PÔ, CARMEM LUCIA!










O casamento foi lindo! Foi tudo muito lindo!

Dizem que as mulheres valorizam mais do que os homens o planejamento, as compras, as festividades, tudo que cerca aqueles momentos mágicos que antecedem ao "sim" da união matrimonial dos cônjuges.

Em parte, isto é verdadeiro, não totalmente, porque eu me emocionei muito com o nosso casamento. Mas, reconheço que realmente você o valorizou muito mais. Comprou tudo. Coordenou todas as despesas. Quanto empenho! Envolveu toda a sua a família. Verdadeiro trabalho em equipe.

Só depois da lua de mel é que fui ver tudo direitinho, fazer as contas, cotejar. E, como você valorizou Carmem Lucia!

Aquelas pouquíssimas rosinhas de chocolate que a sua mãe sugeriu para que fossem oferecidas aos convidados quando eles saíssem da festa, custou mais do que o aluguel da igreja e o coral, com o órgão do padre e tudo. Lembra do meu sapato preto, importado da Austrália de couro de canguru, que você achou lindão? Então, daria para comprar uns cinquenta pares com o dinheiro gasto naquelas singelas lembrancinhas de chocolate.

Eu sei que foi uma amiga da sua mãe que nos vendeu, não foi? Se a gente não conhecesse bem a sua mãe, Carmem Lucia, diríamos que ela levou, no mínimo, cinqüenta por cento de comissão naquela comprinha.

Foi muito caro. O pior é que eu vi crianças atirando aquilo umas nas cabeças das outras. Um duplo desperdício. Como você valorizou nosso casamento, Carmem Lucia!

Aquela gorda dona daquele tal Pastel do Carioca, empresa fantasma que fez os pasteizinhos de queijo para tira-gosto a pedido do seu pai bebum, cobrou mesmo aquilo tudo?






Tem certeza que o seu pai só gosta de comer os pasteis dela?

Fiz umas contas rápidas e o que pagamos por aqueles pasteizinhos safados e mirrados daria para a gente comprar uma pastelaria no estado que mais se come pastel: São Paulo.





Uma coisa à toa que, nem tinha vento e, com uma bolinha de queijo muito acanhada lá dentro, do tamanho de um grão de feijão. Um roubo!

Desculpe, mas é revoltante. Outra coisa Carmem Lucia: eu tinha alugado um carro conversível, do ano na agência de um amigo, uma semana antes, e no dia do casamento seu irmão cancelou e alugou o carro dele para nós, aquele Escort 86 enferrujado com a capota furada e coberta de lona.



Eu não entendi.

E nos cobrou o dobro do preço daquela limusine conversível que eu já havia contratado. Olha, vou ao Procon. Temos que conversar, seriamente, com seu irmão

E tem mais, quem pediu aquelas empadinhas de camarão para sua prima? Confere aí, pois, eu duvido que ela tenha mandado as quinhentas encomendadas. Foram caríssimas, não tinham camarão e ela deve ter entregue, menos da metade do que nos cobrou.

O Juninho, filho da Esmeralda berrava: - mãe devolve minha empadinha. Ela tomou da criança na mão grande. Todo mundo estava reclamando. Meu amor
você valorizou demais, prestigiou demais seus parentes, foi muito mão aberta com a sua família.

Você falou que o tapete vermelho começaria na entrada da igreja, até ao altar. Que tapete?Tivemos que ficar espremidos em cima de um minimo capacho vermelho. Roubaram o maldito do tapete, Carmem lucia?
E o dinheirão que eu paguei por 20 quilos de pétalas de tulipas multicoloridas que seriam jogadas em cima de nós no momento do beijo, lá no altar. Pétalas? Minha cabeça ficou cheia de serragem e papel de jornal picadinho. Parecia desfile gay na avenida, Carmem Lucia.

