FILHOS DA MESMA MÃE ?



Quem já não ouviu as mães em conversas de intimidade, dizerem que seus filhos são inteiramente, diferentes uns dos outros?




Além disso, manifestarem a preocupação de como as coisas podem ser assim, pois se todos nasceram do mesmo pai e da mesma mãe?


Na realidade, os filhos de mesmos pais, nasceram em épocas diferentes, e os pais assim como a vida e as águas de um rio mudam apesar, de suas novas águas passarem sempre pelo menos lugar.


Um ano, dois, quatro anos, não dá para medir, as transformações que os pais e as famílias passam e é exatamente, neste clima de constantes mutações que vão nascendo os filhos dos mesmos pais que, no entanto, são inteiramente diferentes daqueles, anteriores.

A dinâmica da vida familiar é intensa, como também a da sociedade, e o crescimento das plantas, enfim, o mundo que foi dormir ontem, ao acordar hoje, já está diferente.

A família dos Azeredos tem quatro filhos, com idades que variam em dois anos de um para outro descendente.

Adolfo Azeredo Filho é o primogênito do casal, agora com 26 anos. Formou-se em medicina e como cirurgião tem viajado o mundo a convite dos melhores centros de referência em cirurgia plástica.

Anália Azeredo é a segunda da linhagem, com 24 anos e acaba de ingressar na faculdade de arquitetura é meiga, educada e ótima companheira para seus pais.

Gersildo Azeredo tem 22 anos, cujo apelido é "bronca”, acha que não é filho de seus pais, pois, seus cabelos segundo ele, são ruins e todo enrolados.

O pior é que seus pais são loiros, ele é muito moreno, o que exacerba as paranóias do rapaz.Já foi detido com amigos em festa rave usando drogas, é irritadiço, briga demasiadamente com os irmãos e passa mais tempo morando com seus colegas, do que com seus pais.

Percival Azeredo, o caçula, agora com 20 anos, não gosta de tomar banho, tem as piores companhias que um rapaz poderia escolher, e um dia proibido pelo pai, de dormir no seu quarto com uma das suas namoradas de ocasião, as famosas "ficantes", saiu de casa, feito uma criança fazendo beicinho e, foi morar numa republica de rapazes revoltados e com sentimento de rejeição igual ao dele.

Já esteve detido em um distrito policial por duas vezes sob suspeita de roubo de automóveis.

Quando o filho mais velho nasceu, o casal Azeredo estava em plena lua de mel e ele trazia diariamente para sua esposa, Nhás –bentas e bombons de cereja, guloseimas e muito outros mimos que Naná, como ela chamava sua mulher Ana Maria, tanto gostava.
Ana Maria não continha sua felicidade à época, pois Amilcar Azeredo seu amado esposo, recebia uma promoção no trabalho a cada ano. Dinheiro farto e muito amor!

Esta vida de recíproca felicidade só terminou quando o seu terceiro filho estava em gestação e Naná descobriu que seu príncipe encantado tinha uma amante.

Foi uma gestação difícil a do menino Gersildo, talvez por isto seus cabelos ruins como ele reclama tanto.

Naná, nesta altura já era só Ana Maria mesmo, e quase abortou Gersildo, numa briga muito séria que tivera com o marido e exigia que ele saísse de casa.

Contornadas as arestas, Amílcar o antes bem sucedido homem de negócios, começou a beber muito, chegando em casa geralmente muito tarde, enquanto, o seu então, terceiro filho e ainda recém nascido, dormia mais do que via o pai, que se transformou no verdadeiro galo da madrugada.

Recuperada da gravidez, Ana Maria, Naná de saudosa memória, conheceu seu Ricardão apaixonando-se e vivendo um intenso dilema, entre sair de casa e deixar tudo para trás ou tentar conciliar a vida com aquele bêbedo marido, agora desempregado e suas responsabilidades como mãe , sem no entanto, esquecer um minuto, o seu amor que não dormia com ela , na mesma cama.

