamou o garçom. Perguntou-lhe onde era o toalete. Levantou-se e foi na direção indicada. Instintivamente, levantei-me, também, indo ao seu encontro,quando uma grande, pesada e providencial mão do nosso querido garçom, puseram-se sobre os meus ombros empurrando-me, vigorosamente, contra o assento prevendo minhas mórbidas intenções.Ao voltar do toalete, pediu a conta. Recusou o cafezinho. No entanto, solicitou uma determinada marca de charuto. O garçom disse que não tinha, mas na tabacaria ao lado, certamente, deveria ter e que ele mandaria comprar. Minutos depois chegou o tal charuto, que pelo tamanho e grossura parecia ser mesmo um míssil cubano. A loira então, tirou delicadamente, o invólucro de papel idêntico a um anel daquele roliço artefato, deu uma dentadinha bem na ponta do charuto, e eu instintivamente senti um forte pulsar nas chamadas partes baixas, a ponto de verificar que o zíper tinha aberto novamente.Fechei-o!Pediu ao garçom para acender e ele desmanchando-se em desculpas disse que não era permitido.

-O quê? Quem vai me proibir de fumar? - replicou a fêmea em cólera.

-Minha senhora, a gerencia, infelizmente não permite - ponderou o garçom.- Pois bem, chama este gerente idiota , porque vou dizer-lhe umas verdades cara a cara! Eu fumo charuto desde os dezessete anos quando meu pai ainda era fazendeiro lá nas terras do Rio Grande do Sul. Tenho que fumar depois das refeições, senão enlouqueço e sou capaz de quebrar esta porra toda!Atônito, sem ter a mínima noção do que fazer o garçom se retirou em direção a gerencia. Enquanto isto, alguns clientes começaram a gritar de forma provocativa:

- “Fuma, fuma, fuma!”. E a outra banda podre, bradava: “quebra, quebra, quebra!” .Aquela reencarnação grega era, sem dúvida nenhuma, a verdadeira deusa Afrodite ou quem sabe, HeIena de Tróia. Desesperada a fumante gritou ensandecida:


-Faço um escândalo, tiro a roupa nesta espelunca !- Esbravejou.
Aí foi demais. Ante aquela santa ameaça, meu zíper explodiu!

QUATORZE DE MAIO


Certos diálogos deveriam chamar-se de triálogos, tal a sua singular característica, seja pela inesperada conseqüência ou porque transformam vidas, demonstram cruamente realidades e, principalmente apontam para os seres humanos, como eles caminham muito próximos da

bestialidade irracional. Exemplo?


Acompanhem este curto e grosso diálogo, entre a esposa gentil e educada e o marido um pouco, talvez, muito estressado, logo de manhã ao acordarem.


-Benzinho, sabe que dia é hoje?- Pergunta a mulher com voz meiga e insinuadora.


-Que dia o quê? - ignora o marido.-Meu adorado, calma. Sem estresse. Deixa eu te fazer uma massagem.


-E se durante a massagem eu...


-Aí eu também... (risos, muitos risos, verdadeira tempestade de risos!).


-Faz aquela massagem...-Já sei amor. Mas “aquela” não é massagem, chama-se masturbação, não é queridinho? Vamos dar os nomes certos, para as coisas certas. Eu falei massagem, mesmo!


O que você está insinuando é...-Chega professora, Kama Sutra. Mas faz... (novamente, risos, muitos risos e algumas gargalhadas!).


-Lógico amor, mais enquanto eu faço diz pra mim: que dia é hoje querido?-Depois eu lembro...-Eu lembro pra você, hoje é dia quatorze de maio...


-Certo quatorze de maio, mais continua, não pára...-Êta, homem sem graça, não faço mais nada...


-Está bom desculpe.Os dois se levantam e ele a segura pelo braço e a arrasta até sua escrivaninha, liga o computador, vai à sua agenda e vê que no dia quatorze de maio é dia de pagar a luz, o Iptu, telefone e o cartão de crédito. Vira-se para a esposa e pergunta :


-Até que horas mesmo é possível pagar estes troços?-Até as vinte e uma horas, mais ainda não são nove horas da manhã.


-É mais eu vou pagar logo isto, depois da massagem, ta queridinha?-Negativo, acabou massagem, masturbação, sexo, sacanagem, acabou tudo...-Mais benzinho. Ta bom eu pago depois , vem cá...


-Tira a mão de mim “seu” sem graça, chato, você perdeu o romantismo, a memória, nosso casamento está um lixo.-Lixo?


Eu acabo de acordar, você me pergunta que dia é hoje, a gente descobre que é quatorze de maio.


-A gente é uma ova, eu digo que é...


-Está bom, grandes coisas você se lembrar que dia é hoje, porque eu e que me lembro que é dia de pagar um monte de despesas e boletos, me disponho a pagar, e agora você fica histérica, por quê? Se eu pago tem briga, se não pago tem briga. Estou ficando de saco cheio deste nosso relacionamento...