Ficamos todos emporcalhados com aquilo. Não quis lhe falar nada para não quebrar o clima, mais até quando nos deitamos na nossa tão esperada alcova na lua de mel, você ainda tinha aquele embuste de enfeite, dentro da calcinha.

Lembra-se que eu comecei a espirrar? Era serragem Carmem Lucia! Vê qual foi o seu parente que nos vendeu alho por bugalho. E o arroz que seria jogado quando entrássemos no carro? Jogaram alpiste e milho, na nossa cara. Parecia chuva de granizo.

Eu paguei arroz agulhinha de primeira. Jogaram alpiste e milho. Alguma insinuação a você? Não é possível.

Tudo isto seria perdoado, não fosse aquele episódio grotesco de você começar encher a cara com seu pai - aquele bebum inveterado - desde cedo, e ficar em altíssimo, estado alcoólico mal a festa ter começado. Abraçava todo mundo com aquele bafo insuportável e, ao invés de cortar o bolo de casamento cortou a galinha assada, do prato que estava perto.

Carmem Lucia,você estava tão embriagada que, quando me ofereceu aquele pedaço de galinha, pediu para que eu não sujasse o terno com o chantilly!



Galinha com chantilly, sua miserável bebum?

Bandida,você bebeu tantos tipos de cachaças que eu nunca tinha ouvido falar!



Foi, exatamente, aquele seu deplorável estado de embriaguez que, não deixou você notar quando, no final da festa, saímos e seu irmão parou aquele maldito Escort, no tal hotel que seu primo nos reservou, dentro de um pacote turístico que incluía estada em Teresópolis por uma semana com café da manhã, almoço, lanche e jantar executivo com velas e outras coisas românticas, como passeio de cavalinho e assemelhados.

Na verdade ele nos deixou num velho sobrado na Rocinha. Lembra-se que você dizia - nas poucas vezes que conseguiu acordar naquela noite do embuste - que seu primo tinha pensado em tudo, até nos fogos de artifício?

Carmem Lucia, aquilo não era foguetório nenhum, e sim um intenso tiroteio de armas pesadas entre a policia e os traficantes do local.

Como fui enganado!Estou num estado deplorável e lhe deixando esta carta, porque já está amanhecendo, você ronca como uma porca, o tiroteio acabou e vou direto procurar meu advogado para anular este verdadeiro ato de terrorismo que vocês chamaram de casamento e, colocar sua família na cadeia.

Carmem Lucia, respeitosamente, caso você queira suicidar-se, deixo-lhe um vidro de chumbinho, na mesinha de cabeceira.





Torço por isso. Adeus.

AMANTE ORIGINAL







Aproxima-se o fim de mais um dia de intenso trabalho, e aquele pensamento constante e repulsivo, não lhe saía da mente! Pensava a cada minuto, naquela criatura vil e aterrorizante que deixara em seu lar.
A última noite, em sua companhia, fora a mais cruel e insuportável, e naquele momento resolvera, de uma vez por todas, por fim àquela situação.

Chegando a sua casa, logo ao abrir a porta, deparou com aquela criatura mesquinha, sórdida e provocadora que não lhe dava um minuto de descanso, fazendo-o passar os dias e as noites mais infelizes e atribulados da sua vida e agora, acintosamente deitada em sua cama,como a desafiá-lo.

Resolveu declarar guerra àquela megera .

Atirou-se à cama para agarrá-la e castigá-la, masculamente.

Ela fugiu, logrou escapar, indo para a sala tentando esconder-se, numa atitude covarde, digna, somente das criaturas inexpressivas.

Tinha de uma vez por todas que acabar com aquele sofrimento brutal, que fazia do seu lar, um cubículo triste e aterrorizador.

Ele a seguia furiosamente. Resolveu espancá-la com o salto duro do seu sapato, daria contra aquela cabeça vazia, para ensiná-la a dor que nunca antes havia conhecido, pois jamais fora homem de bater em ninguém, quanto mais num ser mais frágil como aquele, porém agora era demais!