Enquanto pensava, se ia ou ficava, Ana Maria engravidou do seu último filho, que nem mesmo ela tem certeza de quem seja o pai. Era o caçula Persival.



O pai , agora um derrotado pela bebida, e ela estressada e envelhecida, não contava mais nem com o apoio afetivo do seu Ricardão, pois devido à precária situação financeira da família, passou a ser solicitado por Ana Maria, para eventuais contribuições que não só a sexual, para a manutenção da casa onde vivia de corpos separados com Gersildo, seu marido do qual um dia tanto se orgulhou.

Ricardão que só queria moleza,decidiu cair fora!

Quatro filhos, bastantes diversos um do outro e sem dúvida nenhuma, todos nascidos da mesma mãe, porém, criados em famílias absolutamente, diferentes.

Apesar de ser a mesma !

DAS BOCAS, DO SEXO ANTROPOFÁGICO E OUTRAS COMILANÇAS.



Está difícil aguentar tantos e intensos odores de nicotina e aquele intragável cheiro de bebida alcoólica nas bocas beijáveis e disponíveis imediatamente, assim como, tantas outras, com excelentes disponibilidades futuras de serem, igualmente nossas prazerosas parceiras de lábios grudados.

E aqui a reclamação vale tanto para homens como para as mulheres

Na pré –historia da emancipação feminina a boca de uma mulher era uma flor de jasmim, cheirosa, apetitosa, que nós os homens colhíamos como se estivéssemos andando por um imenso jardim da sensualidade.

Os homens, ao contrário, em todas as épocas, sempre se notabilizaram por aquela emanação híbrida de odor etílico com forte presença de acentuados traços daquela fragrância indesejável de tabaco, pois, em tempos idos isto era coisa de macho!

Realmente o castigo, veio a cavalo e só agora, os homens, vêem como nossas queridas e antigas cobaias, mulheres conformadas com aquelas situações submissas de antes, sofriam com um simples ato de nos beijar.

E na boca dos homens, além dos nefastos ingredientes odoríficos do macho, ainda tem o bigode que em alguns são tão grandes que cobrem até os seus lábios.

Hoje este tipo de "boca de foca", existe menos, mais ainda pode ser encontrado.


E, por uma destas peças que o destino prega na gente, foram algumas mulheres, que fumando e bebendo muito, como fazem atualmente que, nos mostraram de forma prática e exemplar, o quanto, além de padecerem no paraíso - pois este é dito popular quanto ao privilégio de poderem ser mães – também, tiveram que suportar de desconforto, naqueles beijos não-técnicos!

Nesta área de odores e suas magias, ou de suas manias, ou se quiserem ainda de tara mesmo, a do Napoleão era imbatível.

Não tem a ver com boca, nem beijos, mas vale ser ressaltada, pois conta a historia das intimidades das grandes personagens da humanidade que Napoleão, sempre ao voltar das guerras, mandava na frente um emissário, para avisar a sua mulher, Josefina com alguns dias de antecedência:


-"Retorno a Paris amanhã , não se lave."


Pode?

E também tem a história daquele homem tão alcoólatra que exigia que sua companheira passasse álcool em gel no corpo dela todo, antes do enlace amoroso, vulgarmente ,conhecido como trepada.

O pior é que na maioria das vezes, ele ao terminar aquele infindável lambe-lambe alcoólico, também conhecido, como banho de gato, o idiota dormia profundamente, quase que em estado pré-comatoso.

Coitadinha?

Coitadinha nada, elas agora também, partiram para o ataque, e usam múltiplas e variadas formas diferenciadas para saborearem seus homens.

E algumas, além de ficarem acariciando nossas nádegas, agora aprenderam a nos dar dentadas, como se estivessem abocanhando um belo, generoso e macio pedaço de filé mignon com aquelas suas bocas nervosas. Agora: dedo não!