-Então, pé na rua. Telefona pra aquela tal de Lílian...-Não, Lílian outra vez não.-Então a Marta ou Judith...


-Mas são as minhas primas...


-Que você já comeu sim!-Meu Deus, como você tem a cabeça doente...


-É melhor ter a cabeça de cima doente, do que ter a de baixo, como a sua: imprestável!-Eu sou muito macho, ta ouvindo?-De ouvir eu já estou cansada. Quero é ver, sentir e comprovar.-Ah, ah, sentir!Na cama, o máximo que você sente, é o tempo passar...


-Mulher precisa de homem...-E homem precisa é de mulher. Vou repetir: mulher!


-Quem é homem aqui?-Eu, muito homem, você é que só pensa em estourar meu cartão de crédito, comprando estas bugigangas aqui pra casa...-Também com aquela mixaria de crédito que você tem, estoura logo. Fique sabendo que o crédito do cartão do marido da Laura é dez vezes maior do que o seu...


-Eu quero que o marido da Laura vá pra...


-Olha seu desbocado, para com esta mania de palavrões.Um rotundo, silencio, domina o ambiente que, logo é preenchido por uma rajada de choro daquela pobre mulher que entre uma puxada de catarro e outra balbucia:-Seu ingrato, hoje é catorze de maio, dia do seu aniversário...


-Quatorze... Meu Deus, meu amor, me desculpa!E aí, começam acaloradas massagens bem mais amplas e generosas, calientes e avassaladoras. Que lindo! Entre soluços, tosses e espirros, ambos começam a ficar com os rostos, fartamente, lambuzados de lágrimas e salivas um do outro, quando de repente a porta do quarto de abre, o casal se cobre rapidamente, e aquele maravilhoso menino, orgulho e filho do casal grita :


-Papai, hoje é dia quatorze de maio...
-Eu sei meu adorado filho...
-Se já sabe, então não se esqueça de pagar a escola.Tchau!

PAULO, A LIGAÇÃO ESTÁ HORRÍVEL.

CARTA ABERTA À NOSSA PRIMEIRA-DAMA.

O hilário episódio no qual, numa das intermináveis viagens internacionais do presidente, ele "esqueceu" a senhora dentro do carro, pode ter sido um processo psíquico que a psicanálise Freudiana denomina de ato falho.Os atos falhos, Dona Marisa, são ações inconscientes que estão em nosso cotidiano; são coisas que dizemos, fazemos ou queremos e que um dia tínhamos reprimido, nas sem querer num determinado momento, deixamos escapar. Freud apesar da sua genealidade errou muitas vazes.No entanto, pelo sim pelo não, as visitas entre esta charmosa presidente da Argentina e o seu (nosso) Lula, têm sido muito constantes.Sem querer descobrir chifre em cabeça de cavalo ou tornar-me seu indesejável profeta do apocalipse conjugal -que tanto a nação brasileira admira e respeita -lembro-lhe, no entanto, que Marta Suplicy foi cooptada por uma grande paixão e logo por quem? um argentino! Se já é intolerável perder para eles no futebol, imagine entregar-lhes nossos doces amores.Cristina Kirchner não é de se jogar, apesar de que -não é patriotismo barato nem ufanismo descabido -mas este seu ar de uma certa ingenuidade lhe confere -e o digo da forma mais respeitável - um certo charme incomum.Atrás de todo grande homem existe sempre uma grande mulher.Mude de posição Dona Marisa, passe a ficar ao lado de Lula.Algumas das afirmações do Lula me deixaram ainda mais intrigado, quando diz: "Eu estabeleci um vínculo de amizade com os presidentes da América do Sul. Não é só uma relação de Estado para Estado” Não é só uma relação de estado para Estado? Então realmente está pintando um tango neste meio-campo? Repare bem , dona Marisa que as solenidades onde os dois se encontram só começam, após encontro reservado entre os presidentes Lula e Cristina Kirchner Precisa ser reservado? Nós temos absoluta certeza que entre o caráter e a formação de Lula e o do Clinton existe uma imensa diferença. No entanto, todos nós sabemos também, o que aquela estagiária, com aquela boca nervosa, fez e as muitas estrepulias do chamado sexo alternativo por ela praticada. E veja dona Marisa, era uma simplória estagiária.Agora imagine esta presidente da argentina- que por sinal é até bem gostosinha- do que seria capaz! Lá como aqui, homem é homem.Ainda mais latino! Portanto, Dona Marisa desculpe-me a intromissão na sua privacidade presidencial,mas se existe um fato político que uniria todas as oposições destes país numa fulminante invasão a terra destes nossos muy amigos hermanos seria esta perda irreparável para a nação brasileira. Lula está parecendo muito devotado a causa portenha.Pelo sim, pelo não, aceite minha sugestão, use também a Abin.