Calculou friamente a pancada e mandou brasa, porém mais uma vez, aquela criatura conseguira desvencilhar-se, correndo de um lado para outro como se estivesse zombando da sua virilidade e, finalmente, foi para o quintal. O nosso pobre amigo suava frio por todos os poros e, o cansaço já era uma evidente realidade em seu corpo.
Numa atitude derradeira e louca, resolveu matar aquela coisa, sim matar a tiros. Faria daquele ser, migalhas.
Rapidamente foi ao quarto, abriu a gaveta. Tremiam-lhe as mãos. Apanhou sua arma,
e a passos firmes caminhou para o quintal escuro, envolvido na noite fria de inverno. A vitima estava ali escondida.
Acendeu uma vela que trazia no bolso e colocou-a no chão. Então a luz fraca da vela descortinou-a encostada a um canto, já agora temerosa, mas nem por isso, menos intragável e repulsiva.

Corajosamente, apontou-lhe a arma. Fez mão firme, pois aquele era o momento mais dramático da sua vida. Mirou-lhe, estrategicamente, a arma, para o seu crânio e disparou por diversas vezes, ouvindo-se as secas detonações das cápsulas. Seguiu – se a morte instantânea da vitima, já agora enlameada e inerte no solo.

Sua cabeça destroçada sob a terra aguada da chuva, que algum tempo caía, como para limpar as horrendas manchas daquele ser, apresentava-se como o quadro final daquela tragédia.


-Livre, estou livre – gritava, histericamente, aquele secular sofredor.

Sim, jamais passaria outras noites em claro por causa daquela criatura.

Lá estava ela destroçada pelos certeiros tiros do nosso frouxo machão, que na linguagem esportiva, dir-se-ia ter acertado bem na mosca, porém, o que não é verdade, pois no caso a mosca era uma barata !

AS SANTAS DE CASA E AS DA RUA.

Eu não sou daqueles homens fáceis, mas com extrema facilidade uma mulher me leva para cama.

Por isso, sempre penso se não estou naquela linha divisória entre o promíscuo e o carente , achando sempre que a segunda hipótese seria a mais apropriada e que me absolveria para continuar semeando e procriando, nesta imensidão das terras férteis e generosas femininas.

A decisão estratégica por optar pela hipótese de um necessitado e carente abandonado tornaria, por outro lado, desnecessário pagar um profissional para dizer-me o óbvio , ou seja, que eu deveria por mim mesmo reestruturar-me internamente,varrer as sujeiras da minha psique fazendo uma análise profunda em todos os estágios da minha consciência.
Vou pagar para ter este trabalhão?

Então, venho tentando é recorrer às próprias mulheres, minhas adoráveis cúmplices sobre estas dúvidas constantes .

E evidente que sou mais vitima de uma sociedade repressiva e hipócrita que sempre associou prazer à culpa e pecado.
Minha primeira tentativa foi absolutamente inócua, pois ao tentar obter resposta daquela loira gostosa,constatei consternado que ela não sabia sequer o que era promiscuidade, prejudicando desta forma que pudesse dar-me a mão, porém o resto ela me deu com inesquecível generosidade e louca performance.

Procurei outra amiga com a qual sempre mantive uma amizade colorida pois, ela tinha muitas tatuagens vermelhas, outras azuis e algumas roxas, sendo porém a maioria, vermelhas, azuis e roxas,tudo junto e misturado.Verdadeiro arco-íris de sensualidade.
Tipo da mulher que se você emoldurar e colocá-la na parede será sucesso em qualquer exposição de quadros.

No entanto,ela quase vestiu a roupa e foi embora, dizendo que estava ali para esfregar suas tatuagens em mim e não transformar-se em consultora sentimental, pois tinha pouco tempo para dar uma “rapidinha” ponderando que toda aquela pressa era porque seu marido ciumentíssimo, estaria dentro de duas horas , no seu ninho de amor oficial.