Tem mulher que, também na hora do sexo transforma o homem num autêntico rodízio de churrascaria com direito a lingüiça, coração, músculos de barriga tanquinho, e naquelas mesa de doces e iguarias variadas, iguais as daqueles hotéis cinco estrelas de Dubai, o lugar mais lindo e desejado para umas boas férias, nos Emirados árabes.

Passam chantilly nas nossas partes classificadas como íntimas, geléia na barriga, enfiam morango na boca dos homens, derramam generosas porções de chocolate em calda nas nossas mais variadas áreas do corpo masculino, sorvete nas orelhas e o escambau.

E o pior é que elas exigem reciprocidade, o que vem transformando a relação sexual num banquete dos mais primitivos povos bárbaros!

Perdoe-me, mais isto não é ato de sensualidade, e sim uma compulsiva e antropofágica gula, que algumas mulheres sobre o pretexto de estarem apimentando as relações, na realidade agem como se os homens fossem apenas, um tira-gosto sexual.
Ao final da daquela suculenta atividade carnal, elas engordaram uns cinco quilos e ainda por cima, assaltam a geladeira de madrugada.

É por esta razão que toda mulher sempre está precisando emagrecer uns quilinhos.
Já notaram?

Ainda acho que nada melhor no homem, e na mulher do que aquele romântico odor de pele, carne, e suores naturais.

Se for para comer no sentido tradicional do termo, vamos comer antes ou depois, mais durante, só o que deve ser realmente, comido e, aí sim, com um único tempero: o amor!

PORQUE EU CHORO A MORTE DE QUALQUER UM.



Esta é uma das razões de nunca mais eu ter lido aquelas páginas de falecimentos, publicadas nos jornais, é porque eu choro pela morte de qualquer um, pois esta é a forma que encontrei de valorizar a dádiva de estar vivo!

Naqueles espaços de obituários, em certas épocas parece que o pessoal combina de partir desta para uma outra, e todos ao mesmo tempo, então dezenas de anúncios são colocadas e para cada um deles, eu derramava um rio de lágrimas, em forma de cascata, acompanhados de soluços incontroláveis.

Chegava a desidratar.

Podia ser qualquer um, gente que eu nunca tinha visto e jamais imaginei que existisse.

Mas confesso, que chorava. Atualmente, eu consigo me controlar muito mais, a não ser que o noticiário do rádio ou da televisão me pegue uma surpresa, como esta:

“A associação dos plantadores de arroz de china acaba de divulgar a morte do homem mais velho do mundo, Sifoi Cin, aos cento e trinta anos, recordista absoluto no plantio e colheita deste grão preferido dos chineses”.

Neste caso eu chorei em mandarim, mas e se ele fosse cego, eu choraria em braile.

Querem saber a razão?

É porque, isto cutuca minha consciência e me lembra que eu também, que até hoje posso comer meu arroz com feijão, ou o meu predileto arroz doce com canela, um dia vou ser obrigado a deixar todos os pratos vazios, aqui por estas bandas.

Na realidade, quando eu choro a morte de qualquer um eu estou chorando a minha própria e futura morte e, também, celebrando que apesar de estar na fila, e ela estar andando, ainda não fui contemplado.

E este negócio de velório então, é uma verdadeira tragédia grega, por vezes muito mal encenada, pois quando um dos presentes, vê que está sendo notado, então se sente na obrigação de demonstrar sua dor incontida e começa a dar soluços convulsivos, mais falsos do que seios siliconados.

E por esta razão que todo mundo vai aos enterros de óculos escuros.

Já os italianos da Calábria e da Sicília, resolveram estes possíveis constrangimentos de forma inteligente e para ninguém ser pego de surpresa fingindo lágrimas, eles contratam as famosas carpideiras, as profissionais do choro, todas vestidas de preto pretíssimo, que berram dia e noite revezando-se apenas, para comer uma porpeta, brachola, um sanduíche de salaminho ou mortadela acompanhado de vários copos de vinho, porque afinal, ninguém é de ferro e já está tudo incluído no contrato.
Fala sério, velório é um saco!