Fracassei, também.

Então num destes presumíveis atos promíscuos ou carentes atividades de alcova convidei uma grande amiga, mulata, cheirosa, cabelos tipo africano, coxas monumentais,ancas largas e generosas de mulher parideira, sorriso incomum e franco com todos os dentes escancarados, além de umas nádegas enlouquecedoras.
E para enlouquecer-me ainda mais, os olhos dela eram de um verde- oliva de fazer inveja aos uniformes do nosso valoroso exército , um lindo nariz fino de ponta arrebitada e uma boca carnuda com aquele charme explícito de desejo e sedução.

Tais predicados sepultaram - não em cova rasa mais sim profundíssima- minha curiosidade filosófica – cultural e confesso que nem sequer tive o atrevimento de perguntar-lhe nada ,e sim... deixar que ela fizesse tudo!






Com ela minhas descobertas foram muito prazerosas e tive um trabalho insano e compensador desbravando como um colonizador a beleza daquele novo continente feminino descoberto.

Lembro-me também que um dia , numa atitude desesperada perguntei a minha, hoje ex-mulher de saudosa memória, o que ela achava da conduta de um amigo meu- suposto e imaginário – que vivia procurando de forma compulsiva muitas mulheres.
No entanto, como naquela época eu era um provedor muitíssimo comedido e sonegador confesso de prazeres carnais a ela - excetuando os rodízios fartos , quando eventualmente íamos a uma churrascaria - ela suspirou e disse:

-Queria ser uma delas! – cravando assim uma imensa estaca de madeira de lei, no meu peito e pobre coração incompreendido.

E completou ainda que, devido à escassez das vezes que eu a procurava para dar-lhe um insosso orgasmo com aquela escassa e rotineira periodicidade mensal, tinha que aproveitar aquele raro momento, arrematando:

-Este safado e promiscuo “amigo seu” que procure um profissional, pois agora , como a farinha é pouca,meu pirão primeiro- encerrou bufando aquele desabafo característico de charminho: afffff!

Vejam, recomendou exatamente, o que eu nunca quis admitir e me ensinou para o resto da vida que mesmo suplicando respostas, santa de casa não faz milagre e muito menos as da rua!













UM HOMEM JUSTIÇADO POR UMA QUESTÃO DE MINUTOS.

Diomedes Leôncio vivia com sua companheira Maria letícia há exatamente, trinta e seis crises de TPM da sua encantadora mulher e que no calendário dos outros mortais seriam três anos.

Maria Letícia ,até que pelo conjunto da obra dava para ir levando pois, exibia um corpaço moreno muito bem formatado,bocão carnudo, mulher inteligente , um excelente salário numa multinacional, cultura razoável e um belo apartamento de frente para a praia de Copacabana no qual, Diomedes Leôncio vivia como um agregado,e por estas razões sutis, era o sonho de consumo de qualquer homem.

Ele preferia este termo de agregado, mais ela por diversas vezes o chamou de vagabundo!

Num belo dia de verão ele, o agregado vagabundo, saía da praia com seu short preto e óculos Ray-ban, ao lado de uma vizinha de alguns andares abaixo ou acima do apartamento que ocupava e por uma destas infelizes coincidências Maria Letícia estava na janela e o viu.

Só depois de quarenta minutos cronometrados, ele meteu a chave naquela porta que não lhe pertencia.

Maria Letícia sem deixar barato, foi logo perguntando e fazendo-se de idiota:

-Que horas você saiu da praia?- com cara de quem queria realmente explicações e estava com um relógio na cabeça.
- Saí há cinco, dez minutos atrás e vou tomar um banhozinho. Vamos amor?- tentando desanuviar o temporal afetivo que já pressentia pairar sobre sua cabeça.
-Deo – era o apelido que ela o tratava - há quarenta minutos atrás eu vi da janela você entrar no prédio, com uma galinha de chapelão e óculos escuro e tão camuflada que não pude nem ver os cornos dela.
-Eu? Você pirou – tentou rebater aquela bola que ele já sentia muito perigosa e dentro da sua área.
-Sim cachorro nojento, pústula desgraçado!
-Maria Letícia, faça estas contas direitinho .Acho até que foram quarenta minutos sim, pois, fiquei conversando com o porteiro uma meia hora, querendo subir e ele com aquele papo de futebol.Depois entrei no elevador que estava lotado e a Carmem Lúcia com aquele barrigão de grávida quis entrar também e aí dei meu lugar pra ela já que o elevador estava muito cheio.Depois o elevador não descia de jeito nenhum.
-Sei... o porteiro. Que porteiro Deo?
- O Raimundão...
-Ah, sim ... Foi com ele que você ficou conversando trinta minutos seu filho de uma... -Maria Letícia deixa minha mãezinha fora disso - esbravejou Deo.
-Está bem . Posso chamá-lo então de mentiroso safado que acredita nas suas próprias mentiras, seu pré-corno?
-Pré-corno? – inquiriu Deo com cara de quem não pretendia deixar de ser “pré”.
-Não muda de assunto seu moleque, porque o Raimundão está de férias e não colocaram ainda, outro no lugar dele e a Carmem Lúcia está no hospital desde ontem à noite pra ter filho.
-Como assim?
- Deo, eu vou te dar com a jarra na cabeça – indo em direção a um quase monumento de porcelana japonês enorme e sem dúvida, pesadíssimo. - Essa jarra não, Maria Letícia, você me mata . Que ciúmes mais destemperado!
-Destemperado, né corninho...
-Ué,agora já sou corno?
- Deo, aff.... não me cansa, quem era a mulher disfarçada com aquela saída de praia que mais parecia uma...
-Ta bem, Maria Letícia, é uma nova moradora do apartamento quinhentos e quatro uma senhora até muito distinta e educadíssima que perguntou antes de entramos no elevador se eu conhecia algum eletricista bom , porque o marido dela que estava em casa -e você aí botando maldade em tudo - não conseguia colocar um disjuntor para o chuveiro elétrico.Aí me ofereci e ela me apresentou ao marido dela e troquei o disjuntor,e o marido me agradeceu muito e vim embora.
-O disjuntor? E trocou o óleo também?
-Como assim Maria Letícia, “trocou o óleo”!
-É exatamente o que escutou, foi com a senhora “educadíssima” do quinhentos e quatro, cujo apartamento está vazio, seu canalha sem-vergonha e tem até anuncio aqui neste jornal para alugá-lo, vou te mostrar seu filho de uma ..

-Maria Letícia!- Gritou Diomedes Leôncio interrompendo e demonstrando firmeza e que definitivamente, não queria envolver sua mãe naquilo.

-Olha o anúncio aqui, tá vendo?Agora me diga quem era aquela periguete, mentiroso...

- Meu Deus estou muito confuso...Não sei de nada, sou inocente. Maria Letícia, está bem eu perdi, mas foi um sexo descompromissado, irresponsável, fortuito, animal, coisa de homem,volúpia de momento descaradamente selvagem,um impensado orgasmo desnecessário e na escada do edifício,sem nenhum sentimento, nem afeto porque este eu guardo somente pra você, meu amor.E como eu me arrependo!

Fez-se um silêncio sepulcral em meio aquela encenação ridícula, grotesca e tragicômica.

Então, Diomedes Leôncio fechando os olhos, contraindo o rosto, antevendo o fortíssimo impacto, disse com voz de menor abandonado e fazendo uma falsa boquinha de choro:

-Tá bom, meu amor pode me dá com o jarrão na cabeça, mas por favor Maria Letícia, me presta socorro depois.

SORRISO DE MULHER.