É um ambiente infestado de múltiplos e enjoativos odores que se desprendem das coroas de flores, e que ainda exibem textos ou palavras soltas necrológicas, nas suas faixas roxas com letras douradas, algumas muito pouco criativas, bastante econômicas e absolutamente burocrática, manifestada somente na palavra:

“Saudade”.

Outras de forma comedida, mesmo assim, expressam certa frustração e uma singela dose de revolta de quem a encomendou:

“$audade, mas podia me pagar antes”.


E em torno daquelas coroas de flores, voam abelhas e seus indesejáveis zumbidos dando mergulhos rasantes e ameaçadores também, nos rostos dos presentes, exatamente, como se estivessem voando em torno daqueles sonhos que ficam em cima dos balcões das padarias e derramando aquele creme amarelo para fora.

Nunca faltam, também aqueles caras metidos a engraçadinhos que, para meter medo naquela mulher gostosa a seu lado, jura ter visto o tal do cara que está lá em decúbito dorsal abrir a boca, mexer a cabeça, arrotar, enfim...

Para aquele que foi, nada de mais, mas para os que ficam, o quadro se assemelha a de um pintor que não pinta e sim, borra com cores extravagantes, uma tela de mau gosto, principalmente, quando chega o momento de fechar a tampa da última morada de madeira daquele homem.

Aí como era de se esperar sua mulher não se contém e abraça o caixão.

O que surpreende a todos, no entanto, é que várias outras mulheres absolutamente, desconhecidas da família debruçam-se, também, para o derradeiro beijo de despedida.

Uma cena insólita que mostra que nem depois do marido morto, as esposas não conseguem se livrar das concorrentes.

E a fila é enorme!

Acontece de tudo nestas ocasiões, até os cochichos dos amigos que seguram aquela mala enorme e com alças, e começam a reclamar do excessivo peso, como se o finado estivesse sendo acusado de desleixado, porque antes de morrer, deveria ter feito um severo regime, para facilitar o seu transporte.

Quanta falta de solidariedade!

Mas eu continuo a chorar, por todos os que morrem, porque sei que um dia também, vou ser este sinistro personagem a representar no último palco da vida, um espetáculo mambembe, pífio e bizarro exatamente, igual àqueles que são encenados em cima de um caminhão velho, improvisado como teatro, nas mais longínquas, pobres, empoeiradas e secas regiões do interior.

Só quero, no entanto é que sobre minha última morada, a mulher mais generosa fique sobre ele debruçado, cuidando do meu sono eterno.

É sono... Bem nesta condição não terei outra alternativa.

Que desperdício!

TEIA DE ARANHA.


Os relacionamentos humanos, por vezes, são formatados por verdadeiras teias caprichosamente, elaboradas pelas aranhas-rainha do comportamento social.

Cada uma, e a seu jeito, procura no local certo, tecê-las da formas mais apropriada e com um único objetivo: pegar ou vingar-se do incauto.

Caiu na teia, não sai mais. E as aranhas até que sabem as estratégias corretas, os melhores métodos e como aliciar sua futura refeição. Em todos os setores da vida social é preciso ter muito cuidado, é preciso ter muita cautela, principalmente nas empresas contemporâneas, nas quais a competição e confundida com conflito.E não tem nada há ver estes dois distintos processos sociais.

Na competição o objetivo é impessoal: eu quero passar no vestibular. E estudo para isto.Já o conflito, personaliza um rival e só consegue atingir suas metas destruindo, em volta.

Tem até aquela historinha da aranha que conversava com uma borboletinha garbosa multicolorida, a cerca do perigo que o camaleão representava para ambas.

Próximo à teia, a borboletinha esticava o pescoço para ouvir melhor a aranha, sentada bem no meio do seu paraíso de fios pegajosos e dizendo em tom de amizade:

-Olha, borboletinha querida, é preciso tomar muito cuidado com o camaleão.Ela não é confiável-
-É mesmo?- espantou-se a singela borboletinha.