Já fizeram muitos filmes sobre esta extraordinária criatura que pariu a todos nós, e um deles o inesquecível: Perfume de mulher!

No entanto, eu ainda não morro sem fazer um filme que tenha o nome de: Sorriso de mulher.

E neste filme eu destacarei que a boca da mulher parece ter muito mais do que os trinta e dois dentes usuais, pois reparem que um sorriso destas deusas brilha tanto e encantam de tal forma aos homens que parecem muitas bocas numa só.

Que delicia!

Os beijos que damos nelas, são sempre acompanhados de uma sensação de que, afinal encontramos a mulher da nossa vida e que podem instantaneamente, nos acender de forma explosiva e irreversível, principalmente quando as beijamos de pé!

Este detalhe é importantíssimo e lhe confere o diploma do conhecimento sábio das coisas.

Um sorriso de mulher supera qualquer xingamento que elas possam ter dirigido ao homem,minutos antes , sendo os motivos e razões sempre as mesmas como, não ter levantado a tábua do vaso sanitário , ter deixado a cueca suja dentro do boxe,dizer que final de semana pretende ficar em casa descansando, se empanturrando de cerveja e principalmente, na hora do sexo não valorizando as” preliminares” que, a partir de uns anos para cá se constituem numa questão de honra para elas, e alguns destes búfalos no cio, partem logo para os “finalmentes”, de forma egoísta e incompetente pensando que, está jogando vídeo game, ou seja: Sozinho!

Um sorriso de mulher supera a melhor peça de teatro em cartaz, os mais modernos avanços da tecnologia, aquele tão esperado e planejado sexo com a vizinha, secretária ou aquele sexo mais rápido e fortuito após esbarrar com uma gostosa, numa destas calçadas da vida.

Um sorriso de mulher é muito mais do que uma flor ou um canteiro de rosas vermelhas e amarelas, é sem dúvida um verdadeiro horto florestal com uma infinita biodiversidade capaz de enlouquecer o mais experiente botânico e incessante pesquisador destas formas lábio-buco-dental que se nos apresentam!

É a nossa razão de ser, a despesa certa de um jantar, do atendimento ao pedido daquela viagem sonhada e, principalmente da capacidade e maestria delas em colocar no vermelho, nossos cartões bancários.

É irresistível!

Como se disse muito insistentemente, em passado político recente, “nunca na história deste país”, se contestou a singeleza do sorriso de uma mulher e a maioria nem sabe disso, quanto ao poder de persuasão que elas têm,valorizando na maioria das vezes seus seios, coxas e aquelas ancas generosas que,sem dúvida tem um valor inestimável, mas peço a todos que reflitam sobre algumas, incontestáveis verdade.

Na hora de colocar as coisas em pratos limpos e partir para a decisão do jogo, os homens amassam aqueles seios , colocam as coxas delas cada uma para cada lado e não é absolutamente, por desprezo e sim,como forma de poder adentrar a área tão esperada, sem obstáculos que possam inviabilizar aquele contato de primeiro grau , com um deslumbramento idêntico ao do amanhecer das nossas libidos, ou de um
desfile de uma Escola samba puxada pela Comissão de frente ,um momento de troca mútua, naquele santuário de contentamento,satisfação e único.

O tão esperado gol.

Nossa , me entusiasmei!


O mesmo acontece com as ancas que sustentam aquele abdome tão delineado por suas curvas e sinuosidades irresistíveis , pois sempre as encobrimos e com objetivos muito meritórios.


Bom , estávamos falando do sorriso de uma mulher, mas notem que quando lembramos do beijo na boca de pé, tal ato pródigo, desperta uma energia explosiva de cima para baixo que também modifica os rumos originais e evolui sempre para novas perspectivas que se abrem (e como!) e então, verificamos que um passo muito importante terá que ser desfechado, exigindo maior aprofundamento nesta matéria, e... naquele material!

Quer que eu minta?

DESABAFO DE UM HOMEM TRAÍDO.


Abaixo trancrevemos , na íntegra o e-mail de Coreolando Mauro, enviada a sua então ex-companheira Izabelle Cristine, numa fatídica segunda-feira após seu rompimento com ela, e ficando sabedor através de amigos, que um outro já tinha levado a escova de dentes para ocupar o lugar da sua , naquele banheiro de tantas historias inesquecíveis.


"Espero que você tenha tido um excelente final de semana.

Que tenha gozado e desfrutado intensamente, dos sabores da carne.
Continuo desejando que você jamais necessite desta minha medíocre presença, para tornar seus dias, vindouros mais satisfatórios, e assuma definitivamente esta sua opção de, entre risos infindáveis e felicidade transbordante, comandar orgias canibalescas e antropofágicas de prazeres, com este cara.

Acho que esta pessoa deverá estar levando você ao delírio, êxtases e arrebatamentos supremos , como eu nunca fui capaz - como se gritassem juntos num gran finale do Cirque Soleil, bravo, bravíssimo! - é plenamente merecedor dos seus mimos, sem lhe dar como sempre fiz,no entanto, rosas vermelhas ou bichinhos de pelúcia.

Não o invejo, apenas desabafo, pois é lógico que gostaria de entrar para um destes seus programas de inclusão social afetiva, porém , sempre desconfiei que eram somente mais uma destas bazófias e fanfarrices iguais a destes políticos em palanque eleitoral.

Mas fingi que acreditava em Mamãe-Noel.

Você não deveria ter duvidado que eu fosse capaz de proporcionar-lhe estas setenta e duas horas, que incluiram a sexta-feira, sábado e domingo , com mais competência que este seu mais novo irmão de sacanagem, travestido de Franciscano da Ordem Templária dos Papa -Tudo e você fingindo ser uma versão pós-moderna daquela dadivosa Lady Godiva que pelo seu povo entregou em holocausto sua incontestável beleza nua


Creia, Isabelle Cristine que tudo faço para tentar sentir uma felicidade demasiadamente intensa, por estes momentos que você desfrutará ao lado deste personagem épico do seu merecido filme: O Senhor dos Anéis ...de rubis,brilhantes, safiras e tudo envolto em ouro legitimo de dezoito quilates,que certamente já deve ter conseguido arrancar deste seu grande e novo amor.
Pobre de mim, que nem quinquilharias ou bugigangas as tenho sequer para agradar aos mais humildes dos índios.

E você é testemunha que eu já antevia esta situação ,pois sempre lhe dizia quanto a minha inabalável certeza de que uma mulher gostosa como você é igual à melancia: nenhum homem consegue comê-la sozinha!

Portanto, não me equivoquei!

Creia Izabelle Cristine, apesar de tudo, resta-me a certeza , em saber que pelo menos, você ainda tem espalhado pelo seu corpo, o odor do meu feromônio incrustado na sua pele branca de loira autêntica, conseqüência de esfregaços e pegadas aqui e ali sucessivas, simultâneas e constantes que eu lhe proporcionava, implodindo toda aquela sua sensibilidade. Bem, agora me resta comprar , dúzias de vidrinhos de chumbinho,aqueles que matam e secam os ratos e ingerir com uma deliciosa Caipira de lima da Pérsia, o que provocará o imediato desprendimento do perispírito deste meu inútil corpo como acreditam os espíritas kardecistas; a alma do meu corpo, segundo os católicos, cantando para subir, para quem for de Candomblé e na opinião dos evangélicos, algo que para mim deverá ser compreendido como uma grande benção.

Aleluia!

Continuo, apesar de tudo, tentando me alegrar em saber que você está plena de prazeres.

Verdadeiramente, procuro sentir uma improvável felicidade do cassete, mas até agora só uma imensa saudade de você me atormenta,sua vaca safada!

Quer que eu minta? "