-É isso mesmo.O camaleão tem uma língua enorme e certeira Ela a arremessa em cima da gente e...acabou.Lá vamos nós toda cheia de gosma para dentro da sua goela.
-Nossa, minhas asas estão até tremendo - dizia apavorada a borboletinha.

-Eu me admiro muito, você não saber disto.Chega mais pra cá, borboletimha que eu vou lhe contar um segredo terrível...- insistia a aranha, confidente.

A borboletinha tão depressa, quanto curiosa, subiu na teia e imediatamente a aranha lhe deu um abraço quebra ossos...
Aturdida e sem entender nada, a borboletinha espavorida, questionava:

-Mas aranha, nós não estávamos juntos, contra o camaleão? E agora você faz isso comigo?

-Ao que retrucou a aranha, do alto da sua sabedoria:
-Em matéria de sobrevivência não existe amizade, só interesses, sua bobinha.
E lá se foi à borboletinha pro brejo.

Nos relacionamentos sociais as teias de aranha funcionam como um meticuloso ardil feminino,por exemplo, de vingança por danos sofridos, para apanhar aquele tipo de homem machão, metido a pegador, o rei da cocada preta, bronco, violento, que gosta de dar uns trancos na sua mulher, metido a passar todo mundo na cara, enfim ,um verdadeiro Tiranossauro do amor romântico.


As mulheres às vezes deixam-se subjugar aos desejos imediatistas deste tipo de homem em extinção, aos seus rompantes de cafajeste da década de setenta, verdadeiros galos de briga,acreditando que aquele ciúme demonstrado pelo marido desde o inicio de seu casamento é prova de amor inconteste e não um desejo mórbido de trancafiá-la em casa exigindo, absoluta e dedicação integral aos filhos e ao lar e anulando-a, para qualquer outra pretensão na vida.





Poucos anos depois, lá está ela embrutecida, emburrecida, inculta e submissa ao dinheiro do supermercado e todas as outras despesas, sob a tutela do patrão.Um zero a esquerda, à direita, em cima e embaixo.
Então aquela mulher com cheiro de gordura durante o dia e perfume barato à noite, e que a última vez que tinha ido ao cinema foi no lançamento de “E o vento levou”, incorpora a perspicácia da mulher aranha, decidida a voar mais alto.




Ao chegar em casa e começar a dar as ordens de praxe à mulher, depauperada, com a alta estima mais baixa que tanque de combustível de carro pobre, cansada de humilhação e autoritarismo do machão irrecuperável, ela aproxima-se daquelas orelhas do seu marido, cheias de fiapos de cabelo para fora, e sussurra no seu ouvido:
-Benzinho, temos que tomar muito cuidado com este vizinho da casa da frente.Ele me olha de forma estranha...

-Estranha? Irrompe o cavalão, praticamente babando como um touro no cio, ou seja, uma síntese de todos os bichos enfurecidos. Eu vou quebrar a cara dele!


-Não, por favor, eu não tenho certeza, estou confusa,só fique prestando atenção no jeitão dele...

E durante anos, aquele marido não tirou o olho do vizinho da casa da frente.

Mal sabia ele que, na verdade, sua mulher tinha puxado o bobão para a sua ardilosa teia de aranha, pois desviara a atenção do seu marido, daquele que na verdade era o seu verdadeiro e eterno amante, o vizinho sim, mas da casa ao lado!

ENSINANDO A NATUREZA, POIS ESTÁ TUDO ERRADO !


Quem disse que a natureza é sábia?

Conversa fiada.

A natureza paga mico um a trás do outro.

Ou os tsunamis, terremotos, maremotos, vendavais e vulcões nos enchendo de cinza e fumaça, é tudo culpa das garrafas de pet que jogamos nos rios, ou as partículas de carbono que estamos deixando escapulir?

Tudo bem, que a gente polui mesmo, mas a natureza também, não é perfeita.

E vou provar!

Vejam o seguinte: um homem – é gênero masculino que estou falando – até se tornar um idoso, pode fazer tudo que quiser.

Jogar futebol, vôlei, basquete, tênis, nadar na piscina, fazer a travessia do canal da Mancha, se jogar de pára-quedas sozinho ou em grupos.

Praticar esportes radicais, como o bungee Jumping amarrando os tornozelos a uma corda elástica, no qual o garotão despenca lá de cima.

Alpinismo, e mountain bike, carregando até a bicicleta nas costas todos enlameados, e cheios de adrenalina, transbordando seus níveis de dopamina, endorfina e serotonina, neurotransmissores que enchem as células do cérebro dos esportistas dando-lhes aqueles solavancos de atitudes e coragem.

E ainda podem comer feijoada no almoço e angu à baiana antes de dormir, encher a cara de bebida e no dia seguinte acordar solto e saltitante.

Vejam, o cara novo pode tudo!

Já depois dos setenta, você também pode tudo, mas tudo que esteja ligado ao sentir-se mais desconfortável, ou seja: sentir dor, abundantemente!

Dói tudo, pressão aumenta, diabetes pega de jeito, o idoso então vai para as ridículas e humilhantes aulinhas nos shoppings e lá é tratado como um débil mental, pois as “tias” falam com os idosos como se estivessem falando com criancinhas, tipo:

- “Vovôzinho estica, mais a perninha, neném, relaxa mais o corpinho, filhinho e respira assim com a titia: af, af,af ! Assim, bonitinho, glu, glu glu....”

Glu, glu, glu é o cassete, vamos ali para o vestiário que eu te enfio a minha...

Minha o quê?

Estão vendo?

Enfia, mais nada em lugar nenhum !Bem salvo raras exceções.

Então, aí é que começa o desenvolvimento da minha tese de que a natureza só paga mico.

E por que?

Exatamente pelo seguinte: como o jovem e até uma idade próxima aos setenta anos pode tudo, e os idosos depois de setenta, passam a não poder quase mais nada, a natureza deveria ter invertido totalmente, a ordem das coisas relacionadas ao vigor sexual.

Afinal, O único esporte radical que o idoso pratica é sexo em queda livre!


Então a idade ou marco zero, para que os homens começassem a ter tesão de touro no cio e instrumental fálico disponível em dureza e resistência sob qualquer temperatura e pressão seria, exatamente, após os setenta anos.

Ora, já que o idoso não pode fazer mais nenhuma pirueta, nada mais extravagante ou radical como os jovens, então a natureza deveria ter-lhe reservado a magia de poder começar a entrar no auge do seu apetite sexual, nesta septuagenária idade.


Aí sim, o idoso ia esquecer da dor, a osteoporose, a próstata e o dedão daquele urologista tarado enfiando a mão no pote de vaselina, da artrite reumatóide deformante, da catara, avc, e o escambau e partiria para cima destas gostosas, e que ele depois de uma certa idade realmente, só consegue admirar.

Sacanagem!

É nesta idade que o idoso deveria, já que acumulou uma grande experiência de vida e nem pensa em ejaculação precoce, poder levar, certamente uma mulher ao nirvana dos maiores prazeres sexuais imagináveis.

Servir integralmente e em tempo de sol ou chuva torrencial a elas, sem precisar pensar que amanhã tem que trabalhar.

Atender a estas coisinhas lindas e sequiosas por prazer, orgasmos múltiplos e preliminares intermináveis, com muita sapiência, maestria, e profundo conhecimento de causa.

Isto é lógico e tão elementar como chupar picolé.

E o que fez a natureza?

Concentrou tudo de bom para os momentos da vida do homem nos quais ele já pode tudo, e tirou do cara depois de uma certa idade, a possibilidade dele não poder fazer mais nada!

Errou a natureza!

O correto seria: sexo alucinante, desvairado e sábio para os idosos e esportes, muito esporte, inclusive os mais radicais possíveis, para a juventude que já tem muita coisa para fazer e, ainda quer fazer sexo?

Tudo errado!